CríticaMúsica sinfônica

Gustavo Dudamel conquista o Rio

Em turnê buy generic viagra from india pela América do Sul, depois de passar por Salvador, São Paulo e Paulínia, Gustavo Dudamel, sem dúvida o mais celebrado regente da nova geração, conquistou o Rio de Janeiro.

Foram duas apresentações no Theatro Municipal com a Orquestra Sinfónica Simón Bolívar de Venezuela. O conjunto é formado por jovens músicos oriundos do programa conhecido como “El Sistema”, através do qual milhares de crianças têm acesso à inclusão social pela música.

Assisti à segunda apresentação em solo carioca, nesta quinta-feira, 23 de junho, e o resultado foi bastante satisfatório. Sempre apreciei orquestras de jovens pela paixão com que eles mergulham de cabeça no “fazer” musical. Ainda que possa lhes faltar (e inevitavelmente falta) a maturidade necessária para interpretações mais profundas e/ou refinadas, para mim sempre foi gratificante e contagiante constatar a energia, o ímpeto, a alegria e o prazer com que os jovens se entregam à música.

A noite começou com Ravel e sua Suíte n° 2 de Daphnis et Chloé – a única obra do programa que não chegou a me empolgar, talvez pelo fato de ter sido interpretada por uma orquestra bem mais robusta numericamente do que seria recomendável para a peça. Se de um lado a Simón Bolívar pôde exibir já de início a sua bela sonoridade, de outro não valorizou nuances imprescindíveis neste Ravel.

Em seguida, foram ouvidas obras latino-americanas raríssimas por aqui (provavelmente estreadas no Brasil durante esta turnê). Do venezuelano Evencio Castellano, o poema sinfônico Santa Cruz de Pacairigua, matizado por paisagens do seu país, foi uma descoberta interessante, incluindo uma bela passagem

destacada para as violas. Dudamel conduziu a obra com grande sensibilidade.

Depois do intervalo, a Sinfonia n° 2 (dita Sinfonia Índia), do mexicano Carlos Chávez, dotada de uma orquestração colorida e pontuada por ritmos bem marcados, recebeu do maestro excelente interpretação dinâmica.

O Pássaro de Fogo, de Igor Stravinsky, foi a peça principal da noite. Na memória, eu tinha uma versão imaculada de John Neschling com a OSESP aqui mesmo no Rio. Nesta joia do gênio russo, Dudamel e a Simón Bolívar deram provas de sua competência musical, oferecendo interpretação rica e expressiva, com especial destaque para a força da Dança infernal do rei Kastchei e para a delicadeza do Acalanto.

Durante toda a noite, todos os presentes puderam apreciar a qualidade dos solistas da Simón Bolívar, sobretudo daqueles que solaram no violino, no violoncelo, na flauta ou no flautim, no oboé e no trompete. Dudamel, ao final de cada peça, em momento algum se ofereceu sozinho para os aplausos, recebendo-os fora do pódio ao lado de sua orquestra.

Ovacionados, maestro e músicos ofereceram três peças extras ao público carioca, todas baseadas em ritmos latinos. Destas, não identifiquei a segunda. A primeira foi a Dança n° 2, do mexicano Arturo Márquez, uma peça leve, bem ritmada e com belas melodias.

Para fechar com chave de ouro, a animada e divertida Mambo, de Leonard Bernstein, levou o Municipal abaixo, enquanto Dudamel e seus comandados brincavam de fazer música, no bom sentido naturalmente. O furacão carismático Dudamel é realmente irresistível.