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Títulos do Acervo

  História da Música Ocidental
  Introdução à História do Baixo Contínuo
  A Música Barroca de Minas Gerais
  A técnica vocal na interpretação da música renascentista e barroca
  História dos instrumentos
  A "chanson"- uma manifestação musical tipicamente francesa
  Os timbres vocais segundo Manuel P. R. Garcia
  Diferenças da técnica de mão direita do arco da viola e do violino



   
Sobre o autor

Guilherme Daniel B. Mannis
 
 
 
 
 
 
  

Conteúdo especial
::: História da Música :::
 
 

Introdução a História do Baixo Contínuo
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1. Origem

O baixo contínuo tem seu surgimento diretamente ligado ao renascimento e à busca de antigas teorias gregas, nas quais, como afirmavam os teóricos renascentistas, havia a predominância de um solista acompanhado por um instrumento.

A prática de contínuo provavelmente começou a se desenvolver na música secular italiana no início do século XVI, vindo a ecoar na música sacra apenas no final do século.

Dois fatores principais foram essenciais ao surgimento do contínuo:

 

1)      Renascimento da monodia acompanhada[1]

 

 Na idade média e início de renascimento era mais relevante numa composição musical a igualdade entre as vozes e a complexidade contrapontística. Já no renascimento tardio/ início do barroco há uma grande valorização da monodia acompanhada, que seria derivada da prática musical grega. O baixo contínuo seria então o acompanhamento desta monodia, inicialmente realizado em instrumentos da família dos alaúdes (chitarrone, teorba) e posteriormente em instrumentos de teclado (cravo, órgão, regal[2]).

 

2)      Praticidade

 

A maioria das canções acompanhadas no século XVI vinha com um acompanhamento a quatro vozes, como se todas as vozes do coro estivessem concentradas em um só instrumento. No entanto, a execução nem sempre era possível, pois havia instrumentos acompanhantes de várias naturezas, como instrumentos de cordas dedilhadas (alaúde, chitarrone, cítara, harpa, lira) e de teclado. A execução das quatro vozes também já não era mais importante, pois a importância maior estava na melodia solista. Para que estes problemas fossem solucionados criou-se um sistema mais simples e eficaz para os acompanhamentos.

Além disso houve um grande aumento na produção musical, de modo que a maioria das cortes possuia um certo número de músicos profissionais e um órgão. O desenvolvimento do contínuo ofereceu uma maior praticidade musical nas seguintes funções:

a)      segurar a afinação de coros;

b)      substituir instrumentos originalmente especificados pelo compositor para uma performance em outro local (dependendo da acústica de cada local, o que variava muito);

c)      substituir cantores por vozes instrumentais; na falta de um cantor sua voz seria executada ao órgão;

d)      substituir inteiramente um coro (celebrações menores, impossibilidade da presença do corpo musical).

Havia também um problema em relação aos organistas: possuiam uma linguagem própria de notação (tablatura) de modo que todos os acompanhamentos deveriam ser transcritos para esta linguagem. O baixo contínuo eliminou esta transcrição e poupou os organistas de possuirem várias coleções de transcrições para órgão.

As três primeiras publicações de baixos cifrados, isto é, que possuem cifras explicando diretrizes para o acompanhamento, ocorreram entre outubro de 1600 e fevereiro de 1601, e são as seguintes: Rappresentatione di Anima et di Corpo, de Emilio de Cavalieri[3], Euridice, de Giulio Caccini[4], e Euridice, de Jaccopo Peri[5].

No início não havia cifragem dos baixos; a técnica só começou a ser amplamente utilizada a partir de 1610 (mesmo após a popularização da técnica, os compositores continuaram a grafar de uma forma incompleta). Anteriormente possuíamos apenas bemóis e sustenidos[6] alterando a natureza do acorde. É também provável que a técnica de cifragem seja também alguns anos anterior a 1600, pois foram encontrados alguns manuscritos de Caccini que já possuiam este tipo de notação. Vale ressaltar que os três compositores pertenciam à Camerata Fiorentina, de modo que o método de cifragem pode ter saído desta academia de eruditos.

 



[1] O termo monodia acompanhada não significa uma única voz acompanhada. Às vezes havia duas  ou três vozes. O termo significa que as obras possuiam um caráter mais recitativo.

[2] O regal é um pequeno órgão portátil de um só registro, que na maioria das vezes era de palheta, com um timbre bem anasalado.

[3] Emilio de Cavalieri (1550-1602). Compositor e humanista italiano. Pertencente à Camerata Fiorentina ou Camerata dos Bardi, contribuiu com suas obras escritas para o desenvolvimento do stilo recitativo e da ópera.

[4] Giulio Caccini (1545-1618). Compositor  e cantor italiano. É um dos mais importantes representantes das novas concepções musicais que, como conseqüência dos debates literários, estéticos e filosóficos dos músicos da Camerata Fiorentina, de que fazia parte, procuravam restaurar a música grega, produzindo assim uma nova concepção musical, a do stillo recitativo, vital para a história da música.

[5] Jaccopo Peri (1561-1633). Compositor integrante da Camerata Fiorentina, com idéias semelhantes aos colegas.

[6] Os bemóis e sustenidos colocados sob as notas dizem respeito a alteração das terças, por isso a alteração da natureza do acorde.




 Índice

1. Definições
2. Origem
3. Desenvolvimento
4. Instrumentos
5. Técnicas de execução
    5.1. 1° período: até 1650
    5.2. 2° metade do século XVII
    5.3. Século XVIII

Apêndice : Teoria elementar do baixo contínuo
Bibliografia



 




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