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movimento.com - Curiosidade: A Marcha Fúnebre de Chopin Curiosidade

A Marcha Fúnebre de Chopin



A “Marcha Fúnebre” de Chopin é universalmente conhecida e executada por ocasião de infaustos de pessoas de todos os níveis. O que pouca gente lembra ou sabe, é que ela faz parte da Sonata No. 2, em Si Menor , Opus 35, para Piano, e foi composta antes dos outros três movimentos dessa obra, em 1837.

O gênero “sonata” principalmente para piano, entrara em franco declínio a partir do movimento romântico que tomou conta da Europa musical a partir de meados do século XIX, e parecia esgotada em seus recursos quase sem atrativos. Schumann, Liszt, Mendelssohn e Chopin trataram de socorrê-la, não para recuperar seu conceito perante o público, e sim, apenas a utilizando sob novos aspectos. Chopin escreveu três sonatas afastando-se do modelo clássico a que alguns compositores obedeciam fielmente. A primeira que compôs em 1827, não demonstrou muito de especial, mas já se caracterizou pelos primeiros traços de um estilo que depois se destacaria. Já as outras duas, datadas de 1839 e 1845, revelavam seu amadurecimento artístico.

OPINIÕES DESFAVORÁVEIS DE SCHUMANN E LISZT

Schumann tinha a Sonata No.2 como “qualquer coisa, menos uma sonata”, considerando-a com falta de continuidade e seguindo irônica observação feita por Liszt, de que “Chopin era incapaz de escrever sobre padrões clássicos". Ambos se referiam à incapacidade de Chopin, de acomodar-se à estrutura tradicional, escrevendo música nos moldes desta. Para Schumann, a Sonata N. 2 tinha o nome de sonata apenas porque Chopin queria: na sua opinião o compositor polonês havia feito quatro páginas avulsas e independentes numa seqüência de um embaraçoso enfeixe que, no entanto, nada tinha de sonata. Mas a crítica socorreu Chopin, demonstrando que ele estava certo: a unidade de suas sonatas residia no próprio fulcro emocional que as motivara.

UMA “MARCHA FÚNEBRE” CONTRASTANTE

Segundo alguns, a “Marcha Fúnebre” “fica aberta a qualquer coisa que a transcende” e tem sido fonte de discussões e polêmicas. Entranhada no centro de uma obra que sem ela já é de uma diversidade estrutural desconcertante, choca pelo contraste e agride pelo inesperado. Sabe-se que a “Marcha Fúnebre” nasceu antes dos outros movimentos e Chopin recusou-se a publicá-la em separado na ocasião de sua composição, época em que começara a sentir mais fortemente os efeitos da tuberculose que o afetava e de seu esperançoso romance com Maria Wodzinska que chegara ao fim. Chopin reteve a obra por dois anos para, finalmente, criar-lhe a fantástica moldura que são os outros três movimentos. Este fato elimina qualquer dúvida quanto à unidade pretendida, que aqui repousa no espírito da obra e não no seu aspecto externo, fato não notado por Schumann: a morte, inexorável, a esperar, e o desespero mal disfarçado, pela vida que, desapiedadamente, nos é negada..


Autor Aristides A. J. Makowich
em 3/2/2003


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