Escrito por em 30 jul 2018 nas áreas Minas Gerais, Música sinfônica, Programação

Pianista e orquestra juntam-se à celebração mundial pelo centenário de Leonard Bernstein.

 

Dando continuidade ao Festival Bernstein, que celebra os 100 anos de nascimento do compositor e regente norte-americano, um dos grandes nomes do século 20, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, nos dias 2 e 3 de agosto, às 20h30, na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, dedica-se à música escrita por Bernstein para o teatro, o cinema e a sala de concertos.

No programa, a Abertura da opereta Candide; a Suíte Sinfônica do tema musical do filme On the Waterfront (chamado no Brasil de Sindicato de Ladrões) e a Sinfonia n. 2 – A Era da Ansiedade, que será interpretada pelo pianista brasileiro Ronaldo Rolim. A regência é do maestro Fabio Mechetti.

Na série de palestras sobre obras, compositores e solistas, promovidas pela Filarmônica antes das apresentações, entre 19h30 e 20h, o convidado das duas noites será o percussionista da Filarmônica de Minas Gerais e curador dos Concertos Comentados, Werner Silveira. As palestras são gravadas em áudio e ficam disponíveis no site da Orquestra.

 

REPERTÓRIO

Leonard Bernstein (1918-1990)

Judeu norte-americano nascido no estado de Massachusetts, mas nova-iorquino de coração, dotado de fina instrução musical e humanista, pianista excelente e aclamado unanimemente por todo o mundo como regente. Esse é Leonard Bernstein, que fez de sua arte e de sua vida uma atitude política: a de assumir e de abraçar sem reservas a liberdade, como homem, como cidadão, como musicista e como compositor. É, portanto, dessa forma que se deve observar sua obra: sem a interferência dos preconceitos que ela mesma combateu, caminho sintético de trilhas possíveis que as próprias tendências musicais do século 20 ajudaram a desbravar.

Candide: Abertura
Baseada na novela homônima de Voltaire, a opereta Candide segue a trilha aberta por Gershwin, que transita à vontade entre o jazz, a música sinfônica e a música de cinema e dos espetáculos teatrais. Sua estreia ocorreu na Broadway em 1956, mas sofreu várias alterações depois disso. A Abertura, porém, desde que foi executada como obra de concerto pela Filarmônica de Nova York em 1957, revelou-se autônoma o suficiente para ser incorporada ao repertório sinfônico, tornando-se, desde então, uma das peças mais conhecidas e apreciadas de Bernstein.

On the Waterfront: Suíte Sinfônica
A versatilidade de Bernstein permitiu-lhe circular entre os diversos universos em que a música é requisitada e necessária, e ele nunca se ateve exclusivamente a nenhum deles. Assim é que, em 1954, ele compôs uma das trilhas sonoras mais impressionantes da história de Hollywood: a música de On the Waterfront (filme lançado no Brasil com o título de Sindicato de Ladrões), dirigido por Elia Kazan e estrelado por Marlon Brando. Em 1955, Bernstein adaptou a trilha em uma suíte sinfônica, contínua, cujos episódios remetem a cenas do filme. Mas não é preciso conhecê-lo para que se compreenda a obra: ela se sustenta sozinha, apesar de ser, inclusive nas contradições, um retrato de Nova York, cidade que o compositor adotou como sua. Nesse processo de reelaboração, Bernstein logra deslocar a funcionalidade original da trilha sonora para um lugar de autonomia. O resultado disso, consciente ou não, é que ele acaba por tangenciar o poema sinfônico, reinventando-o com uma modernidade surpreendente, baseando seu mote no cinema.

Sinfonia n. 2 – A Era da Ansiedade
The Age of Anxiety [A Era da Ansiedade], cujo título é o mesmo do longo poema de W. H. Auden, é uma obra ímpar de Bernstein, não apenas por ser inusitadamente uma sinfonia para piano e orquestra. Sinfonia, aqui, não se remete, senão longinquamente, ao modelo clássico. Ademais, nela, o compositor revela o pianista excelente que era e o profundo conhecimento idiomático que tinha tanto do piano como da orquestra sinfônica. Bernstein a escreveu entre 1948 e 1949, mas, insatisfeito com o final, revisou-a em 1965. A estreia se deu em 1949, pela Sinfônica de Boston, sob a batuta de Serge Koussevitzky, tendo o compositor como solista. Seus movimentos têm, cada um, o nome de uma das seções do poema de Auden, sendo que o segundo e terceiro são compostos de uma série de 14 variações sobre o tema proposto no primeiro. A despeito disso, quaisquer associações com a obra de Auden são desnecessárias. O poema é claramente uma motivação, não um roteiro. Mas a música de Bernstein demonstra o quão ele era comprometido com seu próprio tempo e, nele, com as vicissitudes humanas.

 

SOLISTA

Ronaldo Rolim vem se estabelecendo como um dos principais nomes da nova geração de pianistas brasileiros. Como solista convidado, apresentou-se frente a diversas orquestras brasileiras e internacionais, como as Sinfônicas da Capela de São Petersburgo, de Phoenix e a Brasileira, a Tonhalle, a Musikkollegium Winterthur e as Filarmônicas de Liverpool e Minas Gerais. Um ávido camerista, Rolim é membro fundador do Trio Appassionata, ao lado da violinista Lydia Chernicoff e da violoncelista Andrea Casarrubios. Aos 18 anos, após vencer os concursos Nelson Freire e Magda Tagliaferro, mudou-se para os EUA, onde concluiu os estudos. Recentemente, Rolim defendeu sua tese de doutorado na Universidade de Yale, baseada nas obras programáticas de Karol Szymanowski e cujo conteúdo será tema de um projeto fonográfico previsto para 2018.

 

Foto: Ryan Brandenberg

 

SERVIÇO:

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Ronaldo Rolim, piano

Fabio Mechetti, regência

 

2 e 3 de agosto, quinta e sexta-feira, às 20h30

Sala Minas Gerais (R. Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto – Belo Horizonte. Tel.: 31 3219-9000)

 

Ingressos: R$ 116 (balcão principal), R$ 92 (plateia central), R$ 68 (balcão lateral), R$ 50 (balcão palco e mezanino) e R$ 44 (coro – setor comercializados somente após a venda dos demais setores), com meia-entrada para estudantes, pessoas com mais de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação

 

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