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  A "chanson"- uma manifestação musical tipicamente francesa
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Sobre o autor

Guilherme Daniel B. Mannis
 
 
 
 
 
 
  

Conteúdo especial
::: História da Música :::
 
 

Introdução a História do Baixo Contínuo
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Apêndice

Apêndice

Teoria elementar do baixo contínuo

1.Formação dos acordes

Como já defini anteriormente, o baixo contínuo evidencia ao executante a harmonia que deve aparecer no trecho musical. Desta forma o executante montará acordes a partir de uma linha de baixo pré-estabelecida, e estes acordes obedecerão às relações intervalares fornecidas pelas cifras (ou por sua própria omissão). Neste item explicarei o método de formação dos acordes e algumas convenções de época, concernentes às relações intervalares entre as notas.

Primeiramente devo explicar que todo intervalo é designado por números: para uma segunda o número 2, para uma terça o número 3, e assim por diante.

Em seguida, o intérprete deve descartar todos os conceitos de teorias harmônicas vigentes, como a harmonia tradicional e harmonia funcional. Não há no baixo contínuo o conceito de inversão de acordes e acordes sem fundamental (todos os acordes possuem fundamental, que é sem exceções a nota do baixo). Para  uma melhor compreensão, observe o exemplo 1.1.


Exemplo 1.1

 


Na harmonia tradicional, este acorde é considerado um acorde de dó com a quinta no baixo; já na harmonia funcional este acorde é considerado uma dominante com quarta e Sexta, se estiver em um ponto cadencial. No baixo contínuo ele é encarado como um acorde em fundamental, com quarta e sexta, um "sol - quatro e seis" ou "seis - quatro".


Passarei então às convenções de época. Devemos observar que muitas do baixo não possuem cifras ou possuem cifras insuficientes.

Exemplo 1.2 (J.B.Lully, Ballet des Plaisirs, 1655)

Observe como há muitas notas que não possuem grafia, enquanto outras apenas um sinal ou número. Na tabela a seguir serão explicadas estas convenções de época:

 

 

Inscrições sob as notas

Significado

Sem cifras

Acorde  5-3

6

6-3

7

7-5-3

2

6-4-2

4

8-5-4 (quase sempre o 4, dissonância, vai para a consonância, 3, sendo o acorde seguinte um 8-5-3)[1]

9

9-5-3 (O nove também costuma resolver no oito, consonância)

Sinais como #, b     e  n

Alteram a terça do acorde.  5-#3

Acidentes ao lado dos números

Alteração apenas do intervalo

Números cortados

Intervalo sustenizado:           6 cortado equivale a #6 [2]

 

Em relação aos dobramentos, para acordes que não possuam dissonâncias, há a seguinte tabela, que não deve ser seguida com extremo rigor:

Acorde

Dobramento

5-3

Oitava (8)

6-3

Terça ou sexta (3 ou 6)

6-4

Oitava (8)

 

2. Execução[3]

O método mais simples e costumeiro de execução do baixo contínuo consiste no continuista executar o baixo com a mão esquerda e montar a harmonia (acordes) com a mão direita. O iniciante deve começar executando cadências simples ao teclado, tais como I-IV-V-I,  I-II-V-I, em todas as posições[4] e em todas as tonalidades. Posteriormente deve começar a executar contínuos bem simples, que não possuam muita cifragem. No encadeamento entre acordes vale a antiga regra da menor movimentação possível entre as vozes e, quando possível, da preparação e resolução de dissonâncias. É necessário também que o iniciante já pense no caráter melódico da linha improvisada, que é de extrema importância nesta técnica (É importante que o executante tenha uma base sólida de contraponto).

Posteriormente o estudante deve executar contínuos com maior cifragem, como os de J. S. Bach. Quando superar esta fase, deve então recorrer aos Mozart (missas), que além de possuir cifragem excessiva, trocam várias vezes de clave (Mozart em um trecho da Grande Missa em Dó utiliza quatro claves diferentes: 3 de dó e clave de fá). Um bom treino também são os contínuos não cifrados de Bach, nos quais o continuista deve deduzir a harmonia a partir da melodia e do baixo fornecido[5].

 



[1] O 4 na maioria das vezes é um tipo de dissonância conhecida no contraponto como retardo.

[2] Há exceções nesta regra.

[3] É importante que o iniciante já possua grande familiaridade com o teclado.

[4] Posições de oitava: a nota do soprano forma uma oitava com o baixo. Na posição de quinta a nota forma um intervalo de quinta com o baixo e assim por diante.

[5] Bach não cifrava porque possivelmente era o próprio executante dos trechos.




 Índice

1. Definições
2. Origem
3. Desenvolvimento
4. Instrumentos
5. Técnicas de execução
    5.1. 1° período: até 1650
    5.2. 2° metade do século XVII
    5.3. Século XVIII

Apêndice : Teoria elementar do baixo contínuo
Bibliografia



 




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