Escrito por em 9 mar 2019 nas áreas Lateral, Música antiga, Programação, São Paulo

Partituras famosas e desconhecidas fazem parte do espetáculo


Partituras resgatadas na Itália de uma pequena sinfonia de Alessandro Scarlatti, um concerto para cravo de Händel, praticamente inédito no Brasil e As Quatro Estações, do compositor italiano Antonio Vivaldi, tudo isso executado em instrumentos originais do século XVIII: é exatamente isso que a orquestra A Trupe Barroca proporcionará ao público paulista no próximo dia 16 de março, às 20 horas, no Theatro São Pedro.

A Trupe Barroca é um conjunto musical autônomo, criado em 2017 com o objetivo de dedicar-se à pesquisa e a divulgação da música dos séculos XVII e XVIII, com instrumentos históricos e técnicas interpretativas condizentes com o período, para revelar ao público uma atmosfera sonora mais próxima daquela em que as obras executadas foram concebidas.

Embora tenha como proposta um repertório barroco e clássico, A Trupe Barroca, no programa a ser apresentado no próximo dia 16, trará para o público paulista três obras do barroco tardio.

 

PROGRAMA

Alessandro Scarlatti
Sinfonia em ré maior

Trata-se de uma obra avulsa. Seus manuscritos, disponíveis apenas em conjunto de partes cavadas, estão depositados no Arquivo Musical dos Fundos da Biblioteca Pública de Parma. Portanto, trata-se de uma peça que não está atrelada a nenhuma ópera ou oratório. Não foi possível identificar o ano e tampouco a ocasião da estreia dessa peça, mas, a julgar pelas circunstâncias em que os manuscritos foram encontrados – misturados a papéis originários da Catedral de Parma -, pode-se especular sobre a possibilidade de ter sido esta singela Overture utilizada no âmbito para-litúrgico, abrindo uma missa festiva, como era a praxe desde tempos remotos.

Georg Friedrich Händel
Concerto em sol menor, opus 4, nº 1

Execução pública desta obra no Brasil não foi encontrada em nenhum registro público. Esse concerto, escrito originalmente para cravo ou órgão, segundo o fac símile da primeira edição, foi escrito como um intermezzo para ser executado entre os atos de alguma ópera de Händel, o que era comum na época. O solista será o cravista Fernando Cordella.

Antonio Vivaldi
As quatro estações

Certamente, uma das mais populares do período barroco. Na versão apresentada pela A Trupe Barroca, que terá como solista a violinista barroca norte-americana Cynthia Freivogel, poderemos, a partir dessa obra tão familiar aos nossos ouvidos, perceber as sutilezas de uma interpretação diferenciada, explorando, além das possibilidades sonoras dos instrumentos utilizados pela orquestra, toda a criatividade interpretativa de uma música concebida para descrever imagens, sensações e sentimentos.

 

 

SERVIÇO

 

Concerto: A Trupe Barroca “As Quatro Estações”, de Antonio Vivaldi

 

Dia 16 de março, sábado, às 20h

Theatro São Pedro (Rua Barra Funda, 171. Barra Funda – São Paulo – 11 3667 0499)

 

Ingressos: 70,00 (inteira) e 35,00 (meia)
Disponíveis na bilheteria do teatro ou pelo site: http://bit.ly/4-estacoes-ingressos

 


Cynthia Freivogel
 

É uma violinista que tem se destacado mundialmente como solista e camerista do repertório barroco e moderno. Chamada pelo Denver Post de “artista estrelar para qualquer padrão”, Cynthia é a spalla da Orquestra de Câmara Barroca do Colorado (Denver), da Orquestra de Câmara Artek Chamber Orchestra de Nova Iorque e é, ainda, a diretora artística do conjunto Combattimento.

Além do Collegium Musicum Den Haag, já liderou e atuou como solista com Concerto Köln, Joshua Rifkin’s Bach Ensemble e Musica Poetica. É membro do Tulpen Consort e Hopkinson Trio e colabora também com Vox Luminis, Scorpio Collective, Holland Baroque Society, Amsterdam Baroque Orchestra, Concerto d’Amsterdam, Northern Consort e Luther’s Bach Ensemble.

Foi membro do Brandywine Baroque, com o qual gravou diversos CDs, incluindo Op. 5 de Corelli, para o selo Plectra, e também foi fundadora do Novello Quartet e do Coriolan Quartet. Sua versatilidade levou-a a colaborar com artistas visuais e bailarinos, aliando música antiga a coreografias de Garrett Ammon para a companhia de dança Wonderbound (Denver, Colorado).

Antes de decidir dedicar-se à música antiga, foi membro da Osesp, como spalla substituta, da New World Symphony, em Miami, da Royal Concertgebouw Orchestra, em Amsterdam, da Colorado Music Festival Orchestra, em Boulder, além de ter colaborado com a Handel & Haydn Society, em Boston, e com a Philharmonia Baroque Orchestra, em San Francisco. É bacharel em musicologia pela Universidade de Yale e mestre pelo Conservatório de San Francisco, tendo estudado com Camilla Wicks e Marylou Speaker Churchill.

 

Fernando Cordella

É considerado um dos principais cravistas de sua geração na América Latina. Em 2015, recebeu, em São Paulo, o prêmio TOYP JCI Brasil como a figura mais expressiva no Brasil do ano, na categoria “Êxito Cultural”. Em 2016, assumiu o posto de coordenador e professor de cravo da Oficina de Música Barroca da EMMSP – Escola Municipal de Música de São Paulo.

Tem atuado fortemente como solista e maestro convidado nas principais orquestras do Brasil e exterior. Na música de câmara, tem atuado com Peter van Heyghen (Bélgica) Emmanuele Baldini (Itália), Roman Garrioud (França), Michaela Comberti (Inglaterra), Juan Manuel Quintana (Argentina), Luiz Otávio Santos (Brasil/Holanda), Rodolfo Richter (Inglaterra), entre outros.

Pianista de formação, sendo discípulo da importante pianista brasileira Dirce Knijnik. No cravo, teve Nicolau de Figueiredo como seu principal mestre. Vencedor do Prêmio Açorianos 2011 como melhor intérprete da categoria música erudita pelo disco “CRAVOS – de Frescobaldi a Mozart”. Cordella é diretor artístico e maestro titular da Sociedade Bach Porto Alegre e da Orquestra Sinfônica de Carazinho.


Sérgio Dias
 

É graduado em flauta, composição e regência, pós-graduado em Educação Musical, em Arte e Cultura Barroca e mestre em música, com área de concentração em Musicologia Histórica. É doutor pelo Departamento de Ciências Musicais da Universidade Nova de Lisboa e trabalha como musicólogo consultor junto ao arquivo do Conservatório San Pietro a Majella de Nápoles. É ex-professor do Conservatório Brasileiro de Música, ex-professor titular de harmonia, contraponto, fuga e estruturação musical da Faculdade de Música do Espírito Santo (FAMES), além de ex-professor substituto do Conservatório de Coimbra e da Escola Superior de Educação de Lisboa.

De sua vasta lista de orientadores poder-se-iam destacar os nomes de David Munrow, Michel Philippot, Christopher Bochmann, Aurèle Nicolet (Festival de Lucerna), José Siqueira, Cláudio Santoro, Eleazar de Carvalho e Francisco Mignone. Participa ativamente como intérprete e/ou diretor musical junto a importantes conjuntos nacionais e estrangeiros, dentre eles o Ars Instrumentalis, a Camerata Philarmonia, o grupo Sequencia (Argentina), o Conjunto de Música Antiga da FAMES (Ensamble Cim Sancto Spiritu), a Miami Philarmonic, a Capella della Pietà dei Turchini, a Saint Paul Chamber Orchestra, a Orquestra do Mozarteum de Buenos Aires, a Capella Luso-Brasiliensis, a Sinfônica do Teatro Colón, A Orquestra Sinfônica Nacional, a Orquestra e Coro dos Festivais de Lucerna, a Orquestra de câmara de Rouen, as Orquestras dos Festivais Internacionais de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, entre várias outras.

Foi maestro titular da Orquestra de Câmara da Universidade Federal do Espírito Santo, da Orquestra da Faculdade de Música do Espírito Santo, e do Ensamble Cum Sacto Spiritu, grupo especializado em música antiga, com o qual gravou, em 1997, um CD intitulado “O Amor e o Humor na Música Brasileira dos séculos XVIII e XIX”. Atualmente, é professor e musicólogo do Departamento de Música da Universidade Federal de Pernambuco, além de regente titular das Orquestras de Câmara e da Orquestra Sinfônica da mesma Universidade.

 

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