Escrito por em 26 ago 2018 nas áreas Musical, Programação, São Paulo

Musical apresenta a história da dançarina, cantora, atriz e ativista, com direção de Otavio Müller.

 

A história de Freda Josephine McDonald chega ao Teatro do Sesc 24 de Maio, em São Paulo, no musical Josephine Baker, a Vênus Negra, que faz temporada de 31 de agosto a 16 de setembro, com sessões de quinta a domingo. Com texto de Walter Daguerre e direção de Otávio Müller, o musical reconta a trajetória de vida de Josephine Baker, interpretada por Aline Deluna, acompanhada pelo trio de jazz Dany Roland, Christiano Sauer e Jonathan Ferr.

Pela primeira vez em São Paulo, Josephine Baker, a Vênus Negra, já foi indicado na 30ª edição do Prêmio Shell (atriz, autor e figurino), Prêmio Cesgranrio de 2017 (atriz em musical e direção musical) e 6º Prêmio Botequim Cultural (autor e atriz).

O palco despido de artefatos cênicos dá lugar a forma espontânea da interpretação de Aline, que realiza um jogral direto com o público, em alguns momentos com sua delicadeza, em outros de forma mais enérgica, da sensualidade a comicidade, tal como Baker.

Segundo Daguerre, Aline é sua musa inspiradora, uma atriz “flexível e disponível ao jogo do teatro”, ponto fundamental para o processo de criação do espetáculo – “construído como conceito, dramaturgia e cena ao longo dos ensaios”.

Ainda segundo o autor, “estamos contando a história de uma das mulheres mais influentes do século 20. Para se ter uma ideia, ela foi condecorada pelo General de Gaulle pela sua atuação ao lado da Resistência Francesa contra a ocupação nazista. Mas a forma como estamos narrando sua trajetória é completamente singular, passando, em primeiro lugar, pelo filtro da nossa atriz. Tanto é assim que Aline está em cena acompanhada apenas por um trio de jazz”.

 

Biografia

De St. Louis, “La Baker”, mulher ativista e artista negra do século 20, foi a primeira a subir nos palcos norte-americanos e na França, desbancando o mundo, em um período marcado pelos movimentos e políticas de segregação racial e entre guerras.

Em vida, foi uma mulher libertária, lutou junto ao movimento pelos direitos civis, nos Estados Unidos e na Resistência Francesa, na 2ª Guerra Mundial, condecorada com a Croix de Guerre – Cruz de Guerra/Cavaleira da Legião de Honra – Chevalier da Légion d´Honneur, pelo General Charles de Gaulle.

Aos 15 anos de idade, após viver nas ruas e com sua arte, recebeu o primeiro pedido para um espetáculo vaudeville – gênero de teatro de variedades popular nos Estados Unidos e Canadá de 1880 a 1930. Em Nova York, pouco tempo depois, esteve junto ao movimento negro do Renascimento do Harlem, se apresentando, também, como corista nos teatros de revista da Broadway.

Porém, foi em 1925, em estreia no Théâtre des Champs Elysées que obteve visibilidade e sucesso, representando uma nova estética aos teatros europeus seja por ser negra, pelo erotismo e pela forma única de interpretação.

Entre a arte e a guerra, Josephine transformou-se em “correspondente honorável”, transportando informações importantes para a Resistência na Europa. Ajudou muitas pessoas, soldados e fugitivos de guerra quando houve a invasão nazista na França, além de adotar 12 órfãos.

Com seu uniforme da França Livre e condecoração honrosa, em 1963, discursou na Marcha a Washington. De volta aos Estados Unidos, a realidade ainda era diferente da europeia, com plateias unicamente de brancos, para as quais recusava-se a se apresentar. Porém, foi com sua persistência sobre as questões étnicas que alguns teatros, principalmente em Nevada, abriram espaço tanto para artistas quanto para públicos excluídos.

Em 1975, realizou seu último trabalho pela revista Théâtre Bobino, em Paris, em celebração aos seus 50 anos nos teatros, falecendo pouco tempo depois. Lembrada no St. Louis Walk of Fame, Hall of Famous Missourians, Place Joséphine Baker, em Montparnasse/Paris, Piscine Joséphine Baker e em outros diversos trabalhos artísticos de filmografias, discos, literatura e teatros.

 

Artistas

Aline Deluna é atriz, bailarina, cantora e dubladora. Atuou no curta-metragem Alice (2007) e na novela Caras e Bocas (2009); no espetáculo de dança Cidades Furtivas (direção de Regina Miranda), no musical Um Rio chamado Machado (direção de Marcio Vieira) e na peça Cristo Proclamado (direção de Aderbal Freire-Filho), entre outras. Como dubladora narrou a série de TV Militares pela democracia e o longa-metragem Militares que disseram não, ambas com direção de Silvio Tendler. Em 2013, apresentou La Leçon de Charcot em La Salpetriere em Paris. Com a Cia. Inconsciente em Cena, protagonizou Abram-se os Histéricos e Variações Freudianas 1 – O Sintoma (direção de Regina Miranda), e O Ato – Variações Freudianas 2 (direção de Walter Daguerre). Atualmente protagoniza espetáculos do projeto Porto de Memórias, com direção de Regina Miranda (2014/2015).

Otávio Müller é ator, diretor e dramaturgo, com currículo extenso no teatro e na televisão. Com formação na CAL, trabalhou com diretores teatrais como Bia Lessa, Eduardo Wotzik, Felipe Hirsch e Mauro Mendonça Filho, e, na TV, com nomes como Dennis Carvalho, Mauro Mendonça Filho, José Alvarenga, Maurício Farias, José Luiz Villamarim e Amora Mautner. Atualmente, está no ar na série Tapas e beijos, dirige o ator Marcelo Serrado um quadro no Fantástico (TV Globo) e está em cartaz com a peça A vida sexual da mulher feia, monólogo baseado no romance homônimo de Claudia Tajes, na qual assina também a direção. No teatro esteve em trabalhos como Oeste, Jantar entre Amigos, Camila Baker, a saga continua e No retrovisor. Na televisão, participou de diversas novelas e minisséries, entre elas Os ossos do barão, Anjo mau, Dona Flor e seus dois maridos, Labirinto, Os Maias, Agora é que são elas, Celebridade e A grande família.

Walter Daguerre é autor, diretor e ator carioca, com 15 peças de teatro encenadas e dois filmes rodados, um curta e um longa-metragem. Seus trabalhos em teatro incluem parcerias com Paulo José, José de Abreu, Eriberto Leão, Du Moscovis, Mateus Solano, Gregório Duvivier, Bel Kutner e Amir Haddad, entre outros. Em cinema, destacam-se o longa Paraíso, aqui vou eu (roteiro e direção), exibido no Festival do Rio (2011) e em diversos festivais nacionais, e curta-metragem Eu, Sidarta (2012), exibido no Festival Curta Cinema, e no ano seguinte no CCBB Rio, na Mostra do Filme Livre. Foi contratado pela TV Globo em 2014 para o desenvolvimento da minissérie Ligações Perigosas, protagonizada por Patrícia Pilar e Selton Melo. Estreou no teatro A Mecânica das Borboletas (2012, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo), dirigido por Paulo de Moraes, Elefante (2013), na Arena do Espaço Sesc Copacabana, com direção de Igor Angelkorte, e Jim, com Eriberto Leão e dirigido por Paulo de Moraes, inspirada na vida e obra de Jim Morrison, entre outras.

 

FICHA TÉCNICA

Texto: Walter Daguerre
Direção: Otavio Müller
Direção musical: Dany Roland
Direção de movimento: Marina Salomon
Elenco: Aline Deluna (atriz), Dany Roland (músico), Christiano Sauer (músico) e Jonathan Ferr (músico)
Cenário e Figurinos: Marcelo Marques
Iluminação: Paulo César Medeiros
Preparação vocal: Débora Garcia
Visagismo: Guto Leça

 

SERVIÇO:

 

Musical “Josephine Baker, a Vênus Negra”

 

31 de agosto a 16 de setembro; quintas a sábados, às 21h; domingos e feriados, às 18h

Sesc 24 de Maio – Teatro (R. 24 de Maio, 109/1º subsolo, Centro – São Paulo. Tel.: 11 3350-6300)

 

Ingressos: R$ 40, com meia-entrada para estudantes, servidores de escola pública, pessoas com mais de 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência; e R$ 12 para trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes

 

Duração aproximada: 80 minutos

Capacidade: 216 lugares

Livre para todos os públicos

 

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