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Conteúdo especial ::: História da Música :::
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A Música Barroca de Minas Gerais
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6. A Música Profana: 1750 a 1810

Se da música religiosa mineira só conhecemos uma pequena parcela, mais obscura ainda é a música profana, da qual muito pouco chegou até os nossos dias. Um indício da freqüência de apresentações profanas nos é fornecido pelo aparecimento dos teatros e casas de ópera nas vilas.
Em Vila Rica existia desde a primeira metade do século XVIII um teatro, chamado "A Ópera", substituído em 1770 pela "Casa de Ópera" projetada pelo arquiteto Mateus Garcia. Um grande entusiasta e associado, o inconfidente Cláudio Manoel da Costa (1727-1789) teve vários de seus poemas dramatizados e apresentados com música neste teatro.
Em São João D”El Rey há notícias de um teatro a partir de 1775, tendo entre os associados o inconfidente Ignacio José de Alvarenga Peixoto (1744-1793).
O primeiro teatro de Sabará foi construído por volta de 1780, em estilo elizabetano. Em 1819, foi substituído pela Casa de Ópera, bem preservada até hoje (foto).
No arraial do Tejuco (Diamantina) existiu o "Teatrinho de Bolso", mandado construir pelo contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira para sua esposa, Chica da Silva. Nele sabe-se que foram apresentadas algumas obras teatrais do carioca Antonio José da Silva, o Judeu (1710-1739), musicadas pelo português Antônio Teixeira.
Finalmente em Paracatu houve uma Casa de Ópera por volta de 1780, onde atuava um conjunto organizado pelo padre Domingos Simão da Cunha.
Aparentemente havia uma separação entre os músicos dos teatros e os das irmandades. Numa ocasião, o regente da Casa de Ópera de Vila Rica, José Theodomiro Gonçalves, requisitou ao Senado da Câmara permissão para que seus músicos fizessem parte também das irmandades, "para se adestrarem".
Com relação às obras, eram populares as óperas de compositores portugueses como No Mundo da Lua, de Avendano, e títulos como Jogos Olympicos e A Ciganinha. Nas representações, uma novidade: os papéis femininos eram representados por mulheres, e não por falsetistas travestidos, como no restante do Ocidente.
Uma idéia da música apresentada em Vila Rica ao final do século XVIII nos fornece o inventário musical do músico e compositor Florêncio José Ferreira Coutinho (1750-1819). O inventário possuía três divisões: "Árias Italianas", “Música Portuguesa" e "Grades por Florêncio José Ferreira".
Na de "Música Portuguesa", figuravam obras de compositores portugueses e mineiros (pois os nascidos no Brasil eram considerados portugueses), entre os quais Ignácio Parreiras Neves, José Joaquim Emerico (Lôbo de Mesquita), e ele próprio.
As "Grades por Florêncio José Ferreira" eram compostas por 73 obras religiosas, 35 marchas militares e 149 "Pedaços de Música", sendo estes os mais interessantes para o assunto que tratamos.
Entre os "Pedaços", algumas obras-primas da bajulação política, como Os Dois Meneses (governadores de Minas), Nobre Assembléia e Das três Nações. O restante era constituído por "modinhas", que na época faziam mais sucesso na Europa que a bossa-nova atual.
Entre os títulos: Querida Aspásia; O Menino Quer Nanar; Oráculo do Amor; Se Queres Vida Folgada; Não Me Deixes, Ingrata; Ah! Que Lindas Cadelinhas; O Veneno Hei Bebido, e Ao Rogo e Pranto Teu (sem violinos), sugerindo que era comum que fossem acompanhadas por este instrumento.
Por fim, não deve ser esquecida a contribuição dos africanos para a formação musical brasileira, que apesar de pouco desenvolvida em termos de melodia, é riquíssima no aspecto rítmico. No período colonial brasileiro, tornou-se popular a dança Lundu, derivada de rituais eróticos africanos, muito comum em Minas.
Os artigos anteriores e este constituem uma visão geral da música barroca de Minas Gerais. A seguir, as vidas e obras dos grandes mestres da música mineira serão detalhadas.
Índice
1. Uma Introdução: redescobrindo o passado musical brasileiro
2. As origens: de 1553 a 1720
3. A hegemonia da Igreja: de 1720 a 1749
4. A música religiosa das Irmandades: de 1750 a 1810
5. Compositores de 1750 a 1810
5.1 José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita
5.2 Manoel Dias de Oliveira
5.3 Marcos Coelho Neto (1740-1806)
5.4 Francisco Gomes da Rocha (1746-1808)
5.5 Ignácio Parreiras Neves (1730-1794)
5.6 Jerônimo de Souza Lôbo (? - 1810)
5.7 Joaquim de Paula Souza (1760-1820)
6. A Música Profana: 1750 a 1810
7. A música do século XIX
8. As orquestras bicentenárias
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