Crítica

“Requiem”, de Verdi, no TMRJ

Verdi levou a primeira apresentação de sua Missa de Requiem à majestosa igreja de San Marco, em Milão, em 1874.

Havia três grandes obras do gênero a desafiá-lo: a de Mozart/Süssmayr, composta em 1791, a de Berlioz, composta em 1837, e  a de Brahms, composta entre 1865 e 1867.

O Requiem de Mozart, autêntica colcha de retalhos da qual não se sabe ao certo o que Mozart compôs integralmente, é uma missa dos mortos típica do classicismo vienense  do qual Mozart nunca conseguiu liberar-se; o de Berlioz é uma missa religiosa mas não de igreja, grandiloquente demais em certas passagens; e o de Brahms é um Requiem “alemão”, como seu título indica.

Verdi refletiu e, não querendo ser diferente do que sempre tinha sido, resolveu compor o seu Requiem inteiramente à italiana, sabendo que iria  ser acusado, como foi, de compor uma missa com música de ópera.  A polêmica perdurou, principalmente pelo sucesso extraordinário da peça de Verdi, polêmica essa taxativamente  encerrada pelo maior crítico musical da época, Edward Hanslick, nascido em Praga mas tido como austríaco. Perguntou ele por que não deixar os italianos falarem a Deus na sua própria língua…

Isto posto, lá fomos nós mais uma vez ouvir ao vivo a belíssima obra, com saudades da recente execução da mesma na Igreja da Candelária regida por Roberto Minczuk. E não nos arrependemos de ter ido, pois pudemos estar assim presentes a uma das melhores edições daquela obra já levadas a efeito no TMRJ. O Requiem de Verdi é obra em que se faz imprescindível a busca de expressão tanto musical quanto dramática, do início ao fim. “Música é expressão e expressão não se escreve”, disse o nosso Carlos Gomes. “A partitura tem tudo, menos o essencial”, disse Mahler. Pois foram aquela expressão e aquela essência que vieram à luz e a nossos ouvidos nas mãos do regente  britânico canadian pharmacy ordering viagra Leo Hussain, cuja regência pode ser  chamada de impecável pelos efeitos obtidos com orquestra, coro e solistas. Mais expressão, impossível. Houve uma excepcional alternância de ffff e pppp, de smorzandos, de pausas apropriadas, ide valorização de ornamentos.

Quanto aos solistas vocais, o meio-soprano Adriana Clis, elemento em franca ascenção em nosso meio musical, esteve irrepreensível, de voz absolutamente própria para a obra e para as intenções da regência. Cantou ela uma missa e não uma ópera. O soprano Eiko Senda, que já vimos na citada récita da Candelária, esteve em nível bem menos positivo que naquela ocasião, abusando de pianíssimos aflautados, de superagudos que lhe exigiam muita força e de sonoridades por vezes ásperas. O tenor Marcello Vannucci cantou muito bem, também ele com extrema propriedade e apreciável contenção. Do baixo Hernan Iturralde, pode-se dizer o mesmo. Sua dramaticidade e contenção ao dizer um “mors” quase inaudível foi ponto alto.

A OSTMRJ é muito boa e melhor foi em noite de tantos pontos altos. O Coro do TMRJ é um dos melhores do mundo e não deixou por menos. Nas mãos de seu chorus master Maurílio Costa rende sempre mais do que necessário para atingir um grau altíssimo.

No final, nos camarins, a presidente da FTMRJ Carla Camurati ria, feliz com os resultados. Rico  ri  à toa!!!!

QUIDQUID LATET APAREBIT

MARCUS GÓES – AGOSTO 2012} else {} else {

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Marcus Góes
Musicólogo, crítico de música e dança e pesquisador. Tem livros publicados também no exterior. Considerado a maior autoridade mundial sobre Carlos Gomes.