Escrito por em 18 maio 2011 nas áreas Curso / Encontro, Notícia, São Paulo

Dois eventos ligados à música historicamente informada acontecem de 22 a 26 de julho. O primeiro encontro internacional do ano de 2011 do Conservatório de Tatuí – o II Encontro Internacional de Performance Histórica – recebe o V Encontro Nacional de Flauta Doce.

São dois eventos que pretendem proporcionar a reunião de interessados na linguagem da música antiga e a oportunidade para o músico tradicional em conhecer, desenvolver e ampliar suas possibilidades de interpretação historicamente informada, abrindo novos horizontes dentro da linguagem musical e oferecendo a orientação de professores com grande expressividade neste segmento.

SERVIÇO

II Encontro Internacional de Performance Histórica do Conservatório de Tatuí & V Encontro Nacional de Flauta Doce

De 22 a 26 de Junho de 2011

Inscrições até 15 de junho

Taxa: R$ 20,00

Informações: www.conservatoriodetatui.org.br

PARTICIPAÇÕES

Estão confirmadas as participações dos artistas:

  • Lisete da Silva (flauta doce e traverso Portugal /Inglaterra);
  • Regina Albanez (alaúde, guitarra barroca e teorba – Brasil/Holanda);
  • Ricardo Barros (cravo – Brasil/Inglaterra);
  • Pedro Persone (fortepiano – Brasil);
  • Juliano Buosi (violino barroco e viola barroca – Brasil);
  • cialis fara reteta

  • João Guilherme Figueiredo (violoncelo barroco e viola da gamba – Brasil);
  • Ricardo Kanji (regência de orquestra – Brasil).
  • Trio Spirituoso (Inglaterra);
  • Grupo de Performance Histórica do Conservatório de Tatuí – Grupo Inflammatti

A grande homenageada deste evento será a professora Helena Jank, pela contribuição que esta vem oferecendo à área de performance histórica no país.

Qualquer interessado pode participar de um ou de ambos os eventos. As inscrições estão abertas até o dia 15 de junho. Os interessados podem se inscrever no site do Conservatório de Tatuí (www.conservatoriodetatui.org.br), sendo que os primeiros inscritos receberão alojamento gratuito.

O II Encontro Internacional de Performance Histórica do Conservatório de Tatuí oferecerá masterclasses de instrumentos e música de câmara, prática de orquestra, palestras, recitais de alunos, concertos de professores e músicos convidados. As aulas técnicas serão oferecidas por professores especializados nos instrumentos de flauta doce e traverso (flauta transversal barroca), violino e viola barrocos, violoncelo barroco e viola da gamba, cordas dedilhadas históricas (alaúde, teorba e guitarra barroca), cravo e fortepiano.

Os participantes que desejarem poderão participar da seleção para a formação da orquestra de câmara (violinos, violas, violoncelos, cravo e alaúde). Também será possível assistir a palestras com temas relacionados à Performance Histórica. Os participantes que ta mbém quiserem acompanhar as atividades do 5º Encontro Nacional de Flauta Doce poderão assistir a masterclasses, mesa redonda, oficina, comunicação de pesquisa e recitais de alunos.

Os interessados que desejarem participar do evento como executantes (nos masterclasses), deverão preencher a ficha de inscrição, completando o currículo artístico. A seleção será realizada por análise de currículo. A lista dos selecionados será divulgada a partir de 18 de junho.

“Os eventos contarão com corpo docente de grande expressividade no âmbito internacional da Performance Historicamente Informada – PHI, os quais trarão contribuições imprescindíveis para os participantes de ambos encontros”, afirmou a coordenadora Débora Ribeiro. “Unindo dois eventos importantes, pretendemos criar uma atmosfera mais fértil para a troca de informações e experiências acerca da pesquisa e prática de repertório que compõe a Performance Historicamente Informada”, acrescentou ela.

Além das atividades pedagógicas, serão oferecidos concertos voltados ao grande público diariamente. As apresentações serão feitas por convidados especiais e, também, por alunos da área de performance histórica do Conservatório de Tatuí.

Os eventos são interessantes não somente para músicos ou estudiosos da música. Acompanhar uma apresentação de performance histórica aproxima o espectador, verdadeiramente, de músicas que são ouvidas frequentemente mas com um diferencial: elas são executadas em réplicas de instrumentos da época, utilizando-se as técnicas e as partituras correspondentes.

NO CONSERVATÓRIO

O Conservatório de Tatuí é uma das instituições do Brasil com melhor estrutura na área de performance histórica. A escola de música conta com instrumentos raros, entre eles cravos Taskin e Blanchet (dois manuais); cravo italiano (de um manual); espineta; clavicórdio ; fortepiano; violoncelo barroco; viola da gamba – baixo e soprano; e viola d’Amore, além do conjunto de flautas que ilustra a capa desta edição. Entre os cursos oferecidos pela instituição está o de fortepiano, o único do Brasil.

Além das disciplinas comuns a todos os cursos, a área de performance histórica oferece as disciplinas de Música de Câmara, Baixo Contínuo e Prática de Conjunto. A área conta também com o Grupo de Performance Histórica que vem desenvolvendo um trabalho de interpretação historicamente orientada desde sua formação, quando ainda era denominado “Euterpe”.

CONVIDADOS

Alguns dos grandes nomes presentes ao Encontro Internacional de Performance Histórica e Encontro Nacional de Flauta Doce – além do mestre Ricardo Kanji que, mensalmente atua como professor convidado no Conservatório de Tatuí – estão Lisete da Silva, Pedro Persone e Ricardo Barros.

Lisete da Silva (Baroque flute & recorders) nasceu em Lisboa e estudou com Peter Holtslag, Anneke Boeke e Lisa Beznosiuk na Royal Academy of Music em Londres. Lá, recebeu inúmeros prêmios por sua atuação. É solista, professora, regente e integrante de grupos de câmara, além de co-fundadora do Trio Spirituoso.

Outro integrante do trio é Ricardo Barros, um dos poucos especialistas a conciliar uma execução exuberante e passional com um conhecimento profundo do panorama da dança e música no período barroco. Natural de São Paulo, Ricardo graduou-se na Unicamp e cursou pós-graduação na Guildhall School of Music & Drama de Londres, com uma bolsa de estudos do British Council, sob orientação de Chris Kite e Neal Peres da Costa (cravo) e Madeleine Inglehearn (danças antigas), e também na Royal Academy of Music com uma bolsa da CAPES, sob orientação de Laurence Cummings and Neal Peres da Costa.

Também integra o Trio Spirituoso Nicholas Stringfellow. O trio é aclamado na Europa.

Outro nome importante do cenário que estará no evento é Pedro Persone, formado pelo Conservatório de Tatuí e, também, ex-professor da escola de música. Pós-doutor, ele foi o primeiro a reintroduzir o piano histórico ou fortepiano no circuito musical brasileiro da atualidade durante o ano Mozart 1991. Sua discografia conta hoje com sete Cds, quatro editados no Brasil, um nos Estados Unidos e dois em Portugal.

A HOMENAGEADA

Helena Jank iniciou seus estudos em São Paulo. Freqüentou, entre outros, os cursos de José Kliass e Lydia Alimonda, aperfeiçoando-se em piano com Hans Graf. Fez o curso de graduação em cravo, sob orientação de Li Stadelmann e após ser aprovada com louvor nos exames finais, foi convidada por Karl Richter a continuar os estudos de pós-graduação em sua “Meisterklasse”, e ao mesmo tempo integrar a famosa Orquestra Bach de Munique, por ele dirigida.

Recebendo o título de “Meister” em cravo, iniciou uma fase intensa de apresentações e concertos que a levaram a várias cidades da Europa, como solista e como integrante das mais conhecidas orquestras de Câmara entre elas a “Münchener Bach-Orchester”, dirigida por Karl Richter. Retornando ao Brasil, coordenou o Grupo Musicamara de São Paulo, com Jean-Noël Saaghard, Alain Lacour, Lola Benda e Ariane Pfister, com o qual viajou pelo Brasil divulgado a música barroca. Foi integrante também da Orquestra de Câmara de Blumenau, sob a regência de Norton Morozovicz.

Defendeu tese de doutorado em música pela Unicamp em 1988. Foi coordenadora dos cursos de Pós-Graduação, entre 1995 e 1999 e Diretora do Instituto de Artes entre 1999 e 2003. Atualmente, após vários mandatos em cargos de coordenação e direção na Unicamp, retorna às atividades artísticas, com especial dedicação ao repertório de música brasileira – tanto do Brasil colonial, quanto da produção contemporânea – além do estudo das obras tradicionais para cravo solo e de música de câmara.

Sua pesquisa dirige-se às questões da retórica musical do período barroco, concentrando-se principalmente na obra de J.S.Bach e em repertório do Barroco inicial, quando os princípios da retórica musical se estabeleceram. Em seu projeto de doutorado apresentou u ma análise interpretativa das Variações “Goldberg” de J.S.Bach, obra que se tornou um dos importantes pontos de referência para o desenvolvimento e amadurecimento de sua atuação como intérprete.