Escrito por em 3 jul 2018 nas áreas Balé/Dança, Programação, São Paulo

Segunda temporada da companhia dirigida por Ismael Ivo tem homenagem ao Camaleão do Rock e duas estreias mundiais.

 

A segunda temporada do Balé da Cidade de São Paulo faz homenagem ao artista britânico David Bowie e apresenta três percursos coreográficos – dos quais dois são estreias mundiais. As apresentações ocorrem em julho. Nos dias 6, 7, 11, 12, 13, 14, o espetáculo é às 20h; já aos domingos, 8 e 15/7, ocorrem mais cedo, às 18h.

A temporada tem o nome de Danças e Quimeras. “Apresentaremos novos vocabulários do corpo e iniciamos uma nova era de investigação e pesquisa de linguagens”, explica o diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo, Ismael Ivo.

A primeira da série de coreografias apresentada no palco do Municipal é Deranged. O coreógrafo Chris Haring se inspirou na música I’m deranged, composta por Bowie em parceria com o músico e produtor Brian Eno, em 1995. O trabalho é baseado no método do Liquid Loft, companhia criada pelo coreógrafo em Viena que transforma gravação de voz em sequências de movimento. Dessa forma, as vozes de 12 bailarinos gravadas são mixadas e reproduzidas para eles por meio de alto-falantes no palco.

A mixagem das vozes com a obra do Bowie foi feita pelo músico Andreas Berger. A companhia apresenta movimentos a partir desse material pré-gravado. Durante os espetáculos, os bailarinos executam a coreografia sincronizando os lábios ao som que está sendo projetado, transformando Deranged em uma linguagem corporal completa, projetando nos corpos “esculturas de stop motion.

O trabalho provoca uma sensação de desajuste, de repressão à expressão. “A sequência de movimentos acompanhada das palavras faladas pré-gravadas reflete as muitas personalidades hospedadas dentro de um corpo humano, como uma luta interior e isso aparece quando os bailarinos mudam rapidamente de um personagem para o outro”, explica Haring, que faz sua estreia na América do Sul com este trabalho para o Balé da Cidade de São Paulo.

Cena de “Deranged” (foto de Fabiana Stig)

 

Para Trovador, o brasileiro Alessandro Pereira, coreógrafo residente na Companhia Dança Teatro da Dinamarca, em Copenhague, se inspirou na figura do trovador que se expressava por meio da criação e interpretação de composições poéticas: “Ser brasileiro hoje em dia é muito um exemplo disso. As pessoas estão dando as suas opiniões, independentemente de quais sejam”. O trabalho foi desenvolvido ao longo das três semanas em que o coreógrafo esteve no Brasil.

Pereira já coreografou para o Balé da Cidade de São Paulo durante o projeto Dançographismus, em 2015, quando foi responsável por Instante, inspirado na obra da escritora Clarice Lispector. “Sua carreira já está marcada por criações coreográficas para importantes companhias europeias, mesmo assim ressaltamos a importância de dar visibilidade ao desenvolvimento de novos coreógrafos brasileiros”, explica Ivo.

Cena de “Trovador” (foto de Fabiana Stig)

 

Adastra, coreografia que integra o repertório do Balé da Cidade de São Paulo, se inspira na luta pessoal de cada um na busca de um sonho impossível. É o triunfo alcançado por meio do esforço. De vigorosa técnica, os bailarinos executam movimentos precisos que prendem a atenção e o fôlego da plateia. O coreógrafo Cayetano Soto é reconhecido internacionalmente por suas obras técnicas, complexas e imprevisíveis.

Cena de “Adastra” (foto de Clarissa Lambert)

 

Epílogo

Ainda dentro da segunda temporada, a companhia apresenta o epílogo — Um Ícone — em homenagem a David Bowie, com pequenas intervenções coreográficas criadas por Ismael Ivo, inspiradas no mundo da composição Space Oddity e nas referências da era glam rock. Nesta fase, a figura andrógina do personagem de Ziggy Stardust, alter-ego do Bowie, foi um de seus maiores símbolos. O desfecho também abordará as relações pessoais do artista com alusão às duas mulheres da vida do roqueiro.

Cena de “Um Ícone” (foto de Fabiana Stig)

 

50 anos

O Balé da Cidade de São Paulo completa 50 anos em 2018. Uma programação especial foi elaborada para celebrar este importante cinquentenário, com um repertório que preserva a qualidade artística e abre horizontes para novos caminhos de criatividade e inovação. Na estreia da companhia em 2018, o espetáculo Um jeito de Corpo: Balé da Cidade dança Caetano bateu recorde de público, com ingressos esgotados, reunindo cerca de 13 mil pessoas em março deste ano.

Após Deranged, Trovador e Adastra, a companhia estreia em setembro uma releitura de uma das mais importantes obras do século 20: A Sagração da Primavera, com direção de Ismael Ivo. As apresentações serão acompanhadas pela Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, sob a regência do maestro Roberto Minczuk.

 

Balé da Cidade de São Paulo

O Balé da Cidade de São Paulo foi criado em 7 de fevereiro de 1968, com o nome de Corpo de Baile Municipal. Inicialmente com a proposta de acompanhar as óperas do Theatro Municipal de SP e se apresentar com obras do repertório clássico, teve Johnny Franklin como seu primeiro diretor artístico.

Em 1974, sob a direção Antonio Carlos Cardoso, a companhia assumiu o perfil de dança contemporânea, que mantém até hoje. Em todos esses anos, o repertório se definiu com um celeiro de novos vocábulos de dança, inovação de movimento e criação de novas expressões artísticas. Abrigou um corpo de solistas qualificados que com coreógrafos de alta qualidade marcaram uma época. Suas criações se destacam como inéditas e foram apresentadas com grande sucesso na plataforma nacional e internacional.

A bem-sucedida carreira internacional da companhia teve início com a participação na Bienal de Dança de Lyon, França, em 1996. Desde então suas turnês europeias têm sido aclamadas tanto pela crítica especializada quanto pelo público de todos os grandes teatros onde se apresenta.

A longevidade do Balé da Cidade de São Paulo, o rigor e padrão técnico do elenco e equipe artística, atraem os mais importantes coreógrafos brasileiros e internacionais, interessados em criar obras para seus bailarinos e artistas. Atualmente, a companhia tem como diretor artístico o bailarino e coreógrafo Ismael Ivo, que também é fundador, diretor e conselheiro do Festival ImPulsTanz, de Viena.

 

Ismael Ivo

O bailarino e e coreógrafo Ismael Ivo dirigiu, por oito anos, o setor Dança na Bienal de Veneza e foi diretor e chefe de coreografia no Theatro Nacional Alemão. Fundador, diretor e conselheiro artístico do Festival ImPulsTanz, de Viena, foi também diretor e criador do projeto Biblioteca do Corpo. Atuou também como professor convidado da Max Reinhardt Seminar, na Universidade de Música e Artes Performáticas de Viena, e como diretor artístico do Prêmio Roma de Coreografia Contemporânea. No Brasil, é diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo e também exerce a função de Curador Artístico do Projeto Qualificação em Dança, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

 

Artistas convidados

O austríaco Chris Haring trabalhou com coreógrafos e companhias como o DV8 Physical Theater (Londres), Nikolais/Louis Dance Co. (EUA), ManAct (GB), Nigel Charnock (GB), Pilottanzt, entre outras. Desde 2005, é diretor artístico da Liquid Loft.

Coreografou performances como Kind of Heroes, Running Sushi, Talking Head e Perfect Garden Series. Em 2007, a série Posing Project foi criada e o Posing Project B – A Arte da Sedução ganhou o Leão de Ouro de Melhor Performance na Bienal de Veneza. Em 2010, Haring recebeu o Outstanding Artists Award por artes performáticas do Ministério Federal das Artes da Áustria (BMUKK).

Com Liquid Loft, ele foi responsável pela apresentação de abertura do Pavilhão da Áustria na Expo Mundial, em Zaragoza (2008). Recentemente coreografou peças para grupos internacionais como o Jin Xing Dance Theatre (Shanghai), Les Ballets de Monte-Carlo, Dialogue Dance (RU), Staatstheater Kassel, Ballett Moscow and Balletto di Roma.

 

Andreas Berger é um músico e compositor que vive e trabalha em Viena. Estudou Computer Music and Electronic Media na Universidade de Música e Artes Cênicas em Viena e trabalha nas áreas de teatro, cinema e dança contemporânea.

Desde 2001, publicou várias composições, entre outras Music for Field Recordings (2003) e Aerial View of Model (2006). Ele é membro fundador da Liquid Loft e, desde 2005, responsável por concepções de música e som para a companhia de dança. Outras colaborações incluem: Michaela Grill, Mara Mattuschka, Ralo Meyer, WR, Universidade Livre de Manoa, Lars Stigler, Flau e outras.

Recebeu o prêmio de Composição e Performance no Espaço de Som (2010 no Festival de Teatro Kontrapunkt); o prêmio de Melhor Música em Curta-Metragem Internacional (2009, no Festival Internacional de Curta-Metragem de Hamburgo) e o Leão de Ouro de Melhor Performance (com Liquid Loft) na Bienal de Veneza.

 

O coreógrafo Cayetano Soto nasceu na Espanha, em 1975. Iniciou os estudos de dança em Barcelona, no Institut del Teatre, e continuou posteriormente no Koninklijk Conservatório, em Haia, Holanda. Após receber seu diploma em Dança Clássica, Soto assinou o primeiro contrato profissional com IT.Dansa, em Barcelona, antes de ingressar no Ballet Theater Munich, um ano depois, em 1998, sob a direção artística de Philip Taylor. Para a companhia alemã, criou várias peças de sucesso e uma das suas primeiras coreografias: Fugaz.

Em setembro de 2005, tornou-se coreógrafo freelancer. Desde então criou para importantes companhias internacionais, tais como Nederlands Dans Theater, Royal Ballet of Flanders, Balé da Cidade de São Paulo, BJM Montreal, Introdans, Introdans voor de Jeugd, Ballet BC, Gauthier Dance Company, Companhia Nacional de Bailado, Perm Opera and Ballet Theater, Návodní Divadlo Brno, Aspen Santa Fe Ballet, Tanz Luzern Theater, Ballet Hispânico, Gyori Ballet, Ballet X e Northwest Dance Project, em Portland.

Criou para as companhias alemãs Stuttgarter Ballett, Staatstheater Braunschweig, Augsburg Ballett, Ballett im Revier, Staatstheater Nürnberg, Hessisches Staatsballett, Ballett Dortmund. Fascinado pela marca de moda Talbot Runhof, teve a colaboração dos designers em vários projetos: Carmen, para o Dotmund Ballet, Sortijas, para o Ballet Hispânico de Nova York, e um solo no lançamento de coleção na Semana de Moda de Paris.

A competição coreográfica do Royal Ballet of Flanders, Projeto incontrolável, de 2006, concedeu a Soto o primeiro prêmio por sua coreografia 24FPS. Canela Fina, criada para o Balé da Cidade de São Paulo, foi eleita pelos leitores do jornal Folha de São Paulo como a melhor produção de dança do ano de 2008. Em 2011, sua coreografia Uneven foi indicada ao Golden Mask Award, na Rússia. A partir da temporada 2015, Soto assumiu o cargo de coreógrafo residente do Ballet BC, no Canadá.

 

Alessandro Sousa Pereira iniciou sua formação em dança na Escola de Dança Galpão 1, em São Paulo. Dançou com a Companhia de Dança Lina Penteado, em Campinas, e no Balé do Teatro Castro Alves, em Salvador. Na Europa, dançou como solista na Tanz Graz, na Áustria, e com o Bayerisches Staats Ballet, na Alemanha, sob a direção de Philip Taylor.

Recebeu os prêmios de melhor bailarino pela Bayerische Kunstförderpreis, em Munique, na Alemanha, e de melhor intérprete pela Albert Gaubier Foundation, na Dinamarca. Ganhou também os prêmios de primeiro lugar e Prêmio Scapino no Concurso Internacional de Coreógrafos de Hannover e no 10º Concurso Internacional do Prêmio Erik Bruhn, no Canadá, com a coreografia Tradicional, que realizou com os bailarinos do The Royal Danish Ballet.

Coreografou para as companhias Tanz Theater Braunschweig, na Alemanha, Scapino Ballet, na Holanda, Black Box Dance Company, Danish Dance Theatre e The Royal Danish Ballet, na Dinamarca, Ballet Jovem do Palácio das Artes e Balé Cidade de São Paulo. Desde 2007, trabalha como bailarino e coreógrafo para o Danish Dance Theatre, em Copenhague.

 

SERVIÇO:

 

Balé da Cidade de São Paulo

 

6, 7, 11, 12, 13 e 14 de julho, às 20h; e 8 e 15 de julho, às 18h

Theatro Municipal de São Paulo (Praça Ramos de Azevedo, s/n, República – São Paulo. Tel.: 11 3053-2100)

 

Ingressos: de R$ 12 a R$ 80, com meia-entrada para aposentados, pessoas com mais de 60 anos, professores da rede pública e estudantes

 

Duração aproximada: 120 minutos

Sugestão etária: a partir de 14 anos

 

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