Escrito por em 14 dez 2018 nas áreas Música de câmara, Rio de Janeiro

Apresentações de Nélson Freire, Fábio Zanon, Rosana Lamosa e Márcia Taborda

A cantora e violonista Olga Praguer Coelho (11/11/1909, Manaus – 25/2/2008, RJ) na década de 30 “foi a primeira violonista, a usar cordas de náilon no palco, em vez das cordas de tripa, no seu recital em Town Hall de Nova York em 21 de fevereiro”, explica seu filho Miguel Praguer. A artista é considerada uma das mais importantes musicistas brasileiras de todos os tempos e será homenageada na Sala Cecília Meireles, dia 19 de dezembro, quarta-feira, às 20h. No Recital “Tributo à Olga Praguer Coelho”, apresentações do pianista Nélson Freire, dos violonistas Fábio Zanon e Marta Taborda e de Rosana Lamosa, soprano brasileira.

A noite é para marcar o antológico lançamento do LP “The Art of Olga Praguer Coelho” (1954) há mais de 60 anos. Agora em CD lançado com produção da GuitarCoop, responsável pela remasterização da obra de Olga Praguer Coelho, fazendo justiça a uma das mais importantes musicistas brasileiras de todos os tempos. “Sua arte vem da combinação única de sua voz bonita, treinada e versátil, musicalidade incomparável, habilidade interpretativa e impecável acompanhamento ao violão clássico”.

 

Guitarcoop  

A Guitarcoop, uma iniciativa pioneira no Brasil que vem revolucionando o modo de produção e multidistribuição de gravações, já acumula dezenas de lançamentos de registros tanto contemporâneos quanto de resgate de performances indispensáveis à história do violão – objetivo fundamental da empreitada – em nosso país, que estavam até agora inacessíveis.

Olga Praguer Coelho viveu intensamente quase um século. Sua obra intensa em quantidade e qualidade rendeu-lhe o apelido de “Soprano Insaciável”. Andou esquecida pela música até que a Guitarcoop, uma plataforma online formada por um grupo de músicos com o objetivo de estabelecer parcerias com violonistas contemporâneos e resgatar grandes músicos da nossa história, iluminou seu talento.

Após um minucioso trabalho de pesquisa, limpeza de áudio e adaptação para os padrões atuais de serviços de streaming realizado por Ricardo Marui e Sérgio Abreu, a Guitarcoop está lançando a remasterização da obra de Olga Praguer Coelho.

CD ‘The Art of Olga Praguer Coelho: R$30,00 tem entrega em todo o Brasil com toda a segurança através do PayPal. Maiores informações:

https://guitarcoop.com.br/olgapraguer.coelho

 

Olga Praguer Coelho 

Em meados da década de 1970, Olga Praguer Coelho se mudou de Nova York para o Rio de Janeiro. A menina da vizinha ficou completamente hipnotizada pelas histórias da Olga: “Dona Olga pegava um objeto de sua casa e contava como o adquiriu e sua procedência. Fiquei fascinada com suas histórias”.  

Enquanto tecia a teia de suas experiências ao redor da menina deslumbrada, Olga recorria às lembranças de uma vida surpreendentemente rica em aventuras e conquistas. Nascida em Manaus, em 1909, mudou-se aos três anos para Salvador, onde seu pai médico aceitara uma colocação. Aos 12 anos, a família foi para o Rio de Janeiro, que forneceu o solo e a nutrição para o florescimento de sua arte e foi palco de seus primeiros sucessos.

Olga estudou piano com a mãe, aluna do grande mestre, o pianista português Vianna da Motta, mas foi a música folclórica – e, especialmente, o violão clássico – que a inspirou. Estudou canto com várias professoras, entre elas a célebre meio-soprano Gabriela Besanzoni, e violão com Patrício Teixeira, que também cantava. As primeiras apresentações aconteceram na Rádio Clube do Brasil, em 1927. Seguiram-se os concertos, a fama se espalhou, e em dois anos ela estava na capa de O Violão, revista dedicada ao instrumento. Suas primeiras gravações na Odeon são de 1929, e durante a década seguinte, vários discos foram lançados.

Seu primeiro sucesso internacional foi em 1935, em Buenos Aires, onde se tornou uma sensação. Meses depois, ao desembarcar no Rio de Janeiro, viu-se rodeada por repórteres. Logo após foi uma das estrelas do show de abertura da rede Rádio Tupi. Em agosto de 1936, Olga voou no Graff Zeppelin do Rio de Janeiro à Alemanha, para assistir às cerimônias de abertura das Olimpíadas de Verão em Berlim e lançar sua primeira turnê pela Europa, como recém-nomeada Embaixadora da Música Brasileira pelo Presidente Getúlio Vargas (1882-1954).

Os jornais do Rio relataram suas apresentações triunfais em toda a Europa: Alemanha, Itália, França, Áustria, Hungria, com a presença de Bela Bartok, Bélgica e Grã-Bretanha. Apresentou-se algumas vezes na radio alemã – algumas dessas gravações constam deste CD. Olga voltou todos os anos à Europa e deu concertos em quase todos os países do continente. Apareceu na recém-surgida TV da Alemanha e Grã-Bretanha. Seu livro de autógrafos registra o reconhecimento de grandes escritores europeus, artistas e figuras públicas da época.

Em 1939, ela e o marido, Gaspar Coelho, viajaram à Nova Zelândia, Austrália, Cingapura, Java e África do Sul. Seus concertos ganharam críticas entusiasmadas nos jornais. Nos primeiros dias da Segunda Guerra Mundial, o casal retornou ao Rio de Janeiro. O próximo período da vida de Olga começa em 1941, com a mudança com o marido para Nova Iorque. Apresentou-se na Casa Branca para Eleanor Roosevelt, que a encheu de elogios em sua coluna de jornal. Em seguida, foi contratada para cantar duas vezes por semana em um programa da rádio CBS, transmitido em toda América do Norte e por ondas curtas ao Brasil – parte da política da boa vizinhança e em conexão com os esforços da guerra. A música La Cucaracha, de um desses programas, também está presente neste CD.

Em novembro de 1943, Olga conheceu Andrés Segovia, que viera a Nova Iorque para reativar sua carreira na América do Norte. Floresceu um romance, e ambos deixaram seus respectivos cônjuges e estabeleceram uma vida juntos durante quase vinte anos. Segovia criou muitos arranjos para canto e violão dedicados a Olga e, com ele, ela aperfeiçoou ainda mais sua técnica já primorosa, atingindo um alto padrão de qualidade. Surgiram outras gravações dela nos Estados Unidos e na Europa — por Hargail, RCA e Parlophone. Algumas delas podem ser ouvidas aqui.

Após a guerra, Olga retomou sua carreira internacional. Ela e Andrés compartilharam o palco numa única transmissão, em 1947, na rádio NBC em Nova Iorque. Deve-se ressaltar que, no mesmo ano, Olga foi a primeira violonista a usar cordas de nylon no palco, em vez de cordas de tripa, no seu recital no Town Hall em New York, em 21 de fevereiro.

Seu primeiro LP mostrando sua nova técnica de violão e ampliando seu repertório foi gravado pela Vanguard, na Europa, em 1954. Sua última gravação em LP, pela Decca, data de 1960. Olga voltou triunfalmente a Buenos Aires em 1971, local de seu primeiro sucesso internacional. Em meados da década de 1970, ela havia retornado ao Rio para morar nas Laranjeiras, em um prédio construído no terreno da casa da família. Olga continuou a atuar local e internacionalmente e nunca teve uma “aposentadoria” oficial. Deu apoio e solidariedade a uma nova geração de artistas brasileiros, sua personalidade fulgurante atraía inúmeros deles, pelos quais é lembrada com amor e carinho.

Com o passar do tempo, seu perfil público eclipsou-se e Olga, a estrela que tanto brilhava, foi praticamente esquecida. Entretanto, em 2004 houve um breve ressurgimento de seu passado ilustre quando Olga, como uma estrela cadente, recebeu a Ordem do Mérito Cultural do Presidente da República. Ela morreu no Rio de Janeiro, em 25 de fevereiro de 2008 com 98 anos.

Depois de uma década, a compilação de músicas lançadas neste CD oferece uma perspectiva da arte única de Olga e torna a revelar uma das maiores cantoras e violonistas de todos os tempos. Uma edição completa de suas gravações está sendo preparada, bem como uma biografia relatando sua vida extraordinária, e uma edição fac-símile das joias musicais dos arranjos de Andrés Segovia a ela dedicados.

https://guitarcoop.com.br/olga-praguer-coelho/

 

PROGRAMA

1º parte:

  • Gravação do CD da Olga, “Casinha Pequeneina.“ (5 min.).
  • Miguel Praguer Coelho, Introdução e Lançamento do CD da Olga (5 min.)
  • Cantora e programa a ser anunciados– canções do repertório da Olga, música brasileira, clássica e espanhola, com acompanhamento de Fabio Zanon (15 min.)
  • Fabio Zanon, Violão solo FRANCISCO MIGNONE Estudo no.9,  FEDERICO MORENO TORROBA Sonatina (allegretto – andante – allegro), VILLA-LOBOS Prelúdios nos. 1 e 5 (15 min.

2a parte:

  • OlgaPraguer Coelho – Gravação do CD – Xangô (5 min.)
  • Marcia Taborda, cantora e violonista – programa à ser anunciado (15 min.)
  • Nelson Freire, piano solo – Chopin. Duas Mazurkas e Barcarola op.60 (15 min.)

 

 

SERVIÇO

 

Tributo à Olga Praguer Coelho

Dia 19 de dezembro, quarta-feira, às 20h

 

Sala Cecília Meireles (Largo da Lapa – 47 – Lapa, Rio – 21 2332 9223)

 

Ingressos: Plateia R$ 40,00

CLASSIFICAÇÃO: Livre

 

Horário de funcionamento da bilheteria

Segunda a sexta de 13 às 18h, ou até o início do concerto

 

 

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