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Conteúdo especial ::: História da Música :::
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A Música Barroca de Minas Gerais
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2. As origens: de 1553 a 1720
A introdução da música, nos moldes europeus, no território das Minas Gerais, coincidiu com a primeira entrada na região em busca de prata, em 1553.
A expedição de Francisco de Espinosa partiu da vila de Porto Seguro e, subindo o rio Jequitinhonha, passou dois anos no interior, retornando pelo rio Pardo. O capelão da entrada era o jesuíta Juan Azpicuelta, de Navarra, parente de Ignácio de Loyola e carregava sempre em suas viagens um pequeno órgão.
Após a conversão dos nativos, a expedição fez construir em 1554, num ponto ao norte de Minas Gerais, uma pequena capela. Nela o capelão entoava cânticos à Virgem na língua dos indígenas, sendo acompanhado por eles. Azpicuelta morreu em 1555, logo após retornar a Porto Seguro.
Mas os verdadeiros desbravadores do território, os paulistas, costumavam utilizar as armas e não a música, para pacificar os nativos. Nos quase 150 anos que se seguiram antes da descoberta do ouro, suas expedições tornaram o território conhecido e praticamente exterminaram as tribos nativas Catauás.
Em algumas vilas que apoiavam estas expedições, como Mogi das Cruzes, foram encontrados manuscritos de música muito antigos, o que nos permite supor haver música nas cerimônias religiosas. Mogi das Cruzes produziu, já no século XVIII, o mais antigo compositor brasileiro cujas obras chegaram aos nossos dias, Faustino do Prado Xavier (1708-1800), cuja música sabemos ter sido apresentada em Minas.
Com a descoberta do ouro, deslocou-se para o território um grande número de portugueses, cristãos novos, paulistas e escravos. Sendo a maioria homens solteiros, tornaram-se comuns as ligações com escravas africanas ou mulatas livres, o que fez aumentar a população mestiça, libertada, ao nascer, por seus senhores.
Entre estes pardos inteligentes e fortes, destacaram-se pintores, escultores e músicos de valor, cujo talento conferiu às suas obras um caráter original e autóctone: eles foram os primeiros a criar uma arte brasileira.
Os primeiros músicos a chegar às Minas procediam de outros territórios brasileiros, como o Rio de Janeiro e a região Nordeste. Pouco se sabe sobre a atividade musical na primeira metade do século XVIII, embora existam registros de professores de música em Vila Rica em 1716.
Há também notícias de que, em 1717, já havia uma corporação de músicos em São João d"El Rey, regida por Antônio do Carmo, e que recebeu o Conde de Assumar com um Te Deum na Igreja Matriz. O mesmo Antônio recebeu em 1728 "quarenta oitavas de ouro" para reger a música nas festividades de São João, com orquestra e dois coros.
Nas festas religiosas, era comum a encenação de "autos" ligados sempre à música, sendo populares os de Calderón de la Barca. Nos adros das igrejas, apresentavam-se danças de origem portuguesa ou afro-brasileira, como o "Lundu", consideradas "imorais" (impróprias) pelos clérigos.
Com algumas exceções, toda a documentação da música colonial brasileira data da segunda metade do século XVIII. Admite-se que antes deste período ouviam-se nas igrejas polifonias portuguesas. Mesmo algumas obras antes consideradas de autores mineiros são de origem portuguesa, como por exemplo um Popule Meus, atribuído a Francisco Gomes da Rocha, que descobriu-se ter como autor o português Gines de Morata, do século XVI.
Estas foram as fontes musicais que inspirariam os grandes músicos mulatos que surgiram na segunda metade do século XVIII, como José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, Marcos Coelho Neto e Manoel Dias de Oliveira.
Índice
1. Uma Introdução: redescobrindo o passado musical brasileiro
2. As origens: de 1553 a 1720
3. A hegemonia da Igreja: de 1720 a 1749
4. A música religiosa das Irmandades: de 1750 a 1810
5. Compositores de 1750 a 1810
5.1 José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita
5.2 Manoel Dias de Oliveira
5.3 Marcos Coelho Neto (1740-1806)
5.4 Francisco Gomes da Rocha (1746-1808)
5.5 Ignácio Parreiras Neves (1730-1794)
5.6 Jerônimo de Souza Lôbo (? - 1810)
5.7 Joaquim de Paula Souza (1760-1820)
6. A Música Profana: 1750 a 1810
7. A música do século XIX
8. As orquestras bicentenárias
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