Escrito por em 7 jul 2018 nas áreas Música de câmara, Programação, Rio de Janeiro

Um Duo instrumental chega ao Brasil para mostrar o melhor do tango e do chamamé

“Chamamé” é um ritmo tradicional argentino que aparece com uma roupagem mais clássica e bem original. É o Duo Scofano & Minetti que faz a sua primeira turnê no Brasil, com o show Estaciones – Duo Scofano & Minetti. Criado em 2013, quando os músicos se conheceram nos Estados Unidos, local onde vivem até hoje, o argentino Richard Scofano e o uruguaio Alfredo Minetti revelam uma técnica primorosa através da música instrumental. O Duo Scofano & Minetti está para o chamamé, assim como o Piazzolla está para o tango.

Veja entrevista ao final do post.


O Duo

Um argentino e um uruguaio se conhecem em Chicago, em 2013, durante um festival de verão, no famoso Millenium Park, onde os dois participavam tocando seus respectivos instrumentos. Devido à afinidade, resolvem criar um Duo instrumental, com bandoneón e piano. Surgiu então o Duo Scofano&Minetti que apresenta um repertório de tangos argentinos de Piazzolla, além de composições próprias, com ênfase no novo chamamé, um ritmo conhecido no mundo, porém com harmonizações e formas diferentes do estilo tradicional. Embora eles já tenham vindo ao Brasil no ano passado, esta é a primeira turnê dos músicos no país. Eles têm duas personalidades musicais diversas e bem originais, com uma técnica primorosa e interpretações contundentes. O Duo Scofano&Minetti, formado pelo argentino Richard Scofano (bandoneón) e o uruguaio Alfredo Minetti (piano), apresenta uma seleção de tangos argentinos de Piazzolla e composições autorais, com ênfase no novo chamamé, em uma roupagem clássica.

 

PROGRAMA

Richard Scofano
Frenético
Primavera Chamamé

Bizet/Scofano 
Milonga del Destino

Richard Scofano
A Don Valeriano Fernandez
Invierno Chamamé
Otoño Chamamé
Fuga Z
Villa Raquel
Verano Chamamé
Despechado 

Astor Piazzolla
Adiós, Nonino, 1959 

Richard Scofano
Impromptu #1 – (solo de bandoneón)

Richard Scofano
Shin-Urayasu


Richard Scofano (bandoneón)

Richard é filho e neto de bandoneonistas. O pai dele, Ricardo Scofano é um dos nomes de maior expressão na tradição do Chamamé Correntino (de Corrientes, Nordeste Argentino, a região conhecida como o ‘Litoral’). A música sempre foi o ofício da família. Ele cresceu em um ambiente onde o som, o ritmo, o folclore, as tradições e a cultura eram uma coisa só. Como influências musicais, além do pai, Ricardo Scofano, ele destaca: Ernesto Montiel, Alberto Ginastera, Astor Piazzolla, J.S. Bach, F. Chopin, C. Debussy, P. Tchaikovsky, Tom Jobim.

Richard se mudou para os Estados Unidos em 2000, primeiro para Miami, com a família. Pensou em ir primeiro à França, onde seu amigo Nini Flores estava, mas depois de tocar em um evento de música argentina e de travar conhecimento com músicos nos Estados Unidos, se fixou em Miami, local que ficou por alguns anos, antes de mudar-se pra Chicago. Esteve sempre envolvido com projetos de música, produção, arranjos, direção musical, e principalmente, tocando o bandoneón e compondo.


Alfredo Minetti (piano)

Alfredo é neto de italianos e a ópera sempre esteve muito presente em sua casa. Cresceu ouvindo, além da ópera, muita música clássica. Veio para o Brasil aos seis anos de idade. A paixão pela música clássica o levou a estudar piano, mas seu maior interesse sempre foi a comunicação musical. Ele consegue criar uma conexão físico-emocional profunda com seus ouvintes durante a sua performance. Como influências: F. Chopin, Paquera de Jerez, Maria João Pires, Jacques Brel, Elis Regina, Ondine de Mello, Federico Garcia Lorca.

Alfredo se mudou para Bloomington (no estado de Indiana) com sua esposa em 1998 para fazer seu doutorado em Antropologia Cultural (com ênfase no estudo da música). Concluiu seus estudos em 2006 e ficou no país ensinando em universidades e fazendo música (criou vários festivais, organizou concertos, deu palestras, e fundou uma companhia dedicada à performance do tango, além do duo com Scofano).

 

Segue a lista de shows confirmados

  • 12 e 13/07 – Delfino 146 – Florianópolis
  • 18/07 – Corrientes – Argentina
  • 19 ou 20/07 – Teatro Governador Pedro Ivo – Florianópolis (único que falta definir a data)
  • 21/07 – Teatro Alfredo Sigwalt – Joaçaba, SC
  • 26/07 – Biblioteca Pública – Pelotas, RS
  • 27/07 – Teatro Municipal – Rio Grande, RS
  • 28/07 – Santander Cultural – Porto Alegre
  • 29/07 – Centro Cultural 25 de julho – Erechim, RS
  • 03/08 – Teatro Casa da Ópera – Ouro Preto, MG
  • 05/08 – Teatro Municipal – Nova Friburgo, RJ
  • 10/08 – Teatro Municipal Trianon – Campos dos Goytacazes – Participação Especial Orquestra Mariuccia Iacovino
  • 11/08 – Theatro Dom Pedro – Petrópolis, RJ – cancelado. Motivo não informado.
  • 15/08 – Sala Municipal Baden Powell – Rio de Janeiro, RJ
  • 22/08 – Teatro Sesi Paulista – São Paulo – Participação Especial João Carlos Assis Brasil
  • 23/08 – Teatro Sesi – Piracicaba, SP
  • 24/08 – Teatro Sesi – Franca, SP
  • 25/08 – Teatro Sesi – Araraquara, SP

 

Vídeos:

Duo Scofano/Minetti:    https://youtu.be/hO1ofZbnZe4

Identidad (Promo):        http://www.youtube.com/watch?v=T_y_oKfR4c0

This is Tango Now:       http://www.thisistangonow.com/

 


SERVIÇO – Rio de Janeiro

 

Show: Estaciones – Duo Scofano & Minetti

Sala Baden Powell – Copacabana – Av. Nossa Senhora de Copacabana, 360 – Rio de Janeiro)

Dia 15 de agosto, às 20h

Ingressos: na bilheteria do teatro ou no site ticketmais.com.br

Valor: R$50,00 ( inteira) e 25,00 (meia-entrada)

 

Entrevista com o Duo

Como a música entrou na vida de cada um? Quais as influências (de casa e os artistas)?

Eu, Richard, sou filho e neto de bandoneonistas. Meu pai, Ricardo Scofano, é um dos nomes de maior expressão na tradição do Chamamé Correntino (de Corrientes, Nordeste Argentino, a região conhecida como o ‘Litoral’). Sendo a música o métier da família, cresci num ambiente onde o som, o ritmo, o folclore, as tradições, e a cultura eram uma coisa só. (Influências, fora meu pai, Ricardo Scofano, foram Ernesto Montiel, Alberto Ginastera, Astor Piazzolla, J.S. Bach, F. Chopin, C. Debussy, P. Tchaikovsky, Tom Jobim).

O Alfredo é neto de italianos e a ópera sempre esteve muito presente em sua casa. Cresceu ouvindo ópera e música clássica e ao se mudar para o Brasil (com seis anos) viu-se no seio de uma das culturas mais musicais do planeta…a paixão pela música clássica o levou ao estudo piano, mas seu maior interesse sempre recaiu no ato de comunicação musical e na habilidade que alguns poucos artistas têm de criar uma conexão físico-emocional profunda consigo mesmos e com seus ouvintes durante a performance. (Influências: F. Chopin, Paquera de Jerez, Maria João Pires, Jacques Brel, Elis Regina, Ondine de Mello, Federico Garcia Lorca).

Como chegaram aos EUA?

O Alfredo se mudou para Bloomington (no estado de Indiana) com sua esposa em 1998, para fazer seu doutorado em Antropologia Cultural (com ênfase no estudo da música). Concluiu seus estudos em 2006 e ficou no país ensinando em universidades e fazendo música (criou vários festivais, organizou concertos, deu palestras, e fundou uma companhia dedicada à performance do tango, além do duo comigo).

Eu me mudei para os Estados Unidos em 2000, primeiro para Miami, também com a família. Pensei em ir primeiro à França onde meu amigo Nini Flores estava, mas depois de tocar em um evento de música argentina e de travar conhecimento com músicos nos Estados Unidos, acabei por me fixar em Miami onde fiquei por alguns anos, antes de me mudar para Chicago. Estive sempre envolvido com projetos de música, produção, arranjos, direção musical, e principalmente tocando o bandoneón e compondo.

Como vocês se conheceram?

Nos conhecemos em Chicago, em 2013, tocando num festival de verão no famoso Millenium Park…

Quando formaram o Duo?

Pensamos em formar o duo numa turnê com a companhia do Alfredo pela China em 2014/15. Eu fui como bandoneonista do grupo e esta viagem de dois meses e quase quarenta performances deu a chance para nos conhecermos, tanto em termos de personalidade como musicalmente…voltamos do tour já com a ideia de fazer algo. Começamos a trabalhar no repertório assim que chegamos e o duo apresentou seu primeiro concerto em meados de 2015.

Qual era a proposta inicial?

A nossa proposta se baseia em duas coisas: na originalidade do material (ou autoral ou arranjado por nós, de acordo com a nossa estética e estilo) e na primazia de performances comunicativas. Enquanto músicos, sabemos da importância do quesito “entretenimento” quando nos apresentamos, mas este não pode ser a prioridade, é muito importante, mas vem depois do nosso compromisso com uma performance que comunique uma gama grande e profunda de sentimentos e emoções. O material autoral é de especial interesse já que cada um de nós sintetiza culturas e experiências musicais distintas e de uma forma muito particular.

Eu, crescido no âmago da cultura do Chamamé, tenho interesse em desenvolver o gênero que o define e lhe dá identidade a partir de meu gosto pela música clássica de câmara e sinfônica. No contexto do duo, tento expandir as possibilidades do chamamé através de uma roupagem clássica (com harmonizações e formas diferentes das encontradas no chamamé tradicional). Na música sinfônica, meu concerto Iberá (para bandoneón e orquestra) será apresentado pela primeira vez no Brasil, ele desenha paisagens sonoras no melhor estilo de música programática. O concerto é um tributo ao Iberá, suas paisagens, suas águas, seus rios, e sua gente.

 

Vocês fazem o chamamé e uma mistura entre música clássica, popular e folclórica. Qual é a maior característica do Duo?

A classificação do que fazemos não nos preocupa tanto…o mundo é muito complexo e a gente acredita que a época das taxonomias culturais estáticas, já passou…a gente gosta e se influencia por muita coisa e não tem medo de mostrar isso em nosso trabalho…a maior característica tem que estar na originalidade das composições e na nossa força interpretativa.

O que as pessoas gostam de ouvir mais?

Depende de onde tocamos…aqui no Brasi,l as pessoas tendem a gostar muito de tango, e gostam quando tocamos algo de Astor Piazzolla, por exemplo.

Qual é a proposta desta turnê?

Estabelecer uma conexão mais profunda com as plateias nas diferentes cidades onde vamos estar, mostrando um trabalho com uma base muito sólida que visa inspirar e emocionar os ouvintes.

Como é viver nos EUA?

Muita saudade…

Vocês estão vendo um Brasil meio largado….a música pode ser um bom remédio pra tanta crise?

O mundo todo está na mesma situação. Somos da opinião de que a arte, especialmente a performática, tem o potencial de conectar uma pessoa com seu oceano interior, do mesmo modo que nos emocionamos sobremaneira ao contemplar a imensidão do mar, ou das estrelas, e nos sentimos pequenos, porém conectados. A arte funciona de forma inversa, pois esse sentido de imensidão vem de dentro de nós, não de fora. A boa música pode ser e é um remédio pra alma, pro espírito, pra saúde emocional das pessoas. Mas ela tem que ser “consumida” com este objetivo, ou seja, a atitude, a educação e a necessidade do ouvinte têm que ser nutridas. O ouvir (ou tocar) música como mero entretenimento faz com que a gente não sintetize os “nutrientes” que podem ajudar a nossa saúde emocional.

 

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