Escrito por em 21 maio 2013 nas áreas Crítica

Na noite de quarta-feira, 15 de maio, desembarcou em São Paulo a OSB para iniciar a série SAFIRA na Sala São Paulo.

Na execução do Hino Nacional Brasileiro o público que lotava a sala cantou o hino pátrio. Iniciou-se com a Sinfonia nº 4 em mi menor, Op. 98 de Johannes Brahms. Naipes bem equilibrados na sinfônica de Roberto Minczuk, que sabe muito bem extrair os efeitos exigidos pelo compositor e mestre germânico, um dos maiores representantes do romantismo alemão. A obra é do final do século XIX, composta entre 1884/1885, e seu manuscrito quase se deteriorou num incêndio que irrompeu na casa de Brahms. Felizmente, foi salvo por um amigo. Sua primeira audição realizou-se em Meiningen em 1885 e a obra foi tocada no concerto da Filarmônica de Viena a 7 de março de 1897, o último a que Brahms compareceu antes de morrer.

O Allegro non troppo inicia à moda de uma balada de caráter heróico. Os temas, principalmente na fanfarra das trompas, variam de forma e cor.  No segundo, andante moderato, reaparece constantemente sob várias formas  e dele deriva o tema principal, desenhado em “staccato“, confiado aos instrumentos de sopro e ao muito melodioso e interpretado canto dos violoncelos. Cordas coesas e sonoras nesta versão de Minczuk. O terceiro movimento allegro giocoso é uma brincadeira com antiquadas harmonias, que tornam essa sinfonia  numa beleza romântica já trabalhada com premissa menor, antecedendo o  movimento  musical que estaria por vir.

O allegro enérgico e passionato é uma “ciacona”  (chacona) engenhosamente concebida, antiga pela forma, mas moderna pelo conteúdo composicional. Aqui, o timpanista da OSB exagerou nos ff (fortíssimos) excedendo na sonoridade de seus tímbales. Sopros, cordas, clarinetes e oboés conduzindo então à tonal

idade de mi maior atingem sequencialmente a culminância deste solene movimento final, traduzindo essa sinfonia de beleza ímpar e de importância da literatura musical germânica,  numa interpretação bastante convincente pelo conjunto sinfônico brasileiro.

Concert Romanesc, de Gyorgy Ligeti, composição de 1951, é uma sequência de danças ciganas: a orquestração exclui os trombones e tuba porém, dão um caráter bastante expressivo com flagyl benzoil características de contemporaneidade bem avançada (efeitos inesperados musicalmente )  extraídos na execução de sua resumida orquestração. (2 flautas e flautim, 2 oboés e cornê inglês, clarinetes e fagotes em grupos de (2); trompas e trompetes (3); cordas usuais e percussão variada.

O melhor estaria por vir: Paulo Aragão compositor contemporâneo  estreou em São Paulo sua composição “Concerto Nazareth”, para violão e orquestra. Presente ao evento na Sala São Paulo, teve como solista o violonista gaúcho Yamandú Costa, premiado músico no cenário artístico nacional. Dos movimentos  –  Nazareth e Milhaud (tango brasileiro), deu uma versão ritmada ao seu pulso peculiar e já conhecido do público. No Nazareth e Villa (valsa de salão) nos fez recordar os salões do final do século XIX  com seus bailes impulsivos e humildes ou ainda estouvados,  ou ingênuos. A sonoridade de Yamandú é linda e seu envolvimento com o violão é indiscutível. Ao batuque (Nazareth  e os chorões) ele imprimiu uma marcação acústica ao instrumento dando alí a sua pulsação rítmica traduzindo-a  com verossimilhança.  O sucesso foi tal que o público presente o fez dar três peças de bis, sendo a última ainda acompanhado pela OSB . A orquestra está de parabéns por trazer a São Paulo tão bonito concerto.

Escrito por Marco Antônio Seta, em 16 de maio de 2013

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