A Música Barroca de Minas Gerais
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5.1 José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita
O maior dos compositores mineiros nasceu na Vila do Príncipe (atual Serro Frio), em 12/10/1746, e morreu no Rio de Janeiro em ?/04/1805. Mulato, filho de Joseph Lobo de Mesquita e de sua escrava Joaquina Emerenciana, foi libertado por seu pai ao nascer.
Iniciou-se em música com o padre Manuel da Costa Dantas, mestre-de-capela da Matriz de Nossa Senhora da Conceição do Serro, participando ainda criança das atividades musicais na Matriz.
Antes de 1776 mudou-se para o Arraial do Tejuco (atual Diamantina). Em fins de 1783 ou início de 1784, foi admitido como organista na Matriz de Santo Antônio, sendo responsável pela instalação de seu órgão e, em 17/1/1789, ingressou na Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo. É provável que nesta época tenha estabelecido um curso de música em sua casa.
Alistou-se no Terço de Infantaria dos Pardos, onde chegou à patente de Alferes.
Com o declínio da mineração, deixou o Arraial e a Ordem do Carmo em meados de 1798, residindo durante um ano e meio na capital da Província, Vila Rica (atual Ouro Preto). Trabalhou como regente para a Irmandade do Santíssimo Sacramento, sediada na matriz de Nossa Senhora do Pilar, no período 1798-1799, e também para a Ordem Terceira do Carmo.
Em meados de 1800 abandonou Vila Rica, mudando-se para a capital da colônia, o Rio de Janeiro. De dezembro de 1801 até sua morte, foi o organista da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, no Largo do Carmo (atual Praça XV) com um salário de 40 mil-réis anuais, ficando claro que alcançou sua posição graças à grande fama que precedeu sua chegada.
De Lobo de Mesquita restaram cerca de 50 obras, mas são poucas as que se acham completas. Jamais se encontrou uma partitura autógrafa. Existem apenas dois originais do compositor, a Antífona de Nossa Senhora de 1787 e a Dominica in Palmis de 1782. Existe uma cópia em partitura do seu Tractus para o Sábado Santo de 1783, a mais antiga partitura mineira.
Apesar de não haver qualquer registro, é provável que tenha ensinado seu ofício ao jovem mestre de capela da Sé do Rio de Janeiro, o padre José Mauricio Nunes Garcia, uma vez que na época este procurava aperfeiçoar-se no órgão. Reforça esta teoria o fato de que uma das composições catalogadas como sendo deste último (Matinas para Quarta Feira de Trevas, CPM 214), é de fato da autoria de Lobo de Mesquita.
Suas obras
Antífonas:
Beata Mater, s/d.
Regina Coeli, laetare, 1779
Salve Regina, 1787
Antífonas, para Quarta e Quinta-feira Santas, s/d.
Antífonas, para Quarta, Quinta e Sexta-feira Santas, s/d.
Ária
Ária ao Pregador - Ave Regina, s/d.
Graduais, Tertius
Difusa est Gratia Tércio, 1783
Domine, tu mihi lavas pedes, s/d.
Christus factus est e Ofertório, p/ Quinta-feira Santa, s/d.
Christus factus est, p/ Quinta-feira Santa, s/d.
Haec dies, em ré, p/ Domingo da Ressurreição, s/d.
Ladainhas
Ladainha do Bom Jesus, s/d.
Ladainha em dó, s/d.
Ladainha em fá, s/d.
Ladainha em lá menor, s/d.
Ladainha em si bemol, s/d.
Magnificat
Magnificat em ré, s/d.
Magnificat em lá, s/d.
Matinas, Vésperas
Matinas da Ressurreição em lá, s/d.
Matinas da Ressurreição em ré, s/d.
Matinas da Ressurreição em sol, s/d.
Matinas da Ressurreição em mi bemol, s/d.
Vésperas de Sábado Santo, 1783
Missas, Credos
Missa de Sábado Santo e Magnificat, s/d.
Missa em fá, s/d.
Missa em mi bemol, s/d.
Credo em dó, s/d.
Credo em fá, s/d.
Ofertórios
Ofertório de Nossa Senhora-Benedicta et Venerabilis, s/d.
Ofertório Terra tremuit, em ré, s/d.
Ofícios e Missas de Defuntos Para a Semana Santa
Ofício de Quinta-feira Santa, ad Matutinum, s/d.
Ofício de Sábado Santo, ad Matutinum, s/d.
Ofício de Sexta-feira Santa ad Matutinum, s/d.
Ofício e Missa de Defuntos, s/d.
Ofício e Missa para Domingo de Ramos, 1782
Ofício e Missa para Domingo de Ramos, s/d.
Ofício e Missa para Quarta-feira de Cinzas, 1778
Outras Obras para a Semana Santa
Heu Domine, para a procissão do Enterro do Senhor, s/d.
Heus, para a Procissão do Enterro do Senhor, s/d.
Paixão Bradrados e Adoração da Cruz, para Sexta-feira Santa, s/d.
Procissão de Ramos-Cum appropinquaret, s/d.
Tractus de Sábado Santo, s/d.
Tractus para o Sábado Santo, s/d.
Outros
Memento a quatro, em sol menor, s/d.
Responsório
Responsório de Santo Antônio-Si quaeris miracula, s/d.
Seqüência
Seqüência Stabat Mater, s/d.
Setenário
Setenário de Nossa Senhora das Dores, s/d.
Salmos
Laudate Dominum, para o Sábado de Aleluia, s/d.
Salmo nº 112-Laudate Pueri, s/d.
Te Deum
Te Deum, em lá menor, s/d.
Te Deum em ré, s/d.
Índice
1. Uma Introdução: redescobrindo o passado musical brasileiro
2. As origens: de 1553 a 1720
3. A hegemonia da Igreja: de 1720 a 1749
4. A música religiosa das Irmandades: de 1750 a 1810
5. Compositores de 1750 a 1810
5.1 José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita
5.2 Manoel Dias de Oliveira
5.3 Marcos Coelho Neto (1740-1806)
5.4 Francisco Gomes da Rocha (1746-1808)
5.5 Ignácio Parreiras Neves (1730-1794)
5.6 Jerônimo de Souza Lôbo (? - 1810)
5.7 Joaquim de Paula Souza (1760-1820)
6. A Música Profana: 1750 a 1810
7. A música do século XIX
8. As orquestras bicentenárias
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