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“Andradiana”, de C. Guarnieri em SP

Andradiana é o segundo espetáculo do Theatro Municipal de São Paulo em homenagem aos 90 anos da Semana de Arte Moderna.

Composto por Prólogo e dois quadros. Primeiro quadro Suíte Vila Rica e segundo quadro ópera Pedro Malazarte, ambas de Camargo Guarnieri. O Prólogo foi apresentado no saguão, escadarias e em diversas partes do teatro, com pequenos números de dança, canto e coral. Começou cedo, uma hora antes do início do espetáculo, a maioria do público não viu a maior parte da apresentação. Tudo evoca a Semana de Arte Moderna, com danças estranhas, poemas declamados sem nexo e intervenções do coro. Quem chegou em cima da hora pode se sentir prejudicado, o horário oficial do início do espetáculo é 20:00 horas, mas não perdeu grande coisa.

A Suíte Vila Rica de Camargo Guarnieri foi executada pela Orquestra Sinfônica Municipal sob a batuta de review mexican pharmacy online Carlos Moreno, o Balé da Cidade de São Paulo foi o responsável pela dança. A condução foi primorosa, uma bela sonoridade, sem microfonia e com realce nas cores e nas nuances da música de Guarnieri. A coreografia de Lara Pinheiro repetiu uma fórmula manjada na dança. Passos “modernos” que existem em diversas coreografias anteriores, tudo  parece mais do mesmo nas apresentações do Balé da Cidade de São Paulo. Bailarino levantando a solista, um pouco de homossexualismo, sempre dois passos para o lado e nada de inovação. Assistir ao Balé da Cidade de São Paulo  é como assistir a um filme de sexo explícito, quem viu um sabe como os outros serão.

Cléber Papa é o destaque em Pedro Malazarte. A ópera de Camargo Guarnieri ganhou vitalidade  e força com as belas ideias do diretor. Transformou os três protagonistas em seres cômicos com cores berrantes nas roupas, colocou o coral nas cadeiras da plateia, vestido com roupas do dia a dia, o gato e a folha de madeira viraram dois bailarinos. O cenário minimalista, em preto e branco, com a reprodução do Abaporu de Tarsila do Amaral foi uma bela sacada modernista.

Os três solistas estiveram em grande noite. Sebastião Teixeira fez um Pedro Malazarte com voz pujante, forte e madura. Tirou de letra as partes ágeis de sua apresentação e me surpreendeu. Foi a primeira vez que o vi com cabelo, cabelo não, uma bela peruca. Atuação convincente. Ednéia de Oliveira convenceu como a Baiana, sua voz tem belos graves de mezzo-soprano, que dão força ao personagem. Eric Herrero tem bons agudos, leves e de bom timbre, embora tenha pecado algumas vezes no fraseado.

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Ali Hassan Ayache
Bacharel em Geografia pela USP. Apreciador de ópera, balé e música clássica. Ativo no meio musical, mantém o blog http://verdi.zip.net/. Escreve críticas, divulga eventos, entrevista personalidades e resenha óperas e balés em DVD.