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Títulos do Acervo

  História da Música Ocidental
  Introdução à História do Baixo Contínuo
  A Música Barroca de Minas Gerais
  A técnica vocal na interpretação da música renascentista e barroca
  História dos instrumentos
  A "chanson"- uma manifestação musical tipicamente francesa
  Os timbres vocais segundo Manuel P. R. Garcia



   
Sobre o autor

Guilherme Daniel B. Mannis
 
 
 
 
 
 
  

Conteúdo especial
::: História da Música :::
 
 

Introdução a História do Baixo Contínuo
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1.     Instrumentos

Neste item abordarei a orquestração do contínuo, isto é, quais foram os instrumentos utilizados ao longo do tempo. Primeiramente falaremos sobre a música sacra, na qual o órgão foi predominante. Este instrumento foi o principal acompanhante das funções litúrgicas da igreja.

Alguns órgãos possuiam também um jogo de cordas de cravo para o organista utilizar durante os recitativos. Em alguns locais não era permitido que se tocasse órgão durante a quaresma. Há também alguns estudos sobre a utilização da harpa nas funções litúrgicas, sobretudo nos países da Península Ibérica.[1]

Em relação a registração do órgão, podemos dizer que foi um tema sempre muito controverso, pois compositores e tratadistas da mesma época possuiam idéias e opiniões bem diferentes. Compositores e tratadistas como Gasparini, Viadana e Praetorius afirmavam que não se deveria acrescentar registros mas sim quantidade de vozes. Já Monteverdi recomenda na execução do Vespro della Beata Vergine que sejam utilizadas três registrações[2] distintas para o órgão:

 

1)      Principale - um principal de 8 pés;

2)      Intermediária - Principal 8' 4' 2';

3)      Organo Pleno - todos os registros de Principal mais as misturas.

 

Alguns tratadistas, como Mattheson (1721), C. P. E. Bach (1762) e Adlung (1763), falam em seus tratados que o organista deve executar toda a voz do baixo na pedaleira, acrescentando 16'. Se não fosse possível a execução na pedaleira devido a dificuldade do trecho, o organista deveria acrescentar um 16' pés no manual. Como se pode observar, é uma visão muito mais tardia e de um caráter mais romântico (quanto mais som, melhor).[3]

No entanto, é preferível que o organista escolha algo mais suave que o principal, como flautas e bordões[4]. Principais são muito sonoros para a execução do contínuo, cuja função é acompanhante e não solista. Para partes solenes o organista deve utilizar registros de 8, 4 e 2 pés, enquanto que para trechos com menor volume deve utilizar apenas 8 pés. A registração depende muito também da acústica da sala (sala mais secas necessitam de mais registros) e do número de instrumentistas e cantores acompanhados pelo órgão: quanto maior, mais registros. Para trechos que possuam partes alternadas de tutti e solo o organista deve preparar dois teclados com registrações distintas: uma mais forte e uma piano.

O cravo é outro instrumento de destaque na instrumentação de contínuo, Cravos com alguns registros e dois teclados têm a possibilidade de alteração de dinâmica. O cravo foi amplamente utilizado nas funções de contínuo, principalmente em obras com caráter mais recitativo. Quase todo o repertório de contínuo foi composto para ser executado neste instrumento[5].

Sempre houve uma grande variedade de instrumentos acompanhantes, mais a combinação principal estabilizou-se em um instrumento de teclado e um instrumento de cordas friccionadas numa tessitura grave (gamba baixo ou cello).

Um ponto importante a ser ressaltado é a família dos instrumentos de cordas dedilhadas. Instrumentos como alaúde, chitarrone, cítara, harpa, tiveram grande importância no desenvolvimento da técnica. Em certas peças o regente, possuindo três instrumentos executantes de contínuo diferentes como um órgão, um cravo e um chitarrone, pode lidar com a instrumentação diminuindo ou aumentando o volume do acompanhamento (para trechos em piano, apenas o chitarrone; para trechos mais fortes os três instrumentos).

Temos alguns outros instrumentos acompanhantes e executantes de contínuo principalmente na música profana, tais como fagote, sacabuxa e  regal.

É necessário também dizer que o piano foi (e é) um costumeiro executante de contínuo, principalmente em apresentações modernas que não têm preocupação em fidelidade à partitura.

Para encerrar este item, gostaria de salientar a importância da orquestração de contínuo nas apresentações de música barroca. Como já disse anteriormente, o regente, desde que possua alguns instrumentistas de contínuo, deve saber lidar com este artifícios  para o embelezamento da obra. É de praxe que o órgão seja utilizados para as partes de coro e orquestra, enquanto os recitativos são acompanhados pelo cravo; no entanto, há muitas combinações possíveis que podem ser utilizadas pelos regentes.[6]

 



[1] Conseqüentemente, nos países colonizados por espanhóis e portugueses, caso da América Latina e Brasil, deveriam ser utilizadas harpas nas funções litúrgicas. Há estudos nesta área desenvolvidos pelo musicólogo Paulo Castagna, que já mostram que a harpa era muito utilizada, sobretudo nos ensaios e nas funções mais simples.

[2] Em relação a registração organística, um registro é um conjunto de tubos com uma altura e timbre determinados, que cobrem toda a extensão do teclado (um tubo para cada nota). Em relação a numeração dos registros, que diz respeito a altura, 8 pés (ou 8') significa que o tubo do órgão correspondente a nota mais grave (dó 1) possua um comprimento de 8 pés, ou 2,4 metros. Quando executada, a nota soará na oitava real (por exemplo, o lá 3 soará 440 Hz). Se temos um registro de 4', tudo soará uma oitava acima, pois a primeira nota do teclado terá um tubo correspondente a 4', ou 1,2 m (metade do tamanho). Como a freqüência é inversamente proporcional ao tamanho dos tubos, teremos no lá 3 não mais 440Hz, mas sim 880. Já um tubo de 16' soa uma oitava abaixo e assim por diante.  

[3] Há organistas atualmente que, por falta de conhecimento, insistem nesta tese ( e freqüentemente acabam se perdendo na música ou atrasando o coro). É necessário muito estudo e prática para executar todo o contínuo na pedaleira, e o resultado sonoro é duvidoso.

[4] Gedackt, em alemão.

[5] Na verdade os compositores , apesar de ao compor pensarem no cravo como expressão musical, compunham para o chamado Clavier . Esta palavra significava que o trecho poderia ser executado em qualquer instrumento de teclado. A instrumentação não era um dos fatores preponderantes no período barroco.

[6] Um exemplo importante é o regente Gabriel Garrido (Argentina), que em suas apresentações de música colonial hispânica utiliza sem preconceitos a harpa paraguaia.




 Índice

1. Definições
2. Origem
3. Desenvolvimento
4. Instrumentos
5. Técnicas de execução
    5.1. 1° período: até 1650
    5.2. 2° metade do século XVII
    5.3. Século XVIII

Apêndice : Teoria elementar do baixo contínuo
Bibliografia



 




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