Crítica

José Maurício na Igreja do Carmo da Antiga Sé

Ouvir ao vivo uma obra de José Maurício Nunes Garcia (1767/1830) na Sé onde exerceu com extremo brilho e proveitosa fertilidade a função de mestre de capela, é evento fascinante e comovente.

Pois neste 13 de dezembro de 2012 tivemos duas  obras dele, e não uma só, na Igreja do Carmo da antiga Sé. O concerto teve início com a Abertura em ré, obra de pequeno talhe mas de rica variedade harmônica e contrapontística, e prosseguiu com um  concerto para fagote e orquestra de Vivaldi, terminando com a Missa Pastoril para a Noite de Natal, esta uma das melhores obras do Padre-Mestre.

A abertura mereceu uma leitura e execução de ótimas qualidades, nas mãos do regente Jesus Figueiredo (desculpem-me, mas sou contra “Jésus”). Só vendo a certidão…). No concerto para fagote a orquestra convidada, quer dizer, de convidados avulsos, rendeu muitíssimo bem, e o fagotista Paulo Andrade melhor ainda. Um virtuose do instrumento.

A Missa teve tudo que se pode querer: orquestra em excelente nível, uma regência idem, de gestos discretos sem estar parecendo reger a Cavalgada das Valquírias, um coro, a Associação de Canto Coral, em grande noite, e solistas em excepcional forma. O baixo Pedro Olivero mostrou voz potente e muito apropriada ao trecho que cantou como solista; o meio-soprano Daniela Mesquita idem. Já o tenor Jacques Rocha, livre das chatices “daquela”  ária de A filha do regimento, mostrou bonita voz de tenor lírico, redonda e de timbre agradável. O magnífico soprano Paloma Lima foi o que sempre é: belíssima voz, muito própria para o latim das missas e de tudo que canta, rainha dos recursos e do canto elegante e expressivo.

Em uma relação proustiana, música, lugar e objetos  se coordenavam lado a lado. Cada arco das cordas lembrava  arcos de 1811, cada flauta lembrava antigas flautas de Mozart, cada clarineta antigas clarinetas de fineviagra Weber. Era a música de José Maurício soando na sua igreja, entre os seus santos e as suas paredes. Acho que até  a Cleophe apareceu atrás das cortinas… Um evento para recordar, para cair no álbum de retratos…

Wohl mir dass ich Jesum habe.
MARCUS GÓES – DEZ 2012

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