Escrito por em 8 ago 2018 nas áreas Minas Gerais, Música sinfônica, Programação

Festival Bernstein chega ao final com Filarmônica de MG e violinista Rachel Barton Pine.

 

Os concertos dos dias 9 e 10 de agosto, às 20h30, na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, com a participação da violinista norte-americana Rachel Barton Pine, encerram o Festival Leonard Bernstein da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. No repertório, a obra Serenata, concerto para violino inspirado no livro Banquete, de Platão. Da Antiguidade clássica, o programa vai a duas obras consagradas na Broadway – o balé Fancy Free e o musical, depois filme, West Side Story, que leva a história de Romeu e Julieta às ruas de Nova York. A regência é do maestro Fabio Mechetti.

Na série de palestras sobre obras, compositores e solistas, promovidas pela Filarmônica antes das apresentações, entre 19h30 e 20h, o convidado das duas noites será Arildo de Barros, ator do Grupo Galpão desde 1994. As palestras são gravadas em áudio e ficam disponíveis no site da Orquestra.

 

Rachel Barton Pine

Intérprete proeminente de grandes obras-primas clássicas, a violinista Rachel Barton Pine é internacionalmente conhecida por sua técnica brilhante e sinceridade emocional. Apareceu como solista com muitas orquestras prestigiadas, incluindo a Sinfônica de Chicago, a Orquestra da Filadélfia, a Filarmônica Real e a Radio Kamer Filharmonie, da Holanda. Entre os regentes com quem colaborou estão Charles Dutoit, Zubin Mehta, Erich Leinsdorf, Neeme Järvi e Neville Marriner.

Rachel tem uma prolífica discografia de mais de 35 discos, tendo alguns deles figurado no topo da classificação da Billboard Classical. Venceu vários dos principais prêmios mundiais, incluindo uma medalha de ouro na Competição Internacional Johann Sebastian Bach, em 1992. Mantém a Rachel Barton Pine Foundation, que realiza projetos de incentivo à carreira de jovens músicos. Toca em um Guarnerius del Gesu, fabricado em Cremona, em 1742, violino também conhecido como “ex-Soldat”, recebido como empréstimo vitalício por generosidade de patrono anônimo.

 

REPERTÓRIO:

Leonard Bernstein (1918-1990)

Serenata (1954)
A Serenata é um concerto para violino inspirado no Banquete, de Platão. Nesse livro, o pensador grego descreve um diálogo de diferentes personagens sobre o tema do amor, no qual cada um fala de uma perspectiva diferente. Os cinco movimentos da obra refletem, em seu andamento e caráter, a carga emocional presente na argumentação dos diversos discursos apresentados no debate. A peça também atesta o estilo eclético de Bernstein, um dos mais importantes regentes e compositores norte-americanos do século passado, cuja música combina características de gêneros mais populares e de linguagens sinfônicas contemporâneas. Na Serenata, é possível perceber, em diferentes momentos, influências de Stravinsky, Mahler e do jazz, entre outros autores e estilos.

Fancy Free: Suíte (1944)
O balé Fancy Free estreou em 1944, no Metropolitan de Nova York, tendo o próprio compositor à frente da orquestra. Foi o primeiro trabalho de uma longa parceria com o coreógrafo Jerome Robbins, que culminou no enorme sucesso de West Side Story. Ele se tornou a fonte para On The Town, outro musical da Broadway, apresentado pela primeira vez em 1944 e transformado em filme em 1949 (lançado no Brasil com o título de Marujos do Amor), dirigido por George Sidney e estrelado por Gene Kelly e Frank Sinatra. Volta, em Fancy Free, o Bernstein do jazz, no qual se mistura um quê de Stravinsky, de Kurt Weill, da música cubana e na qual se ouvem reminiscências do Concerto em sol, de Ravel. Com o perdão do paradoxo, o compositor parece adotar, diante das suas fontes, uma reverente ironia. Por isso, fontes à parte, é inequivocamente a Bernstein que se ouve, sem preconceitos, jocoso, criativo e infinitamente atemporal.

West Side Story: Danças Sinfônicas (1957)
West Side Story estreou em 1957 e, desde então, muitas de suas canções são de amplo conhecimento de todo o público. Composto na mesma época que a opereta Candide, o musical é representativo de uma das principais tendências do trabalho de Bernstein: o trânsito fácil entre os meios de comunicação de massa, o teatro, o cinema e a música popular, em uma linha semelhante àquela inaugurada por seu compatriota George Gershwin. A obra como um todo representa um marco no teatro musical norte-americano, não só pela associação aberta do jazz ao antigo modelo da Broadway, mas pela adoção de artifícios musicais que são dignos da mais autêntica tradição operística, como o uso intrincado de conjuntos vocais e o artifício wagneriano dos leitmotivs. Em West Side Story, a música de dança, mesmo em seu contexto de palco, tem caráter sinfônico. Por isso mesmo, essas danças também ganharam relativa autonomia, constituindo um todo orgânico, contido em si mesmo, ainda que desvinculadas de seu contexto original da ação de palco. É uma das obras mais celebradas e importantes do repertório de Bernstein, que simboliza bem a esteira de liberdade que norteou a expressão artística e musical estadunidense durante todo o século 20.

 

Foto: Lisa-Marie Azzucco

 

SERVIÇO:

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Rachel Barton Pine, violino

Fabio Mechetti, regência

 

9 e 10 de agosto, quinta e sexta-feira, às 20h30

Sala Minas Gerais (R. Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto – Belo Horizonte. Tel.: 31 3219-9000)

 

Ingressos: R$ 116 (balcão principal), R$ 92 (plateia central), R$ 68 (balcão lateral), R$ 50 (balcão palco e mezanino) e R$ 44 (coro – setor comercializados somente após a venda dos demais setores), com meia-entrada para estudantes, pessoas com mais de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação

 

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