Crítica

Magnificat, de Bach, pela Osesp

A maioria das partituras renascentistas alterna a polifonia com versos cantados monofonicamente sobre cantochão ou música instrumental.

Exceto no caso dos compositores ingleses, as seções polifônicas baseiam-se normalmente na entonação do cântico. É o caso das duas partituras das “Vésperas de Monteverdi”, de 1610. O estilo seccional deste e do grandioso Magnificat de Schultz evoluiu para uma série de árias livres, coros etc.

Esse tipo de Magnificat atingiu sua forma mais desenvolvida na partitura em miBmaior de Bach, executada em 1723 com  peças de Natal interpoladas entre alguns versos.  J. S. Bach mais tarde fez um arranjo da obra, em ré maior, sem as interpolações.  (Do Dicionário Grove de Música, Editado por Stanley Sade, Jorge Zahar, Rio de Janeiro, Brasil).

Na récita de 14 de julho, com repetições dia 15 e sábado 16 às 16:30h., apresentar-se-ão a OSESP e seu coro na Sala São Paulo, com um repertório variando de Schutz  ao contemporâneo Arvo Part. Na récita de 14 (ontem) o maestro sueco Ragnar Bohlin, convidado da OSESP, fez um bonito trabalho  de dinâmica e fraseado vocal,  já evidenciado nas primeiras peças executadas no programa. Inicialmente,  em “I am The True Vine”, coro “a capela”, de Arvo  Part, compositor transversal deste programa, do qual ouvimos também o Te Deum. E foi neste,  que se fez notar suas exigências com o coro  da OSESP, no que se refere aos “legatos” e outras dinâmicas corais, onde foi especialmente rigoroso, conseguindo obter dos cantores o que desejava.

A orquestração se compõe das cordas usuais e de piano, este com intervenções de interessantes e intrigantes efeitos sonoros na composição da obra.  Trata-se de uma composição contemporâ

nea muito bem explorada em sua parte vocal num coro bem distribuído a quatro vozes distintas subdivididos em oito grupos  em toda a extensão do palco. Apenas  podem ser registradas aqui algumas falhas  sonoras nos naipes dos contraltos e sopranos nestas  difíceis passagens musicais com que Pärt desafia seus intérpretes.

Após o intervalo de vinte minutos, o tão esperado Magnificat, página das canções evangélicas da Igreja Católica Romana, remontando ao Séc. XV; com o sentido do “Cântico da Virgem”, entoado nas vésperas, após os “salmos”.  O “Magnificat”, em  Ré Maior, BWV 243, de Johann Sebastian Bach cuja versão aqui foi ouvida, teve sua estréia na Igreja  de São Tomás (Thomaskirche) de Leipzig, em 02 de julho de 1733, quarto domingo após o Domingo da Trindade, então o feriado da Visitação (posteriormente foi movido para o fim de maio).

A bela obra coral-sinfônica sobreveio com uma orquestra brilhante e leve nas cordas, baixo-contínuo,  nos sopros de madeira, em trompetes límpidos e tímpanos cuidadosamente equilibrados às massas dos coros, já denotadas no coro I (abertura Magnificat). Dos solistas convidados salientaram-se o soprano I “leggero” Kiera Duffy, de timbre resplendoroso, ideal para este estilo barroco; sua ária nº 3 “Quia respexit humilitatem” foi reluzente. O tenor também “leggero” Gerd Turk, de virtuosa agilidade canora saiu-se bem na ária nº 8 “Deposuit potentes” com muita musicalidade! Completaram satisfatoriamente o quinteto vocal Roxana Kostka (soprano II); Abigail Nims (mezzo soprano) e o baixo Peter Koon.  Páginas de  virtuosidade coral em forma de fuga “Gloria in excelsis Deo” e “Gloria Patri” denotaram boa preparação e entrosamento de coro e orquestra.

 

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Marco Antônio Seta
Diplomado em Educação Musical, Artes Visuais e Educação Artística. Publicou artigos e críticas de óperas em vários veículos de SP ao longo de três décadas.