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Conteúdo especial ::: História da Música :::
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A Música Barroca de Minas Gerais
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1. Uma Introdução: redescobrindo o passado musical brasileiro
No século XVIII, a capitania brasileira de Minas Gerais foi o destino de aventureiros numa corrida ao ouro, que gerou fortunas em Portugal e em seu principal fornecedor de produtos manufaturados, a Inglaterra, e também criou uma sociedade rica e refinada no próprio território das minas.
Esta sociedade gerou mestres artesãos, destacando-se o escultor e arquiteto Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e o pintor Manuel da Costa Ataíde. Eles construíram inúmeras igrejas ricamente ornadas com o ouro da região, no estilo maneirista então predominante em Portugal.
A música estava presente nas cerimônias religiosas e em eventos especiais. Mas, como a imprensa não era permitida na colônia, ela circulava somente em manuscritos e, por esta limitação, passou mais de um século esquecida em antigos arquivos e baús. É o caso, por exemplo do compositor Joaquim de Paula Souza, cuja antífona de São Joaquim, Laudemus Virum Gloriosum <> acabou por chegar até nós, junto com outras poucas.
A partir de 1939, o musicólogo alemão (naturalizado uruguaio) Francisco Curt Lange(1903-1997), partindo da idéia de que uma civilização que gerou artistas como o Aleijadinho deveria ter gerado também mestres na arte da música, viajou pelo interior de Minas Gerais, adquirindo partituras das famílias dos antigos músicos.
Lange percorreu cidades como Prados, Mariana, São João d"El Rey e Tiradentes. No final dos anos 50, ele havia reunido milhares de partituras, cujo provável destino seria a destruição. Descobriu toda uma geração de músicos que, sem o seu zeloso trabalho, estaria condenada ao esquecimento.
Este é a introdução de uma série de artigos, nos quais será narrada a história da música barroca de Minas Gerais e seus principais compositores. Eles foram mestres de um estilo sem paralelo na história da música mundial, um verdadeiro amálgama das culturas portuguesa, indígena e africana, formadoras do nosso país.
Índice
1. Uma Introdução: redescobrindo o passado musical brasileiro
2. As origens: de 1553 a 1720
3. A hegemonia da Igreja: de 1720 a 1749
4. A música religiosa das Irmandades: de 1750 a 1810
5. Compositores de 1750 a 1810
5.1 José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita
5.2 Manoel Dias de Oliveira
5.3 Marcos Coelho Neto (1740-1806)
5.4 Francisco Gomes da Rocha (1746-1808)
5.5 Ignácio Parreiras Neves (1730-1794)
5.6 Jerônimo de Souza Lôbo (? - 1810)
5.7 Joaquim de Paula Souza (1760-1820)
6. A Música Profana: 1750 a 1810
7. A música do século XIX
8. As orquestras bicentenárias
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