CríticaMúsica sinfônica

Apenas um rapaz latino-americano

Público carioca prestigia Orquestra Sinfônica Simon Bolívar e Gustavo Dudamel.

Era um garoto que, como eu, amava Bach e Mozart. Ele morava em um reino não tão distante, onde a música fazia parte da vida das pessoas desde cedo. Foi assim com nosso herói: filho de um trombonista e de uma professora de canto, começou a estudar violino muito cedo e, aos 14 anos, deu início aos estudos de regência. Hoje, aos 30 anos de idade, o rapaz é diretor musical da Orquestra order clomid without a prescription Filarmônica de Los Angeles (EUA), da Sinfônica de Gotemburgo (Suécia) e da menina dos olhos da música clássica atual: a Orquestra Sinfônica Juvenil Simon Bolívar, da Venezuela.

Estamos falando de um maestro que é quase um pop star: Gustavo Dudamel. O jovem músico, já agraciado com prêmios importantes como o Gustav Mahler Conducting Prize (2004), esteve recentemente no Rio de Janeiro (dias 22 e 23 de junho), onde se apresentou, com a Orquestra Simon Bolívar, no Theatro Municipal, como parte da programação da Série O Globo/Dell’Arte – Concertos Internacionais. Na primeira noite, uma elogiada apresentação da Sinfonia no 7 em Si Menor, de Gustav Mahler. Na récita seguinte, Dudamel e seus jovens músicos mostraram a razão de tamanho frisson mundial acerca do grupo.

O repertório do dia 23 foi equilibrado. O concerto foi aberto com a suíte Daphnis & Chloé, de Maurice Ravel, e encerrou-se com O Pássaro de Fogo, de Igor Stravinsky. Ambas foram executadas com precisão e vigor, revelando todo o colorido da peça do impressionista e a variedade rítmica do russo. No meio das peças famosas, duas obras latino-americanas: Santa Cruz de Pacairigua, do venezuelano Evencio Castellano, e Sinfonia no 2 (Sinfonia Índia), do mexicano Carlos Chávez.

Mas foram os três bis que arrancaram ovações entusiasmadas do público – peças de influência latina, com ritmos puxados ao caribenho –, especialmente o Mambo, do West Side Story, de Leonard Bernstein. Neste, mesmo com a qualidade demonstrada pelos músicos nas demais peças da noite, vieram à tona algumas das características que vêm arrancando aplausos entusiasmados por onde a orquestra passa: o carisma do maestro e o entusiasmo dos músicos. Contrabaixos rodavam, violinistas faziam piruetas e os metais bailavam ao som dos (ótimos) percussionistas. Enquanto isso, Dudamel voltava-se para a plateia e pedia gritos de “mambo!”, sincronizados com a música, aos quais os presentes respondiam a plenos pulmões. Uma noite de muita alegria.
Todos pelo Sistema

Além da qualidade musical, a Orquestra Simon Bolívar chama a atenção por fazer parte de um programa de disseminação da música clássica digno de contos de fadas: o Sistema de Orquestras Juvenis da Venezuela, conhecido simplesmente como El Sistema. Criado há 30 anos, El Sistema tem hoje cerca de 150 orquestras juvenis no país, envolvendo mais de 300 mil crianças e jovens – um exemplo de inclusão social e prática pedagógica, não à toa, copiado em várias partes do mundo. A Simon Bolívar agrupa os mais talentosos músicos das orquestras locais, que tiveram oportunidade de tocar ao lado de artistas como Abbado, Pavarotti, Argerich, Maazel, Rattle Yo-Yo Ma, Itzhak Perlman e Juan Diego Flórez, e receber, merecidamente, muitas e muitas palmas.

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