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Conteúdo especial ::: História da Música :::
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A Música Barroca de Minas Gerais
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4. A música religiosa das Irmandades: de 1750 a 1810
Um dos primeiros atos do bispo D. Manuel da Cruz no bispado de Mariana foi a nomeação dos mestres de capela para três das comarcas: Manuel da Costa Dantas para Vila Rica, José de Souza Campos para Serro Frio e o pe. Gregório dos Reis e Melo para Sabará. Somente em 1753, o pe. Julião da Silva e Abreu seria nomeado para a comarca do Rio das Mortes (S. João d"El Rey).
Em 1759, por ordem do Marquês de Pombal, os Jesuítas e demais ordens religiosas foram expulsos do reino de Portugal e colônias. Este fato transferiu a responsabilidade de toda a atividade religiosa para as organizações de leigos: as irmandades.
As irmandades eram associações em torno de um Santo, organizadas de acordo com a cor dos seus integrantes: irmandades dos homens pretos, dos homens pardos e dos brancos, em uma clara demonstração do preconceito racial da época.
A Irmandade de Santa Cecília, padroeira dos músicos, foi fundada em Vila Rica em 1749, com sede na Igreja Matriz do Pilar. Seus estatutos foram aprovados pela Diocese e confirmados pelo rei em 1761. Os músicos desta participavam também da Irmandade de São José dos Bem-Casados, uma irmandade de pardos, o que mostra ser a música uma atividade de pardos livres que ocupavam uma posição modesta na sociedade, ao lado dos demais artesãos.
A Irmandade dos Músicos foi também instalada em Mariana em 1749, mas não vingou. Em São João d"El Rey, os músicos pertenciam à Irmandade de N. Sra. da Boa Morte, até a fundação da de Sta. Cecília, em 1829. Os músicos de Sabará pertenciam à Irmandade de Sta. Cecília de Vila Rica.
As festas religiosas oficiais eram sempre acompanhadas de música. Promovidas pelos "Senados das Câmaras" (assembléias) das respectivas vilas, eram colocadas em "arrematação", vencendo quem oferecesse o menor preço. No caso da música, o diretor do conjunto musical apresentava uma lista de instrumentistas e cantores, dos quais era o "arrematante", devendo fornecer garantias e assinar um "termo de arrematação" em cartório.
As festas oficiais do reino para as quais havia encomendas, eram:
Festa da procissão de Corpus Christi;
Festa do Anjo Custódio (anjo da guarda) do Reino;
Festa da Visitação de Santa Isabel;
Festa de S. Francisco de Borja, padroeiro do Reino;
Festa do Patrocínio de Nossa Senhora;
Festa de N. Sra. da Conceição, padroeira do Reino.
Além destas, as Irmandades promoviam a Semana Santa em todas as vilas, a Festa do Divino Espírito Santo, realizada desde 1711 em Sabará, as "Razoras" ou "Razoulas" (procissões em torno das igrejas), também em Sabará, promovidas pela Irmandade da Ordem Terceira do Carmo e a "Encomendação das Almas" e os "Cânticos da Verônica", em São José d"El Rey (Tiradentes).
Além deste calendário, eram comemorados com música os nascimentos, casamentos, posses, etc. na família Real. Alguns exemplos destas festividades avulsas:
Festa dos Desposórios do Infante (1786), em comemoração ao casamento de D. João e D. Carlota Joaquina;
Funerais de D. Pedro III (1787);
Te Deum pelo Malogro da Inconfidência Mineira (1792), por ocasião da chegada do corpo de Tiradentes a Vila Rica;
Destas festas participaram músicos como Ignácio Parreiras Neves, Florêncio José Coutinho e Marcos Coelho Neto.
Índice
1. Uma Introdução: redescobrindo o passado musical brasileiro
2. As origens: de 1553 a 1720
3. A hegemonia da Igreja: de 1720 a 1749
4. A música religiosa das Irmandades: de 1750 a 1810
5. Compositores de 1750 a 1810
5.1 José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita
5.2 Manoel Dias de Oliveira
5.3 Marcos Coelho Neto (1740-1806)
5.4 Francisco Gomes da Rocha (1746-1808)
5.5 Ignácio Parreiras Neves (1730-1794)
5.6 Jerônimo de Souza Lôbo (? - 1810)
5.7 Joaquim de Paula Souza (1760-1820)
6. A Música Profana: 1750 a 1810
7. A música do século XIX
8. As orquestras bicentenárias
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