Escrito por em 7 ago 2018 nas áreas Ópera, Programação, São Paulo

Theatro São Pedro apresenta ópera de Janáček pela primeira vez no Brasil.

 

Estreia no dia 17 de agosto a terceira montagem lírica de 2018 do Theatro São Pedro, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo sob a gestão da Santa Marcelina Cultura. Com o objetivo de ampliar o repertório de ópera no Brasil com títulos pouco apresentados, desta vez a obra escolhida é a moderna Kátia Kabanová, de Leoš Janáček (1854-1928), tido como um importante representante da história da música do século 20, que em 2018 completa 90 anos de morte. A ópera tem récitas ainda nos dias 19, 22, 24 e 26 de agosto.

Inédita no Brasil, Kátia Kabanová é a maior ópera de um compositor ainda pouco executado por aqui, mas que tem seu lugar assegurado como um dos principais compositores do século 20. Com direção cênica e concepção de figurinos de André Heller-Lopes, cenografia de Renato Theobaldo e iluminação de Fábio Retti, a montagem tem direção musical do norte-americano Ira Levin, que comanda a Orquestra do Theatro São Pedro e um coro de 21 vozes formado especialmente para a produção.

Ao todo são dez cantores no elenco: as sopranos Gabriella Pace (Katerina), Claudia Riccitelli (Marfa Ignatevna Kabanova, Kabanicha) e Tati Helene (Glaša), as mezzos Luisa Francesconi (Varvara), Ana Meirelles (Glasa) e Fernanda Nagashima (Feklusa), os tenores Eric Herrero (Boris Grigorjevic Dikoj), Juremir Vieira (Tichon Ivanyc Kabanov) e Giovanni Tristacci (Vania Kudrjas), o baixo Savio Sperandio (Savël Prokofjevic Dikoj) e o barítono Vinicius Atique (Kuligin).

Considerada a obra-prima de Janáček, a ópera – que estreou na cidade de Brno, em 23 de novembro de 1921 – conta a história da jovem independente Kátia, oprimida pelas convenções hipócritas da classe média personificadas em sua sórdida sogra. Com libreto do próprio compositor, a ópera em três atos é baseada na peça teatral A Tempestade, do escritor e dramaturgo russo Aleksandr Ostrovsky, traduzida para o tcheco por Vincenc Červinka, e foi inspirada no grande amor do compositor, Kamila Stösslová, uma mulher casada e cerca de quarenta anos mais jovem.

A ópera possui uma linguagem extremamente lírica, profundamente ligada às grandes frases melódicas do século 19, mas com uma maturidade de escrita musical muito característica do século 20.

 

Trama

A trama se desenrola na cidade russa de Kalinov, à beira do rio Volga, e gira em torno de Katerine (Kátia), uma mulher casada dividida entre o dever social e o amor sensual.

Quando Janáček a compôs, ele também se via dividido entre seu decoro como homem casado, e uma paixão fulminante e platônica por outra mulher, também casada. Kátia é o grande centro da ópera. A cunhada Varvara é seu lado mais sensual, mais menina, entregue à paixão por Kudrjas, um jovem apaixonado pela vida. Kabanicha, a sogra malévola, feroz, ciumenta e dominadora. Boris é seu amor romântico, idealizado, o proibido, impossível. O marido Tichon é alguém por quem ela teve um amor, mas é um fraco diante da mãe e incapaz de oferecer à jovem esposa a alegria de viver – aquilo que ela, de forma inconsciente, realmente deseja.

Em primeiro plano, Gabriella Pace (Katerina) com Eric Herrero (Boris Grigorjevic Dikoj) e, ao fundo, Luisa Francesconi (Varvara) e Giovanni Tristacci (Vania Kudrias)

 

Montagem

A montagem brasileira de Kátia Kabanová se passa em um período pouco à frente de quando a obra foi composta (1921), mais precisamente nos anos 1940. Uma época marcada por guerras e de transição político-econômica responsável pelo surgimento de uma nova ordem mundial, que passou a questionar a estrutura social.

A produção do Theatro São Pedro será cantada no idioma original com legenda em português. O libreto foi traduzido pelo jornalista, escritor e pesquisador Irineu Franco Perpetuo.

A cenografia de Renato Theobaldo traz uma mistura de realismo com fantasia, que vai se transformando durante a ópera. André Heller-Lopes, que assina a direção cênica e a concepção de figurinos, já dirigiu óperas nos principais teatros do Brasil e exterior, incluindo em Salzburgo, na Áustria, quando em 2010 apresentou Tosca, de Giacomo Puccini, no Kleinesfestpielhaus. Em maio deste ano, esteve na Polônia dirigindo La Finta Giardiniera, uma ópera pouco executada de Mozart.

Ira Levin é mundialmente aclamado pela sua versatilidade musical, já regeu centenas de concertos e montagens líricas, e retorna ao Brasil depois de comandar com sucesso Pulcinella/Arlecchino no ano passado. Atualmente, ocupa posto na Ópera de Sófia, na Bulgária, além de atuar como regente convidado em todo o mundo.

 

Centenário da República Tcheca

Em 2018, comemora-se o centenário da independência da República da Tchecoslováquia, criada em 1918 em meio ao colapso do Império Austro-Húngaro, na Primeira Guerra Mundial. Mais tarde, em 1993, a Tchecoslováquia se dividiu, de forma pacífica, em dois países: a República Eslovaca e a República Tcheca. Para comemorar a data, o Consulado Geral da República Tcheca em São Paulo apoia a presente produção de Kátia Kabanová. Além do suporte técnico – como a vinda de uma profissional que trabalhou com os cantores a pronúncia do idioma tcheco –, o Consulado realiza, durante a temporada da ópera, uma exposição sobre Leoš Janáček e os 100 Anos da Formação da Tchecoslováquia , no interior do Theatro São Pedro.

 

FICHA TÉCNICA

Orquestra do Theatro São Pedro e Academia de Ópera do Theatro São Pedro
Ira Levin | direção musical
André Heller-Lopes | direção cênica e concepção de figurinos
Renato Theobaldo | cenografia
Fábio Retti | iluminação

ELENCO

Gabriella Pace, soprano | Katerina
Eric Herrero, tenor | Boris Grigorjevic Dikoj
Luisa Francesconi, mezzo-soprano | Varvara
Juremir Vieira, tenor | Tickhone Ivanyc Kabanov
Claudia Riccitelli, soprano | Marfa Ignatevna Kabanova
Savio Sperandio, baixo | Savël Prokofjevic Dikoj
Giovanni Tristacci, tenor | Vania Kudrias
Tati Helene, soprano | Glaša
Fernanda Nagashima, mezzo-soprano | Feklusa
Vinicius Atique, barítono | Kuligin, barítono

 

Foto: Heloisa Bortz

 

SERVIÇO:

 

“Kátia Kabanová”, ópera em três atos de L. Janáček

 

André Heller-Lopes, direção cênica

Ira Levin, direção musical

 

17, 22 e 24 de agosto, às 20h; 19 e 26 de agosto, às 17h

Theatro São Pedro (R. Barra Funda, 161, Barra Funda – São Paulo. Tel.: 11 3661-6600)

 

Ingressos: R$ 80 (plateia), R$ 50 (1º balcão) e R$ 30 (2º balcão), com meia-entrada para estudantes, pessoas com mais de 60 anos e professores da rede pública estadual, devidamente identificados

 

Capacidade: 636 lugares

Acessibilidade: sim

 

Duração aproximada: 135 minutos, mais um intervalo de 20 minutos

Recomendada para maiores de 14 anos

 

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