Crítica

Óperas brasileiras comemoram Semana de 22

Óperas brasileiras do modernismo abrem a temporada do Theatro Municipal em São Paulo comemorando os 90 anos da Semana de Arte Moderna.

A produção francesa de “Magdalena”, de Villa-Lobos do Théâtre du Chatelet, em Paris (2010) de Jean  Philippe Delavanet (reposição) tem cenários muito bonitos, com lanternas de vários formatos, figurinos adequados e interessantes, um coro com vozes selecionadas para a tessitura da ópera e bailarinos coreografados por adaptação de Dinah Perry. Constituiu-se  num rico e belo espetáculo lírico, esta ópera, datada de 1948, cuja estreia se deu a 26 de julho em Los Angeles, no Philharmonic Auditorium, onde ficou em cartaz durante três semanas concluindo a temporada da Los Angeles Civic Light Association.

Regeu-a o maestro Luis G. Petri com toda a força nos pulsos, numa luxuriante orquestração da fase final da vida de Villa, que reaproveita modinhas e canções, o motivo coral das Bachianas nº 4, Impressões seresteiras, A valsa da dor (piano solo), Festa do Sertão, Kankulus, na Corda da Viola e trechos de Ibericarabe. A orquestra soou forte demais e o Coral Lírico Municipal, muito bem preparado com vozes potentes em seus agudos que são muitos na partitura.

O destaque vocal ficou com o mezzo soprano Luciana Bueno que dominou o conjunto como a chef Teresa; modulou uma voz quente, sensual e bem preparada, em timbrística perfeitamente acertada nessa personagem emotiva e cativante, atingindo no Ato 2,  o ponto máximo de sua interpretação musical. Completaram Rosana Lamosa , Sávio Sperandio, Saulo Javan, Miguel Geraldi, Paulo Queiróz entre outros solistas o elenco de “Magdalena”. A iluminação de palco de Alexander Koppelmann favoreceu intensamente para o bom desenrolar das cenas.

“Sejamos sempre antropofágicos, gulosos, abertos, eternamente inacabados e sempre em obras“: palavras da coreógrafa Lara Pinheiro. Moderno, pós moderno, contemporâneo, não mais importa! Foi o que se viu no palco do Theatro Municipal em belo espetáculo coreográfico do Balé da Cidade de São Paulo, para as comemorações da Semana de Arte Moderna de 22.

Um lindo momento de arte em “Andradianas“, com o grupo de dança do teatro, coeso, limpo em seus movimentos, técnica apurada e preciso nos andamentos da música de M. Camargo Guarnieri (1907-1993) em sua Suíte Vila Rica. De sua música pode-se dizer que a Sinfônica Municipal nos transmitiu toda a delicadeza de suas características de composição somadas às sutilezas de rica e moderna orquestração. Saímos do teatro com aquelas deliciosas melodias da valsa e do Saudoso maxixe de sua partitura. Joyce Drummond colaborou muito para o êxito dos dois espetáculos em sua criativa iluminação e parabéns à Lara Pinheiro pelo trabalho realizado e técnica preservada ao conjunto coreográfico.

Encerrando o evento comemorativo viu-se do mesmo Guarnieri “Pedro Malazarte”, com libreto de Mario de Andrade, em ato único de (1932); esta que foi cavalo de batalha brasileira do grande Paulo Fortes ao lado do mezzo soprano Glória Queiróz, outra artista de grande sensibilidade artística. Do atual elenco, destacou-se o barítono Sebastião Teixeira, elegante numa peruca como manda o figurino, esbelto, almofadinha, sapatos brancos, tudo a rigor. Venceu com facilidade as páginas que lhe cabem, representando com naturalidade e desembaraço cênico. Quem não convenceu foi o meiossoprano Edineia de Oliveira com uma timbrística inadequada ao grave registro da baiana e uma dicção de muito difícil percepção auditiva. Desigual a atuação do tenor Eric Herrero em suas intervenções. Boas e expressivas as presenças cênicas da atriz Daniela Farias e do bailarino Mário Talarico. Regeu a nossa orquestra o Maestro donde puedo comprar viagra en barcelona Carlos Moreno sob a concepção cenográfica e direção de Cléber Papa.

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1 Comment

  1. Comentário crítico muito fiel ao que vi no Municipal. Parabéns ao crítico Marco A. Seta. Começou bem o ano no Teatro Municipal de São Paulo.

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Marco Antônio Seta
Diplomado em Educação Musical, Artes Visuais e Educação Artística. Publicou artigos e críticas de óperas em vários veículos de SP ao longo de três décadas.