Crítica

Tenor José Bros faz belo recital no Theatro São Pedro-SP

Tenor catalão arrebata o público paulistano

Nesta sexta-feira, 12 de abril, o Theatro São Pedro-SP abriu a Série Grandes Vozes deste ano com o renomado tenor catalão José Bros.  Acompanhado pela orquestra da casa, sob a regência do italiano Marco Boemi, Bros ofereceu um apanhado de árias italianas e francesas, intercaladas com aberturas de óperas.

A noite começou com a Orquestra do Theatro São Pedro oferecendo uma boa interpretação da abertura da ópera Don Pasquale, de Donizetti.  Em seguida, Bros entrou no palco pela primeira vez para entoar, do mesmo compositor, a ária Una Furtiva Lagrima, da ópera O Elixir do Amor.  E aqui já pudemos notar algumas das melhores qualidades do artista: lindo timbre de tenor lírico, técnica refinada e excelente projeção.

Logo em seguida, o tenor interpretou o chamado Lamento di Federico (a ária È la solita storia del pastore), da ópera L’Arlesiana, de Francesco Cilea, compositor praticamente ignorado em nosso país.  Aqui, o artista demonstrou especialmente sua capacidade dramática, ao expressar de forma tocante o sofrimento de Federico, além de manter a qualidade da interpretação vocal.

Duas peças de Verdi encerraram a primeira parte da noite: a orquestra atacou a abertura de Nabucco, muito bem conduzida por Marco Boemi; e Bros ofereceu bela versão da ária Ma se m’è forza perderti, de Un Ballo in Maschera, depois de se arriscar falando em português com o público, para anunciar um troca de peças entre a primeira e a segunda parte do programa.  O resultado foi um “portunhol” que todos entenderam perfeitamente.

Depois do intervalo, a orquestra da casa teve seu momento mais delicado da noite, quando interpretou a abertura de Rienzi, de Wagner.  Aqui, pôde-se perceber claramente que faltou apuro técnico e sonoridade mais elaborada – o que é normal, já que se trata de uma orquestra quase toda formada por jovens.  A juventude, claro, não isenta os músicos da busca constante por aprimoramento.  Por isso, foi com muita satisfação que soube, numa conversa com o regente depois da apresentação, que ele ficou impressionado com o interesse dos músicos em querer aprender, inclusive demandando mais trabalho, querendo ensaiar mais.

José Bros voltou ao palco para interpretar duas árias francesas.  Começou com Ah! Lève-toi soleil, do Romeu e Julieta, de Gounod, e depois atacou Pourquoi me réveiller, do Werther, de Massenet.  Além dos já mencionados, outros predicados demonstrados pelo tenor, especialmente nessas duas passagens, são a riqueza de seu fraseado e seu senso de estilo apurado.

Em seguida, a orquestra interpretou um dos “hits” deste ano Verdi, a abertura de sua ópera A Força do Destino.  Mais uma vez bem conduzido por Boemi, o conjunto deu razoável conta do recado, e, se as cordas não estavam tão pujantes como deveriam, e os metais às vezes não pareciam tão seguros, merece especial menção o jovem solista ao clarinete, bastante expressivo.

Para encerrar o programa oficial da noite, José Bros voltou ao palco para cantar, de O Corsário, de Verdi, a ária Tutto parea sorridere, com direito à cabaletta Sì: de’ corsari il fulmine (aqui naturalmente sem a participação do coro).  E foi uma brilhante interpretação, especialmente da cabaletta, com drama e potência vocal na medida exata, superando facilmente a orquestra.

Se houve algum ponto fraco na performance de Bros, ele estava no fato de, por vezes, seus superagudos sofrerem leves oscilações.  Nada, no entanto, que prejudicasse a noite agradável ouvindo um cantor de alto nível.

Bastante aplaudido, o tenor ofereceu como extra a ária de Leandro No puede ser, da zarzuela La Tabernera del Puerto, de Pablo Sorozábal.  Simples, mas de extraordinário efeito, esta peça é comumente utilizada por grandes tenores espanhóis como meio de exibição de sua exuberância vocal.  Bros não ficou devendo, e arrebatou o público.

Depois desta bela apresentação, que será repetida no domingo, dia 14, o próximo concerto da Série Grandes Vozes será no começo de agosto, quando Eliane Coelho interpretará obras de Richard price of viagra in bangladesh Strauss e Villa-Lobos, sob a regência de Abel Rocha.

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1 Comment

  1. Achei a orquestra excelente, infinitamente superior à do TMRJ que canta com desleixo, acabamento aproximado e sem paixão. E uma correção, Bros em momento algum cantou superagudos, tendo chegado ao máximo num Si natural. No mais, foi realmente uma apresentação memorável e um exemplo para os que pensar que para ser tenor lírico é necessário miar, como se faz em Pindorama.

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Leonardo Marques
Formado em Letras com pós-graduação em Língua Italiana. Frequentador assíduo de concertos e óperas. Participou de cursos particulares sobre ópera. E-mail: leonardo@movimento.com