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Conteúdo especial ::: História da Música :::
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A Música Barroca de Minas Gerais
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3. A hegemonia da Igreja: de 1720 a 1749
Religião oficial do Estado, a Igreja Católica vivia em regime de padroado, herdado de Portugal. Os bispos e vigários recebiam a "côngrua", como qualquer funcionário público, dependendo financeiramente do Rei. Este, por sua vez, tinha o título de "Grão-Mestre da Ordem de Cristo": era o comandante da cruzada evangelizadora das terras descobertas por Portugal.
A atividade mineradora gerou uma sociedade urbana unida em torno de uma capela, marco inicial da povoação. A padroeira destas capelas era uma invocação a Nossa Senhora, sob variados títulos, sendo freqüente o de N. Srª da Conceição, devoção importante em Portugal.
Com o aumento da população, os povoados eram promovidos a vilas, pré-requisito para possuírem uma igreja matriz. Em 1711, atingiram esta condição as vilas de Ribeirão do Carmo (Mariana), Vila Real de N. Srª da Conceição de Sabará e Vila Rica de N. Srª do Pilar de Ouro Preto e, em 1714, o arraial do Serro Frio passou a se chamar Vila do Príncipe.
O território das Minas foi dividido em quatro imensas comarcas (municípios): Vila Rica, Rio das Mortes, Sabará e Serro Frio. Em 1720, a região das minas foi desmembrada da capitania de São Paulo, sendo criada a capitania das Minas Gerais, cujo governo, com sede em Vila Rica, era subordinado diretamente a Portugal.
As capelas e ermidas foram sendo gradualmente substituídas pelas igrejas matrizes, já ornamentadas com o ouro extraído da região.
A ordem dos Jesuítas empenhou-se em erradicar o analfabetismo com seus colégios, onde ensinavam desde as primeiras letras até a gramática e o latim. Desde o século XVII a música era ensinada por seus mestres de capela. A ordem dos Franciscanos criou uma "Escola de Artes e Ofícios" em Vila Rica, em 1737. Entre os "ofícios", figurava o da música. Este ensino criou primeiro uma geração de músicos e, a partir da segunda metade do século XVIII, os mestres compositores, vistos sempre como artesãos.
No entanto, era preocupante a situação moral na capitania. As leis civis não eram observadas, e a concubinagem era generalizada.
Em 1727, frei Antônio de Guadalupe, bispo do Rio de Janeiro, denunciou ao Santo Ofício os comediantes ciganos de Vila Rica e outras partes da capitania, ameaçando de excomunhão a quem os assistisse. Os bispos pediram ao Rei e ao Vaticano autorização para fundar uma diocese na região, concedida em 1748, com a elevação da vila de Ribeirão do Carmo a cidade, com o nome de Mariana, sede do bispado.
Em 1749, a posse do Bispo D. Manuel da Cruz foi comemorada com três dias de festas, com teatro e música, ficando a celebração conhecida como "Áureo Trono Episcopal".
D. Manuel levou para Mariana uma coleção de músicas que incluía um passionário (com música para a paixão narrada pelos quatro evangelistas) assinado por Francisci Ludovici, ou Francisco Luís, compositor português do séc. XVII, o Cum descendentibus in lacum, de Gines de Morata (séc XVI), e o Manuscrito de Piranga, provável coleção de obras portuguesas setecentistas para a Semana Santa.
A instituição do bispado em Mariana consolidou a hegemonia cultural da Igreja, explicando porque a arte em Minas Gerais teve caráter quase que totalmente religioso.
Índice
1. Uma Introdução: redescobrindo o passado musical brasileiro
2. As origens: de 1553 a 1720
3. A hegemonia da Igreja: de 1720 a 1749
4. A música religiosa das Irmandades: de 1750 a 1810
5. Compositores de 1750 a 1810
5.1 José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita
5.2 Manoel Dias de Oliveira
5.3 Marcos Coelho Neto (1740-1806)
5.4 Francisco Gomes da Rocha (1746-1808)
5.5 Ignácio Parreiras Neves (1730-1794)
5.6 Jerônimo de Souza Lôbo (? - 1810)
5.7 Joaquim de Paula Souza (1760-1820)
6. A Música Profana: 1750 a 1810
7. A música do século XIX
8. As orquestras bicentenárias
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