Escrito por em 19 mar 2019 nas áreas Lateral, Minas Gerais, Movimento, Música sinfônica, Programação

Assista também aos Concertos Comentados

Para lembrar os 150 anos da morte de Hector Berlioz, a Filarmônica de Minas Gerais apresenta um eloquente interlúdio da ópera Os troianos: Caçada real e tempestade. O pianista irlandês Barry Douglas retorna ao palco da Sala Minas Gerais para interpretar o Concerto para piano nº 20 em ré menor, K. 466, que revela o lado dramático, quase romântico de Mozart. Completa o repertório a Sinfonia nº 3 em lá menor, op. 44, de Rachmaninov. As duas apresentações serão realizadas nos dias 21 e 22 de março, às 20h30, na Sala Minas Gerais, sob regência do maestro Fábio Mechetti.

Antes das apresentações, entre 19h30 e 20h, o público poderá assistir aos Concertos Comentados. O convidado desta semana é o percussionista da Filarmônica de Minas Gerais e curador dos Concertos Comentados, Werner Silveira. As palestras são gravadas em áudio e ficam disponíveis no site da Orquestra.

Estes concertos são apresentados pelo Ministério da Cidadania e Governo de Minas Gerais e contam com o patrocínio da Pottencial Seguradora por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

 

PROGRAMA

Hector Berlioz (La Côte Saint-André, França, 1803 – Paris, França, 1869)
Os troianos: Caçada real e tempestade (1856)

Durante anos, Hector Berlioz adiou a composição de uma vasta ópera como Os Troianos. O compositor não via dificuldade na adaptação para expressão musical do tema: lidar com a epopeia Eneida, de Virgílio, era, como explicou em carta, “a parte mais fácil da minha tarefa. Eu passei toda a minha vida com essa tribo de semideuses e eu os conheço há tanto tempo que comecei a sentir que eles também me conhecem”. O problema era, no entanto, de outra ordem. Em sua biografia, Berlioz afirmou: “meu sangue ferve só de imaginar encontrar novamente aqueles obstáculos sem sentido à montagem de tal trabalho – coisas pelas quais eu e outros compositores temos passado diariamente ao escrever para a Ópera de Paris”.

O encorajamento definitivo veio da Princesa Carolina de Sayn-Wittgenstein, com quem o compositor Franz Liszt teve um relacionamento amoroso. Lenta e deliberadamente, a princesa levou Berlioz ao ponto de empreender a nova ópera sobre um “sujeito grandioso, magnífico e profundamente comovente”. Uma vez iniciada, a criação de Os Troianos foi realizada com tal propósito que, longe de sugá-lo como imaginava, deu a Berlioz um novo vigor. Começado em maio de 1856, o libreto completo foi enviado à princesa em julho do mesmo ano. A partitura foi completada em sete de abril de 1858. Dedicada a Virgílio e também a Sayn-Wittgenstein, cuja admiração pelo trabalho de Berlioz fica evidente em Lettres à la princesse (Cartas à Princesa), publicação que revela a vasta troca de correspondência entre o compositor e sua entusiasta.

 

Wolfgang Amadeus Mozart (Salzburgo, Áustria, 1756 – Viena, Áustria, 1791)
Concerto para piano nº 20 em ré menor, K. 466 (1785)

11 de fevereiro de 1785 foi uma sexta-feira ocupada para Wolfgang Amadeus Mozart. Além de lidar com burocracias na Sociedade de Compositores de Viena, às dezoito horas houve uma apresentação que selaria a estreia de um novo concerto, copiado às pressas pelo compositor. Como se não fosse bastante, no meio do caminho, às 13h, Leopold, o pai de Mozart, chegou a sua casa com um amigo, para uma visita de dez semanas. Estreia daquela noite, o Concerto para piano nº 20 “era magnífico”, como revela carta do pai com o relato daquele dia. Tal informação fora endossada por Haydn em visita aos Mozarts (pai e filho): “o seu filho é o maior compositor que eu conheço, pessoalmente ou por reputação; ele tem estilo e, além disso, o maior conhecimento possível da ciência da composição“. O opus 20 é um dos dois únicos Concertos para piano de Mozart escritos em modo menor. Inquietante e perturbadora, a peça revela um estilo completamente diferente da sua obra anterior, o Concerto para piano nº 19 em Fá maior, K. 459, e também de sua realização posterior, o Concerto para piano nº 21 em Dó maior, K. 467.

 

Sergei Rachmaninov (Oneg, Rússia, 1873 – Beverly Hills, Estados Unidos, 1943)
Sinfonia nº 3 em lá menor, op. 44 (1935/1936)

 A Sinfonia nº 3 em lá menor foi composta por Rachmaninov após sua primeira viagem aos Estados Unidos, em 1909. A obra estreou em novembro de 1936, na Filadélfia, sob a regência de Leopold Stokowski. Ela é bastante demonstrativa do estilo final de Rachmaninov, quando sua linguagem, mantendo-se sempre pessoal e anacronicamente romântica, entretanto se moderniza pela ciência dos timbres orquestrais e pelo senso admirável dos detalhes. A sinfonia divide-se em três movimentos e utiliza uma orquestra muito grande. No entanto, o compositor priorizou a diversificação das sonoridades sobre os efeitos de massa. Desde a primeira apresentação, em 1901, com o próprio compositor ao piano, a obra obteve enorme sucesso, marcando o início de novo e frutuoso período criativo. A partir de sua Terceira Sinfonia, Rachmaninov fez muitas e extensas turnês, temporadas na Alemanha e na Itália, consolidando a reputação de pianista inigualável, o Liszt do século que se iniciava.

 

 

SERVIÇO

 

Filarmônica MG – Séries Allegro e Vivace

Dia 21 e 22 de  março. 5a. e 6a. feiras, às 20h30

Sala Minas Gerais (Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto)

 

Ingressos: R$ 46 (Coro) R$ 52 (Balcão Palco) R$ 52 (Mezanino), R$ 70 (Balcão Lateral), R$ 96 (Plateia Central) e R$ 120 (Balcão Principal) R$ 140 (Camarote par).

Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.

Ingressos para o setor Coro serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

Ingressos comprados na bilheteria não têm taxa de conveniência.

Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br

 

Funcionamento da bilheteria:

Sala Minas Gerais – Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto

De terça-feira a sexta-feira, das 12 às 20h.

Aos sábados, das 12 às 18h.

Em quintas e sextas de concerto, das 12 às 22h

Em sábados de concerto, das 12 às 21h.

Em domingos de concerto, das 9 às 13h.

 

São aceitos cartões com as bandeiras Amex, Aura, Redecard, Diners, Elo, Hipercard, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron.

 

 

Fábio Mechetti

Fábio Mechetti

Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008, Fabio Mechetti posicionou a orquestra mineira no cenário mundial da música erudita. Além dos prêmios conquistados, levou a Filarmônica a quinze capitais brasileiras, a uma turnê pela Argentina e Uruguai e realizou a gravação de oito álbuns, sendo três para o selo internacional Naxos. Natural de São Paulo, Mechetti serviu recentemente como Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática.

Nos Estados Unidos, Mechetti esteve quatorze anos à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville e, atualmente, é seu Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane, da qual hoje é seu Regente Emérito. Regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio. Da Sinfônica de San Diego, foi Regente Residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey. Continua dirigindo inúmeras orquestras norte-americanas e é convidado frequente dos festivais de verão norte-americanos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.

Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo a Ópera de Washington. No seu repertório destacam-se produções de Tosca, Turandot, Carmem, Don Giovanni, Così fan tutte, La Bohème, Madame Butterfly, O barbeiro de Sevilha, La Traviata e Otello.

Suas apresentações se estendem ao Canadá, Costa Rica, Dinamarca, Escócia, Espanha, Finlândia, Itália, Japão, México, Nova Zelândia, Suécia e Venezuela. No Brasil, regeu todas as importantes orquestras brasileiras.

Fábio Mechetti é Mestre em Regência e em Composição pela Juilliard School de Nova York e vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, da Dinamarca.

 

Barry Douglas, piano

Barry Douglas

A consolidação da carreira internacional de Barry Douglas tem início com a Medalha de Ouro na Competição Internacional Tchaikovsky de 1986, em Moscou. Como diretor artístico da Camerata Irlanda e do Festival Clandeboye, o músico celebra permanentemente sua herança irlandesa mantendo, ao mesmo tempo, uma agenda intensa de concertos ao redor do mundo.

Douglas é um artista exclusivo do selo independente Chandos e recentemente completou a gravação da obra completa para piano solo de Brahms.

Barry Douglas também recebeu a Ordem do Império Britânico (OBE), na Lista Honorária do Ano Novo de 2002, por seus serviços à música.

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Criada em 2008, desde então a Filarmônica de Minas Gerais se apresenta regularmente em Belo Horizonte. Em sua sede, a Sala Minas Gerais, realiza 57 concertos de assinatura e 12 projetos especiais. Apresentações em locais abertos acontecem nas turnês estaduais e nas praças da região metropolitana da capital. Em viagens para fora do estado, a Filarmônica leva o nome de Minas ao circuito da música sinfônica. Através do seu site, oferece ao público diversos conteúdos gratuitos sobre o universo orquestral. O impacto desse projeto artístico, não só no meio cultural, mas também no comércio e na prestação de serviços, gera em torno de 5 mil oportunidades de trabalho direto e indireto a cada ano.

Sob a direção artística e regência titular do maestro Fabio Mechetti, a Orquestra conta, atualmente, com 90 músicos provenientes de todo o Brasil, Europa, Ásia, Américas Central e do Norte e Oceania, selecionados por um rigoroso processo de audição. Reconhecida com diversos prêmios culturais e de desenvolvimento econômico, ao encerrar seus 10 primeiros anos de história, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais recebeu a principal condecoração pública nacional da área da cultura. Trata-se da Ordem do Mérito Cultural 2018, concedida pelo Ministério da Cultura, a partir de indicações de diversos setores, a realizadores de trabalhos culturais importantes nas áreas de inclusão social, artes, audiovisual e educação. A Orquestra foi agraciada, ainda, com a Ordem de Rio Branco, insígnia diplomática brasileira cujo objetivo é distinguir aqueles cujas ações contribuam para o engrandecimento do país.

O corpo artístico Orquestra Filarmônica de Minas Gerais é oriundo de política pública formulada pelo Governo do Estado de Minas Gerais. Com a finalidade de criar a nova orquestra para o Estado, o Governo optou pela execução dessa política por meio de parceria com o Instituto Cultural Filarmônica, uma entidade privada sem fins lucrativos qualificada com os títulos de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) e de Organização Social (OS), um modelo de gestão flexível e dinâmico, baseado no acompanhamento e avaliação de resultados.

 

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