Escrito por em 9 abr 2019 nas áreas Artigo, Lateral

Um interessante testemunho

As figuras icônicas e antigas, que participaram de nossa cidade e vivenciaram o Rio de Janeiro nos áureos tempos em que a arte da música florescia e nos encantava, nos contam histórias emblemáticas do ambiente musical e da forma como o incentivo à cultura conseguia manter um padrão digno e atuante da arte em nossa cidade. Nessa hora, paira em nós, que tivemos a ventura de vivenciar esta situação e dela usufruir, uma nostalgia e uma saudade que só quem provou consegue entender.

O frisson dos concursos de canto naquela década de 70 era muito estimulante para os jovens cantores. O movimento musical era animado e variado. Falando de canto lírico, havia concursos criados por professores e compositores que recebiam nomes como: Nonelli Barbastefano, Babi de Oliveira, Arnaldo Rebelo, Deolinda Ferreira etc…  Havia também aqueles oferecidos pelas entidades como o do Automóvel Clube, o do Conservatório Nacional de Música, o da rádio MEC, o da Funarte e tantos outros. O movimento culminava num magnífico Concurso Internacional com sede no Rio de janeiro, que era patrocinado pelo Ministério da Cultura e pela Sala Cecília Meireles, administrado pela saudosíssima Helena Oliveira, grande incentivadora do canto no Rio de Janeiro.

Este magnífico concurso recebia artistas de todo o mundo e inúmeros artistas nacionais se firmaram no cenário internacional em carreiras brilhantes. Oferecia como prêmios atuações em palcos do exterior e bolsas de estudo em outros países, de que muitos de nossos artistas estudantes usufruíram e se beneficiaram.

Tempos áureos em que o movimento musical gerava opções de se passar de um recital a outro, de atrações operísticas variadas no Teatro Municipal a apresentações em outras casas de espetáculos. Saudades das temporadas teatrais do teatro João Caetano antes da reforma que o transformou naquela caixa de sapato azul.

Nosso Teatro Municipal… este então recebia artistas de todo o mundo para não citar as figuras exponenciais internacionais da arte lírica. A citar, a temporada de intercâmbio que nos foi oferecida pela equipe do Teatro Colón de Buenos Aires, dirigida pelo maestro Figueroa, altamente elaborada e com produções de altíssimo nível.

Eram também oferecidas a música orquestral e a pianística, o ballet e o teatro, que tinham repercussão e espaço. Proporcionavam alegria ao público e incentivavam nossos artistas a seguirem em seus estudos e trajetórias.

Hoje, constatamos, com imensa tristeza, que portas se fecham a cada dia. Existem poucos concursos de canto, nossos jovens artistas não são mais valorizados. Os espaços servem para outros tantos que repetitivamente se apresentam. Não existe uma renovação, não se forma um núcleo para proteger os jovens artistas, não se tem  interesse em dar chance aos nossos novos talentos, não se oferecem intercâmbios ou alternativas. Nossos corais não recebem incentivos e vegetam pendurados em premissas de extinção. Nossas escolas de música são fechadas diante de nossos olhos impiedosamente.

Para não deixarmos ficar amargas demais nossas constatações, digamos que a nova direção de nosso Teatro Municipal nos traga esperanças, que nossas remanescentes Escolas de Música no Rio de Janeiro sobrevivam apesar de suas paredes rachadas, que nossos artistas em geral não abandonem seus ideais e que o Antônio Rodrigues encontre garra e determinação para continuar com este maravilhoso site Movimento.com, que nos impulsiona, nos informa, nos ensina e vem, durante anos, firme em seu propósito de não deixar que a música e a arte morram no Rio de Janeiro.

 

Notas do editor:
– o www.movimento.com agradece de coração à referência de nossa artista
– na foto do post: Leila Guimarães e Luciano Pavarotti

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