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movimento.com - Curiosidade: O destino infeliz da esposa de Johann Sebastian Bach Curiosidade

O destino infeliz da esposa de Johann Sebastian Bach



Johann Sebastian Bach (1685-1770) encontrava-se em Carlsbad, Boêmia, em julho de 1720, quando sua primeira esposa Maria Barbara, faleceu deixando órfãos os quatro filhos do "Kantor", da Igreja de Santo Thomás, de Leipzig. Escrevia nessa época a primeira coleção de "O Cravo Bem Temperado", o que lhe ajudava a aliviar o sofrimento da grande perda.

Embora fosse necessidade e costume na família casar logo de novo, Bach, como prova de profundo respeito a Maria Bárbara, só se decidiu ao matrimônia em dezembro de 1721. Sua noiva, Anna Magdelena Wilcken de 20 anos, filha de um trompetista da corte e descendente de músicos, era excelente soprano e era empregada da corte de Cöthen, posição que conservou após o casamento, auferindo metade dos que seu marido recebia.

Ao assumir a família, certamente deve ter tido dificuldades, principalmente com Wilhelm Friedemann, o mais velho, possivelmnte ressentido com a madrasta. Mas Magdalena conseguiu criar um ambiente alegre e confortável e governar parcimoniosamente a numerosa família. Teve que passar pela desagradável experiência de 13 partos e ver sete vezes um filho perecer.

Johann Sebastian, para minorar suas inquietações cotidianas, criava música simples e profundamente sentida. Pouco se sabe da aparência física de Magdalena, já que o retrato dela pintado por Cristofori, perdeu-se entre os pertences do filho Carl Philipp. Mas, mulher ativa, altamente musical, foi uma autêntica companheira de Johann Sebastian que atenuava as tensões e crises profissionais criadas pelo espírito combativo do Kantor de Santo Thomás. Soube enfrentar a existência de um filho excepcional-Gottfried Heinrich - que lhe causou muitos sofrimentos, mas teve também a alegria de ter dois filhos altamente dotados: Johann Christoph Friedrich (1732) o eminente futuro "Bach de Bückeburg" e Johann Chistian ( 1735), o famoso "Bach de Londres".

Um Destino Infeliz

Após a morte do Kantor em 1750, Anna Magdalena então com 49 anos, declarou que não mais se casaria, comprensível numa mulher que durante 29 anos fora leal e devotada a um homem da estatura de Johann Sebastian Bach. Tomara essa decisão consciente de que sua condição finaceira seria muito insegura. É verdade que Bach deixara um patrimônio razoável para um músico de igreja, mas havia nove filhos que reclamavam parte dos bens e, assim, a viúva ficou com um terço dos bens. Mas antes da avaliação aficial desse patrimônio,um total de 1007 thalers, os filhos mais velhos se apossaram das partes mais úteis e Magdalena ficou com algumas promissórias de devedores, ações de uma mina, instrumentos valiosos, pratas e jóias.

Gottfried, o débil mental, ficou com um cunhado seu e permaneceram com ela quatro moças cujo sustento foi muto difícil para a viúva. Embora tivesse recebido uma pequena ajuda das autoridades de Leipzig, teve que desocupar o apartamento da escola em feveweiro de 1751. Desfez-se então de todos os objetos de algum valor a preço vil. Os filhos não ajudaram a mãe que não conseguia comunicar-se com eles, em vista das dificuldades impostas pela guerra de 1756.

Assim, a pobre Magdalena teve que subsitir graças à caridade pública e, quando morreu em 1760, aos 59 anos de idade, a viúva do Kantor de Santo Thomás, era uma "pedinte" a quem foi dado um funeral de indigente.

É com profunda tristeza que se toma conhecimento desses fatos: emociona dolorosamente a ignomínia da dependência de Anna Magdalena como "pedinte", üm destino injusto para quem que como ela, foi a grande companheira incentivadora e principal biógrafa de Johann Sebastian Bach, o "Pai da Música Universal".


Autor Aristides A. J. Makowich
em 2/11/2003


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