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movimento.com - Crítica: A estreia de Carmen em Curitiba Crítica

A estreia de Carmen em Curitiba

A arte do canto lírico versus “talento” eqüino.

E os cavalos foram os mais aplaudidos ... Sim, é difícil de acreditar, mas o público curitibano aplaudiu com mais ênfase os cavalos que entraram em cena no quarto ato de Carmen (ópera que estreou no Teatro Guaira no último dia 13 de agosto) do que qualquer dos cantores.

Talvez isso seja revelador de porque a produção de óperas em Curitiba tem sido tão intermitente quanto precária em sua qualidade média. Ou será que o público aplaude os cavalos precisamente porque a produção de óperas em Curitiba é intermitente e quase sempre bastante precária?

O fato é que, ao menos dessa vez, os entusiasmados encômios destinados aos talentosos eqüinos foram de uma enorme injustiça com os artistas que fizeram dessa, sem qualquer dúvida, a melhor montagem realizada no teatro curitibano desde meados dos anos 90, quando se ouviu o Rodolfo de Fernando Portari em La Bohème e a Carmen de Céline Imbert.

Todo elenco parece ter sido, efetivamente, selecionado de modo criterioso, desde os bons comprimários – com destaque para a Frasquita de Luisa Kurtz, que chamou atenção pelo volume da voz e pela facilidade no agudo – até os protagonistas.

Inicie-se pela Carmen de Luciana Bueno, um autêntico mezzo-soprano, de voz bem projetada, embora sem muito volume. O belo timbre escuro aliado a graves muito bem colocados qualificam a cantora como muito adequada ao papel, destacando-se seu desempenho especialmente na famosa “Habanera”, na “Seguidilla” e na “Ária das cartas”. Luciana é um mezzo que não teme os agudos (nem os obrigatórios, nem os opcionais), ainda que a sua emissão nem sempre tenha sido perfeita. Além disso, é uma mulher suficientemente bela para convencer cenicamente no papel da sedutora cigana que, como “um pássaro rebelde”, “não conhece leis”.

O Don José do tenor argentino Marcelo Puente conseguiu um desempenho uniforme e consistente em um papel marcado pelo contraste entre o lirismo dos dois primeiros atos e a dramaticidade dos dois últimos. Quebrou uma nota no dueto final (“Démon”!), mas só erra quem tenta – e Puente teve valentia ao atacar e sustentar os agudos, sobretudo ao final do segundo ato. Sua performance na “Canção da flor” foi muito bonita, com bom controle nos contrastes dinâmicos e um si bemol bem executado.

Cláudia Azevedo (Micaela) soube utilizar sua voz pequena com muita arte. Sua grande ária no terceiro ato foi o momento de maior refinamento técnico e estilístico que se ouviu na noite de estréia, revelando controle de respiração e emissão elegante.
O mesmo talvez não se possa dizer do Escamillo de David Marcondes, cantor com timbre marcante, bom volume, mas que pecou pelo fraseado duro e por várias passagens fora do tom.

O coro teve desempenho satisfatório, devendo-se fazer menção especial ao bem ensaiado coro infantil (Coral Curumin).

Alessandro Sangiorgi, frente à Orquestra Sinfônica do Paraná, mais uma vez demonstrou sua especial afinidade com a música de ópera. Evitou que a orquestra encobrisse os cantores, mesmo os de menor volume vocal, e o fez sem que a OSP soasse anêmica. Os prelúdios foram todos executados com competência.

Por fim, elogiável também a direção cênica de Walter Neiva, que com recursos financeiros evidentemente escassos, soube, com seu habitual respeito aos libretistas e ao compositor, construir uma encenação bela e convincente. Um ou outro momento de humor involuntário não invalidam a qualidade do trabalho do diretor.

Será um ganho para Curitiba se a cidade puder contar com o competente trabalho de Neiva em novas oportunidades. Da próxima vez, sem cavalos.


Autor Carlos Eduardo Pianovski Ruzyk
em 14/8/2009


Opinião dos internautas___________

O que brilha, é visto de onde quer que esteja. E esta ópera brilhou! -Jane Dornelles...
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A crítica, tanto mais elevada quanto na mais baixa de suas expressões, não passa de u...
Oscar Wilde em 7/9/2009
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Com razão Carlos Morejano. A observação elogiosa aos agudos e ao volume de voz se dir...
Carlos Eduardo Pianovski Ruzyk em 7/9/2009
Curitiba - PR


Prezada Senhora Dulcineia Novaes, devo informar-lhe que o RESTO do elenco foi o elen...
walter neiva em 2/9/2009
sao paulo - SP


Mas que comentário infeliz desta pianista Dulcineia Novaes. Se o elenco levou 40 dias...
Sara carmelo dos Santos em 30/8/2009
curitiba - PR


Saliente-se que o Coro Curumin ensaiou durante dois anos para esta ópera...Por isto l...
Dulcinéia Novaes em 27/8/2009
Curitiba - PR


Olá, gostaria de fazer um comentário sobre um provável equívoco existente nesta críti...
Carlos Morejano em 21/8/2009
Porto Alegre - RS


Aparte de esto que comenté anteriormente, creo que la hermosa cuidad de Curitiba está...
Guzman, J.C.L. em 17/8/2009
Pelotas - RS


Não é verdade... os cavalos também estavam lindos, mas o espectáculo foi muito bom. O...
Guzman,J.C.L. em 17/8/2009
Pelotas - RS


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