Escrito por em 26 set 2018 nas áreas Jazz/Blues, Programação, Rio de Janeiro

Trompetista norte-americano de origem nigeriana faz dois concertos no Rio de Janeiro.

 

Mais uma atração internacional sobe ao palco do Blue Note Rio, a filial carioca do famoso clube de jazz nova-iorquino. No dia 27 de setembro, quinta-feira, em duas sessões – às 20h e às 22h30, a atração é o trompetista Ambrose Akinmusire.

Filho de pai nigeriano e mãe norte-americana, Akinmusire é hoje um dos trompetistas mais inovadores do jazz. Ainda adolescente, ele escolheu o trompete porque lhe pareceu um instrumento fácil de tocar, já que tinha apenas três válvulas para manejar. Acabou fazendo a escolha certa, como demonstra sua trajetória.

O artista nasceu e foi criado em Okland, na Califórnia. Com os pais religiosos, foi na igreja que aprendeu a tocar o piano, primeiro, e depois o trompete. Ele conta que os sons religiosos o marcaram tanto que até hoje formam a trilha sonora de seus pensamentos quando se lembra da infância.

Depois do gospel, sua adolescência foi marcada pela black music, com muito funk e muito hip hop, além da música nigeriana. Lembra que, todo domingo, sua mãe tocava os discos de Aretha Franklin quando voltavam da igreja. E, com seu pai, ouvia King Sunny Ade e Fela Kuti.

Akinmusire tinha 17 anos quando foi descoberto pelo saxofonista Steve Coleman. O garoto integrava a Berkeley High School Jazz Ensemble, quando Coleman foi ministrar uma oficina de música em sua escola. Durante uns exercícios de chaves rítmicas, o desempenho do jovem músico chamou a atenção do saxofonista. No final da aula, Coleman disse ao estudante que aparecesse em sua casa na outra semana, porque eles formariam uma banda.

Akinmusire foi contratado para o grupo Five Elements, que excursionou pela Europa com Coleman no verão seguinte. Logo depois, o trompetista passou a integrar a Next Generation Jazz Orchestra, do Festival de Jazz de Monterey, quando sua carreira deslanchou. O músico mudou-se para Nova York e foi estudar na Manhattan School of Music. Depois voltou para a Costa Oeste e obteve o grau de mestre pela Universidade de Southern Califórnia. Integrou-se, em seguida ao programa de jazz do Instituto Thelonious Monk, em Los Angeles.

Para Ambrose Akinmusire, não houve um momento especial em que o jazz entrou em sua vida. Esse gênero não era uma coisa separada do gospel, do funk ou do hip hop. A seu ver, quando tocava jazz, ele não estava fazendo nada mais do que tocar a mesma música negra que ouvia desde criança. A única diferença é que essa era apenas instrumental. Ele acredita que o jazz está evoluindo de maneira muito positiva neste momento. Os músicos estão apagando as fronteiras entre os gêneros. Já não é possível, segundo explica, determinar o que é e o que não é jazz e o que é hip hop, ou música clássica. Estão todos os gêneros misturados e integrados, como nos trabalhos de Kamasi Washington ou de Kendrick Lamar, com quem o trompetista colabora.

Ele também tem uma formulação bastante libertária em relação ao improviso no jazz. Akinmusire acredita que, a partir de um determinado nível, as possibilidades de improvisação passam a ser ilimitadas: “Você não está tentando tocar somente as notas ‘certas’, você está considerando as notas ‘certas’ e também as notas ‘erradas’”. Dessa maneira, a linguagem musical avança em direções absolutamente inesperadas, abrindo caminho para amplas experimentações.

Akinmusire ressalta que sua música, apesar de iniciada na igreja, é muito mais que um experiência religiosa, porém é sua maneira de lidar com o invisível, a linguagem do espírito. A espiritualidade e a poesia estão presentes em toda sua obra, passando pelos títulos de seus álbums. Seu primeiro disco para o selo Blue Note, em 2011, chamou-se When The Heart Emerges Glistening, que, em tradução livre seria Quando o Coração Surge Resplandecente. O álbum de 2014 tem por título The Imagined Savior is Far Easier to Paint, que seria: O Salvador Imaginado é muito mais fácil de pintar. E hoje está sendo lançado seu o álbum duplo, gravado ao vivo no Village Vanguard, de Nova York, A Rift In Decorum.

 

Blue Note Rio

A casa adota o modelo “first come, first served”. Assim, sugere que os clientes cheguem cedo para garantir o lugar. Mesas são marcadas apenas para membros do Blue Note Rio Club, pelo canal de relacionamentos.

A abertura da casa ocorre às 19h. Após o término do show, o público deverá deixar o salão em até 30 minutos.

 

SERVIÇO:

 

Ambrose Akinmusire, trompete

 

27 de setembro, quinta-feira, às 20h e 22h30

Blue Note Rio (Av. Borges de Medeiros, 1.424, Lagoa – Rio de Janeiro. Tel.: 21 3799-2500)

 

Ingressos: R$ 120, com meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 60 anos

Recomendado para maiores de 18 anos (menores somente acompanhados dos responsáveis)

 

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