Crítica

Missa de Requiem, de Verdi, pela OSESP

Neste último domingo, em récita vesperal às 17 horas na Sala São Paulo, assistimos à apresentação da Missa de Requiem, de Verdi. Exatamente a 22 de maio de 1873, falecia uma das maiores glórias da Itália: Alessandro Manzoni, poeta e autor do famoso romance “I Promessi Sposi” (“Os Noivos”).

A 3 de junho daquele ano, G. Verdi visitou o túmulo de Manzoni e, perante a campal, solitário e anônimo, jurou erguer à memória do mestre idolatrado uma monumental obra coral-sinfõnica. Oficiou ao prefeito de Milão, oferecendo uma Missa de Requiem para o 1º aniversário de morte de Manzoni. E foi assim que o Libera me do Requiem a Rossini,  a quem Verdi pretendia homenagear em 1869, um ano após sua morte, em Bologna, acabou por converter-se no capítulo conclusivo do Réquiem a Manzoni, estreado a 22 de maio de 1874, na Igreja de San Marco, em Milão, regido pelo próprio Verdi, com uma orquestra de cem músicos e um coro de centro e vinte vozes. A repetição imediata do Offertorium, Sanctus e Agnus Dei, já na estréia garantiram o sucesso, que até hoje predomina em todo o mundo.

É impressionante como os arcos em uníssono, ao lado dos sopros de madeira e metal precisos e sonoros, ora  em  explosões, ora  em  efeitos de delicadeza  e lirismo soaram nesta orquestra com total beleza. Dela extraiu o maestro alemão Claus Peter Flor uma execução primorosa. Somem-se a ele os efeitos de dinâmica e expressividade relativos aos coros da Osesp e Lírico de Minas Gerais, que juntos resultaram em bons resultados de interpretação coral.  Ao Dies irae, Sanctus e Agnus Dei, especialmente, um “bravo”.

Dos solistas, o soprano norte-americano Christine Brewer pode-se afirmar que tem um volume grande digno dos concertatos da Aída.  O timbre metálico e poderoso sobressai mesmo nas maiores massas corais da obra,  mas apresenta rendimentos desiguais, ora perdendo suas qualidades tímbricas, em efeitos de sonoridades ásperas, desarmonizando-se com as qualidades predominantes dos outros solistas. Compensa isso com “pianíssimos” de boa projeção e resultados, mas no Libera me, já cansada, cortou rusticamente uma nota aguda evitando ser quebrada. Coisas de cantoras experientes.

Lilli Paasikivi, mezzo soprano finlandês,  foi a revelação do quarteto, emitindo frases com flexibilidade,  bonito e escuro timbre de uma escola de canto camerística. Um pouco mais de volume seria necessário para esta grande obra eclesiástica, especialmente no Líber scriptus proferetur, porém as  dificuldades  das páginas a ela destinadas foram superadas.

O tenor romeno Marius Manea apresentou um timbre desigual: ora sons de contratenor,  ora timbre de tenor lírico, deixando cair a afinação em alguns momentos e, sobretudo no Ingemisco, neutralizou-se totalmente. Pior que ele é o baixo que veio substituir à  última hora Josef-Selig. Baixo cantante Reinhard Hagen,  de extensão pequena,  destoou do quarteto,  e perdeu  por momentos o controle da afinação como também o entrosamento com os solistas.

buy viagra safely on line }} else {

Faça seu comentário

2 Comments

  1. Assisti ao ensaio da obra e digo que imaginei o “the day after” quando, com toda a pompa e circunstância, a obra seria executada.
    Hoje ao acessar esse recurso, vislumbro essa crítica primorosa e competente de Marco Seta que, com propriedade e conhecimento, escreveu proporcionando aos amantes da música erudita, sua opinião competende mostrando aos leitores os pontos altos e o que deixou a desejar, abrindo nossos sentidos para nos atermos às minúcias de obras executadas, as quais, nem sempre percebemos, no calor do concerto.
    Parabéns Marco, serei leitora atenta das suas críticas.

  2. Antes de mais nada é preciso reconhecer que a mudança no sítio, tornaram-no mais atraente e com uma configuração mais agradável, afinal, forma é conteúdo.

    Em relação à resenha, é notável o acurado senso estético do crítico Marcos Seta, e sua percepção para detalhes,citando o arquiteto Mies van der Rohe, “Deus está nos detalhes”.

    Parabéns ao militante da “causa” da música erudita no Brasil, Marcos Seta.

Leave a Response

Marco Antônio Seta
Diplomado em Educação Musical, Artes Visuais e Educação Artística. Publicou artigos e críticas de óperas em vários veículos de SP ao longo de três décadas.