Escrito por em 8 jan 2019 nas áreas Lateral, Música contemporânea, Notícia

Serão gravados cerca de 30 CDs, com 100 obras sinfônicas de autores nacionais

O Projeto Brasil em Concerto foi lançado no Palácio Itamaraty em novembro de 2018. Com essa iniciativa, busca-se apresentar ao público internacional a tradição de música de concerto no Brasil, do século XIX aos nossos dias.

Até 2023, serão gravados cerca de 30 CDs, com 100 obras sinfônicas de Alberto Nepomuceno, Carlos Gomes, Henrique Oswald, Villa-Lobos, Francisco Mignone, Lorenzo Fernandez, Camargo Guarnieri, Cláudio Santoro, José Siqueira, Guerra-Peixe, Edino Krieger e Almeida Prado. Os discos serão editados e distribuídos no circuito comercial pela gravadora Naxos.

O projeto é resultado da parceria do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores com a Orquestra Filarmônica de Goiás, com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e com a Academia Brasileira de Música.

O concerto inaugural contou com apresentação da Orquestra Filarmônica de Goiás, conduzida pelo maestro Neil Thomson, com obras de Edino Krieger (1929) e Cláudio Santoro (1919-1989).

Neste projeto inédito, o Itamaraty financiará a recuperação, a edição das partituras e a gravação das obras de doze compositores eruditos brasileiros pelas orquestras sinfônicas dos estados de São Paulo (Osesp), Minas Gerais e Goiás, com corais e solistas vocais e instrumentais. Cerca de 100 obras sinfônicas, muitas das quais consideradas esquecidas, serão registradas.

O projeto Brasil em Concerto foi concebido pela área cultural do Ministério das Relações Exteriores e será executado em parceria com as três orquestras e o selo Naxos, considerado o maior do mercado internacional em música erudita. Seu custo, nos cinco anos de trabalhos, será de 700.000 reais e sairá do orçamento do Itamaraty.

Trata-se de uma operação de enorme valor cultural. O custo não é alto, em relação ao objetivo traçado, mas o valor do resultado será inestimável”, afirmou o embaixador Santiago Mourão, subsecretário-geral de Assuntos de Cooperação Internacional, Promoção Cultural e Temas Culturais do Itamaraty. “Este é um passo enorme para a recuperação do repertório sinfônico brasileiro, que ainda é muito conhecido”, completou.

As gravações servirão no futuro como referências musicais para maestros, concertistas e instrumentistas — inclusive para audições em seleções de candidatos para músicos de orquestras.

Muitas das obras ainda continuam disponíveis nos manuscritos de seus autores e jamais foram editadas. Um exemplo surpreendente dessa situação é a Bachianas nº 4, de Villa Lobos, uma de suas peças mais executadas e gravadas no mundo todo. Essa e todas as demais partituras passarão por recuperação musical e edição — a parte “invisível” do projeto.

Recebemos das nossas embaixadas muitos pedidos de informações de maestros sobre partituras de compositores brasileiros, que antes não tínhamos como atender”, explicou Mourão.

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