Escrito por em 15 fev 2019 nas áreas Lateral, Música contemporânea, Notícia

“Ronda da capivara” está disponível nas plataformas de música digital

Membro do quarteto instrumental Relógio de Dalí, Victor Ribeiro lança “Ronda da Capivara”, seu álbum de estreia solo. O registro traz uma nova linguagem de música instrumental, explorando uma sonoridade contemporânea do violão 7 cordas, repleta de nuances, suingue e improvisação como uma apresentação ao vivo, criando canções contagiantes para o ouvinte. O projeto, que conta com a participação do músico Gabriel Grossi, já está disponível nas plataformas de música digital.

A diversidade da música brasileira se une ao rock, ao jazz e ao erudito no violão virtuoso de Víctor Ribeiro. Natural do Rio de Janeiro, ele já se apresentou e gravou com respeitados artistas, como Hermeto Pascoal, Gabriel Grossi, Alice Caymmi, Pietá, Luísa Lacerda, Diogo Duque (Portugal), Scott Hill (EUA), Peter Knudsen (Suécia) e Laura Lenhardt (Alemanha). Em 2014, fundou o grupo Relógio de Dalí, onde ao lado de Pablo Arruda, Yuri Villar e Lourenço Vasconcellos conseguiu destaque na cena carioca e em festivais com o repertório do EP autointitulado, de 2015. Com o Víctor Ribeiro Trio, também ocupou palcos de destaque, como o Blue Note Rio, onde apresentou um tributo a Baden Powell com a convidada especial Paula Santoro.

Sua estreia solo começou a ganhar corpo em 2016, quando foi um dos vencedores da terceira edição do Concurso Novas, de composições para violão solo contemporâneo com a música “Ronda da Capivara” – que dá nome ao seu disco. “Trago aqui minhas principais influências: o violão brasileiro e os ritmos regionais do nosso país, o jazz contemporâneo, o rock e a música erudita. Sim…. É uma salada e tanto, mas que nos permitiu uma música bem imagética, intensa e sensorial pra tratar das tais nuances e possibilidades da vida!”, se diverte Víctor.

O concurso que “Ronda da Capivara” venceu teve como jurados os violonistas mundialmente reconhecidos Marco Pereira, Elodie Bouny, Sérgio Assad e Fábio Zanon. No ano seguinte, foi um dos vencedores do Prêmio Mimo Instrumental 2017 com o Relógio de Dalí.

Financiado através de uma bem sucedida campanha de crowdfunding, o álbum foi registrado ao lado do baixista Pablo Arruda e do baterista Lucas Fixel, contando ainda com a participação especial de Gabriel Grossi na faixa “Valsa Cálida”. O trabalho traz uma linguagem que busca o clima contagiante de uma apresentação ao vivo com experimentações sobre texturas sonoras construídas em estúdio.

“O álbum trata da busca por toda a vida que está aí disponível e sempre florescendo. Mas é também sobre o dever que temos em protegê-la. É um convite a olhar as várias nuances do macro ao micro, do exterior e do interior de nós. É sobre as fases, os ritmos, o tempo, que é simultaneamente fugaz e eterno. É portanto sobre a beleza que tem em cada uma dessas coisas… Uma ode à abundância das possibilidades! E para se chegar nesse lugar e contar essas ‘histórias’, este álbum traz também a improvisação como uma ferramenta crucial”, reflete Víctor.

O disco foi produzido por Guilherme Marques, responsável por álbuns recentes de Qinho, BEL e Biltre, e gravado no estúdio Frigideira. Além disso, Víctor se prepara para lançar o primeiro disco cheio da Relógio de Dalí, “Resistência”, e um projeto em quarteto, com Paula Santoro, também em 2019. Mas a experiência solo foi algo que o artista levará para seus outros projetos.

“Foram 2 dias de gravação com muita entrega e intensidade ali no estúdio Frigideira. O álbum trata de dar vazão às nossas liberdades internas e externas, de dentro de nós mesmos para o mundo. É sobre encorajar-nos a ser quem de fato nós somos. E de proteger, da forma que for preciso, esse direito a essa liberdade. Tudo isso, muito discutido nos ensaios e na vida, transbordava durante o processo de gravação. A conexão era evidente. E o jazz é isso”, reflete Víctor.

Neste link, é possível encontrar um texto do cantor Thiago Amud sobre o disco, biografia de Victor Ribeiro e mais opções de fotos: http://bit.ly/VictorRibeiroDivulgacao

 

Tracklist

Víctor Ribeiro, Pablo Arruda e Lucas Fixel
O Começo de Tudo 

Composição coletiva feita com citações de todas as músicas do disco.

Víctor Ribeiro
Ronda da Capivara

Sobre exercer nossas liberdades particulares e político-sociais. Pelo direito de poder ser quem nós somos para nós mesmos e na sociedade. A capivara é o maior roedor do mundo e um animal pré-histórico, o que retifica a grande capacidade de adaptabilidade da espécie. Isso traz a metáfora sobre essa força de autopreservação. A ronda da capivara é a ronda de proteção de tudo que é vivo e natural.

Víctor Ribeiro, Pablo Arruda e Lucas Fixel
Intimidade e Observação 

Composição coletiva com citações da composição “Dança da Mulher Barbada”. Simboliza um ritual de autoconhecimento. De intimidade, observação e aceitação do próprio corpo e sentimentos.

Víctor Ribeiro
Dança da Mulher Barbada

Uma dança inspirada na quebra de padrões sociais de beleza e sexualidade. Simboliza o estado de empoderamento e catarse. É uma composição que traz “estranheza”, sensualidade e rítmo.

Víctor Ribeiro
Valsa Cálida
– Participação de Gabriel Grossi

Inspirada nas relações do homem com o mar, nas viagens rumo ao desconhecido, nos movimentos marítimos e na metáfora com relação às nossas próprias emoções. Da aceitação e investigação dessas emoções. É como se fosse uma caravela desbravando mares em busca de liberdade e autoconhecimento.

Víctor Ribeiro
Por Dentro do sono de Maria Elis

Compus inspirado na minha sobrinha quando tinha em torno de 3 anos e fiquei encantado com a profundidade e conflitos que já existiam dentro dela. Uma reflexão sobre os deveres da sociedade em ter um respeito maior aos conflitos das crianças ao reconhecer seu conteúdo e importância. Não devem ser diminuídos pelos adultos. É por esse respeito e direito à infância. A composição é uma viagem por dentro do sono dessa criança, onde vão se desvendando alegrias, anseios, medos, estranhamentos e uma trama de sentimentos.

Víctor Ribeiro
Jardins de Riga 

Compus na época que passei tocando em cruzeiro entre a Escandinávia e os Países Bálticos. E o navio sempre aportava em Riga, na Letônia. É uma cidade extremamente romântica e cultural, considerada a Paris do norte da Europa. Perto do porto, ficava a cidade antiga com jardins lindíssimos por onde eu sempre passava e percebia nas pessoas um misto de alegria, amorosidade e pesar. Pesquisando, descobri que a Letônia vivera muitos períodos de dominação até bem recente. A última independência ocorreu na década de 80. E tocado por esse misto de encantamento e pesar da cidade, compus Jardins de Riga. Uma metáfora sobre a beleza do amor real, com suas nuances e conflitos.

Víctor Ribeiro
Reticente 

Comecei a compor tomado pela sensação de estar de mão atadas diante das atrocidades e injustiças políticas. Por esse sentimento de sempre lutar e parecer que nada acontece. E ao longo do processo de composição percebi que a luta deve ser constante e eterna. Sempre vai haver algo pelo qual podemos lutar e melhorar. A composição é uma metáfora a esse trabalho diário de luta e que por mais que pareça não estar chegando a nenhum lugar muito claro, a gente segue porque é preciso.

Víctor Ribeiro
Colmeia 

Inspirada na estrutura da colmeia. No trabalho em equipe que gera a estrutura perfeita e sagrada da colmeia, onde não existe hierarquia de “poder”, apenas de organização. Se a abelha rainha não exerce bem sua função em prol da colmeia, ela é substituída por outra abelha operária. É uma reflexão sobre nosso sistema político.

 

 

Ouça Ronda da Capivara: http://bit.ly/RondaDaCapivara

 

Siga Victor Ribeiro:

https://www.victorribeiro.com.br/

 

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