Crítica

Carlo Colombara e Ana P. Brunkow no São Pedro

Valeu a pena esperar.

Marcado para o dia 09 de Novembro e adiado por motivos de doença, o baixo Carlo Colombara se apresentou no palco do aconchegante Theatro São Pedro/SP no último dia 18. Foi diferente do que acontece com as estrelas da ópera que por aqui aparecem, cantam sempre algumas árias fáceis acompanhadas por longos solos de piano ou orquestra e são ovacionadas pelo público. E para isso faturam uma bolada.

Dizem que é implicância minha com esses recitais e concertos, vejamos o comentário publicado nesse blog em 09/11 de Comba Marques sobre o soprano Renée Fleming: “Foi econômica na escolha das peças de sua apresentação no Rio de Janeiro. Econômica no sentido de ter deixado de fora peças mais pujantes, e quiçá, mais complexas, notadamente as do repertório operístico flagyl pills order “.

O próximo a fazer economia na escolha é o afamado e boa pinta barítono brasileiro Paulo Szot. O repertório de sua apresentação em Belo Horizonte e em São Paulo tem de tudo: Cole Porter, Michel Legrand, Chico Buarque, Tom Jobim, Pixinguinha e Rückert-lieder, de Mahler. Alguém lembrou que ele é cantor de ópera e colocaram trechos de A Valquíria, de Wagner.

Todos os cantores que se apresentaram no Theatro São Pedro na série Grandes Vozes fizeram o contrário, cantaram peças complexas, árias difíceis e mostraram seu talento. Mostraram que vieram para cantar e não apenas faturar. Com Carlo Colombara não foi diferente.

O baixo mostrou que está em grande forma vocal, graves quentes, seguros e consistentes. Encarou e interpretou com mestria a bela ária da ópera Don Carlo, de Verdi, Ella giammai m’amò. Mostrou segurança e qualidade vocal do início ao fim da apresentação, em um programa recheado de belas e difíceis árias como o Simon Boccanegra, de Verdi – Il lacerato spirito, e as quatro canções Chanson de la Mort, de Don Quixote, de Jacques Ibert. O público que foi ao São Pedro ouviu uma voz madura, no auge e uma técnica única em uma grande apresentação. O homem tem mais de vinte anos de palco e experiência é o que não lhe falta. Pagou bem menos que cobram outras estrelas internacionais e teve um recital de primeira.

Colombara teve a cia do competente soprano Ana Paula Brunkov, a moça abriu a apresentação nervosa com pequenas dificuldades na respiração. No decorrer da récita sua voz evoluiu e mostrou um belo timbre de soprano spinto, munida de agudos possantes e encorpados. Voz escura e potente em uma bela apresentação do soprano.

Ali Hassan Ayache

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