Escrito por em 20 jul 2018 nas áreas Musical, Programação, Rio de Janeiro

Izabella Bicalho vive Elizeth Cardoso em musical no Rio de Janeiro.

 

“Sempre fui preocupada por ser rotulada como cantora de classe A. Prefiro ser um abecedário inteiro”, disse Elizeth Cardoso (1920-1990). Conhecida como A Divina, a cantora tem os momentos mais marcantes de sua vida – os grandes encontros, as paixões, os shows memoráveis – retratados no espetáculo Elizeth, a Divina, em cartaz no Teatro Maison de France, no Rio de Janeiro.

Izabella Bicalho vive a cantora, acompanhada por Cilene Guedes, Jefferson Almeida, Dennis Pinheiro e os músicos Ciro Magnani (piano), David Nascimento (violão e contrabaixo) e André Vercelino (bateria e percussão). A direção é de Sueli Guerra, a direção musical de Tony Lucchesi e a supervisão de João Fonseca. A dramaturgia é de Cora Carvalho.

O musical apresenta, não necessariamente em ordem cronológica, momentos marcantes da vida de Elizeth e sua força poética através da música, do humor e da elegância, marcas registradas de sua personalidade. Momentos como a gravação de Canção de Amor, seu primeiro sucesso em disco de 78 RPM, em 1950, o inesquecível show de 1968 no Teatro João Caetano com o Zimbo Trio, Jacob do Bandolim e o conjunto Época de Ouro, sua profunda amizade com Hermínio Bello de Carvalho, seus romances, suas turnês pelo mundo. Como pano de fundo, o panorama histórico de sete décadas é conduzido pelo vasto e conhecido repertório de Elizeth.

Inspirado no livro biográfico da artista, Elizete Cardoso, uma Vida, de Sérgio Cabral, o texto de Cora Carvalho é fruto também da profunda pesquisa ao acervo da cantora, adquirido pelo Instituto Moreira Salles em 2003, de depoimentos de amigos próximos, como Hermínio Bello de Carvalho, e do neto Paulo César, que conviveu intensamente com a cantora – da infância até os 15 anos, quando, em seus braços, Elizeth deu o último suspiro.

“Elizeth foi uma grande mulher à frente do seu tempo. Uma guerreira do amor, uma mulher empoderada quando ainda nem sonhávamos em falar disso. Mergulhar no seu universo é penetrar no melhor da música brasileira. Ary Barroso, Vinicius de Moraes, Chico Buarque e muitos outros compositores dedicaram suas composições à cantora. Uma mulher que por mais de quatro décadas se manteve em sintonia com os movimentos artísticos se atualizando sempre e se reinventando como artista!”, exalta Izabella Bicalho.

A diretora Sueli Guerra completa: “Acredito na relevância de levar ao público a história das grandes divas da música popular brasileira, muitas vezes esquecidas. A história delas traça o contorno da evolução da nossa representatividade e da voz feminina na música. Elizeth, em particular, foi à frente de seu tempo – na música e na vida. Foi independente e inovadora. Foi a primeira cantora popular a pisar o palco do Municipal, mas também subiu o morro para valorizar os jovens compositores de então. Elizeth tocou o coração de Vinícius, marcou Paulinho da Viola, conquistou Ary Barroso, encantou Maysa… E amou muito, sempre.”

 

Montagem

Izabella Bicalho vive Elizeth, enquanto Cilene Guedes, Jefferson Almeida e Dennis Pinheiro se revezam entre os personagens marcantes da carreira e da vida pessoal da cantora – namorados, compositores, amigos pessoais e familiares que atravessaram sua vida até o final.

A música ao vivo é executada por Ciro Magnani (piano), David Nascimento (violão e contrabaixo) e André Vercelino (bateria e percussão).

O cenário de Nello Marrese procura trazer à cena o glamour de que tanto Elizeth gostava, e a atmosfera romântica de suas canções – o dourado e o vermelho predominam na cena.

 

Artistas

A atriz e cantora Izabella Bicalho começou na TV aos 4 anos, em programas da Rede Globo. Participou da novela Água Viva, viveu Narizinho no Sítio do Pica-Pau Amarelo e a viúva Porcina quando jovem em Roque Santeiro. Mais recentemente atuou nos remakes das novelas Tititi e Gabriela, e integrou o elenco de Sangue Bom.

Aos 12 anos, estreou no teatro, onde sua carreira se firmou também como produtora. Nos musicais destacou-se em Band-Age, de Miguel Paiva e Zé Rodrix, e em Somos Irmãs, de Sandra Louzada, com direção de Ney Matogrosso e Cininha de Paula, vencedor de 5 prêmios Shell no Rio e em São Paulo. Atuou em South American Way, sobre a vida de Carmen Miranda; na ópera Carmen, adaptada por Augusto Boal; e em Império, de Miguel Falabella e Josimar Carneiro.

Em 2007, idealizou e produziu o musical Gota d’Água, com releitura do diretor João Fonseca. Ganhou os prêmios APTR, Contigo e Qualidade Brasil, além de ser indicada ao Prêmio Shell de melhor atriz. A temporada da peça durou dois anos, com uma turnê em Portugal, considerada um sucesso de público e de crítica.

A partir de 2010, atuou nos espetáculos Era no Tempo do Rei, baseado na obra de Ruy Castro e dirigido por João Fonseca; O Matador de Santas, de Jô Bilac; Tim Maia – Vale Tudo; Bilac Vê Estrelas; Sambra, além de outros trabalhos.

 

Sueli Guerra é diretora, coreógrafa, bailarina e atriz. Coreografou filmes como Madame Satã e Chatô, e programas de TV como Aquarela do Brasil. Integrou a Cia. de Teatro Aberto, na qual dirigiu O Crime do Professor de Matemática e A Guerra Conjugal, com Leonardo Netto. Tem em seu histórico musicais como Bilac Vê Estrelas; O Beijo no Asfalto; Tim Maia – Vale Tudo, Oui Oui, a França é Aqui; Era no Tempo do Rei – todos com direção de João Fonseca; além de Billie Holiday – Amargo Fruto; Rádio Nacional; Os Saltimbancos, entre outros.

Izabella Bicalho e o elenco de “Elizeth, a Divina”

 

Repertório do espetáculo (em ordem alfabética)

Apelo (Vinicius de Moraes e Baden Powell)
As Praias Desertas (Tom Jobim)
Barracão de Zinco (Luiz Antonio e Oldemar Magalhães)
Camarim (Cartola e Hermínio Bello de Carvalho)
Canção da Volta (Antonio Maria e Ismael Neto)
Canção de Amor (Elano de Paula e Chocolate)
Canção do Amor Demais (Vinicius de Moraes e Tom Jobim)
Carinhoso (Pixinguinha)
Chão de Estrelas (Orestes Barbosa e Silvio Caldas)
Cidade Vazia (Baden Powell)
É Luxo Só (Ary Barroso)
Feitiço da Vila (Noel Rosa)
Ingênuo (Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho)
Isso Aqui É o Que É (Ary Barroso)
Jamais (Jacob do Bandolim)
Leva Meu Samba (Ataulfo Alves)
Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá e Antonio Maria)
Meiga Presença (Otavio de Moraes e Paulo Valdez)
Mulata Assanhada (Ataulfo Alves)
Naquela Mesa (Sergio Bittencourt)
Nossos Momentos (Luiz Reis e Haroldo Barbosa)
Olhos Verdes (Vicente Paiva)
Serenata do Adeus (Vinicius de Moraes)
Todo Sentimento (Chico Buarque e Cristovão Bastos)

 

Ficha técnica

Idealização: Izabella Bicalho
Dramaturgia: Cora Carvalho
Direção: Sueli Guerra
Direção musical: Tony Lucchesi
Elenco: Izabella Bicalho, Cilene Guedes, Jefferson Almeida e Dennis Pinheiro
Músicos: Ciro Magnani (piano), David Nascimento (violão e contrabaixo) e André Vercelino (bateria e percussão)
Cenário: Nello Marrese
Figurino: Reinaldo Elias
Iluminação: Paulo Cesar Medeiros
Produção executiva: Luiza Toré
Direção de produção: Amanda Menezes
Coordenação de produção: Maria Angela Menezes
Coprodução: Aventura Entretenimento
Realização: Tema Eventos Culturais

 

Fotos: Aline Macedo

 

SERVIÇO:

 

“Elizeth, a divina”

 

Com Izabella Bicalho, Cilene Guedes, Jefferson Almeida e Dennis Pinheiro

Sueli Guerra, direção

 

Até 23 de agosto, às quartas-feiras, às 17h, e quintas-feiras, às 19h (excepcionalmente nos dias 1 e 2 de agosto não haverá espetáculo, devido a compromissos do teatro previamente agendados)

Teatro Maison de France (Av. Presidente Antônio Carlos, 58, Centro – Rio de Janeiro. Tel.: 21 2544-2533)

 

Ingressos: R$ 50, com meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 60 anos

 

Capacidade: 355 espectadores

Duração aproximada: 1h40

Sugestão etária: livre para todos os públicos

 

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