Crítica

Sucesso e ouro teatral no Palácio das Artes – BH

Onde o compositor CHRISTOFER PARK fez estrear sua ópera “PHAEDRA E HYPOLITHUS”.

 Já muito se falou sobre o auspicioso e raro fato de uma ópera norte-americana, de autor norte-americano, ser estreada no Brasil, ainda mais em Belo Horizonte, que não é o nosso principal centro musical, apesar de contar com o maior e mais completo complexo teatral do Brasil. Com efeito, o Palácio das Artes é de causar inveja a qualquer um: é bonito, eficiente, muito bem aparelhado, super-espaçoso e abriga eventos musicais,teatrais, literários e outros mais de natureza cultural. Mais uma jóia da fabulosa coroa  de rainha que só Minas Gerais possui.

Foi aí que, em 15 e 16 pp, o compositor CHRISTOFER PARK fez estrear sua ópera “PHAEDRA E HYPOLITHUS”, com vinda idealizada e produção  de LÚCIA TRISTÃO, com interferência do MAESTRO LUIZ AGUIAR, com concepção, direção artística e cênica de FERNANDO BICUD, cenários  de HELIO EICHBAUER, figurinos de KAREMA DEODATO, iluminação de MANECO QUINDERÊ, cenário virtual de FRED TOLIPAN e FABIO PASSOS e coreografia de ALEXANDER FILIPOV, tendo sido a primeira récita regida pelo autor e a segunda por GABRIEL RHEIN SCHIRATO.

Poucas vezes se viu em nosso país uma produção e encenação tão bonitas, bem cuidadas e bem executadas como nessas duas récitas. Os cenários e a iluminação foram algo de mágico, de mirífico, de mirabolante, chegando ao fantástico em uma chuva e imagens refletidas em espelhos, chamas laterais ao palco, mares bravios ou calmos, céus e nuvens de sonho. Teatro é isso aí, a ilusão tornada beleza.

Os cantores estiveram TODOS em muito bom nível, destacando-se RITA MEDEIROS,  LEO PÁSCOA, LUÍSA FRANCESCONE, JULIANA FRANCO  e uma fabulosa MALENA DAYEN. Os demais não vão citados apenas por motivos de espaço gráficos.

A música de Mr. Park foi de poucas menores valias, as quais não chegaram a diminuir o brilho geral e  a beleza de muitos trechos. Uma música muito relacionada ao clima de tragédia grega , como convinha. Ninguém pensava, ao ouvi-la, em marchas heroicas ou fanfarras de festa.

Os figurinos de KAREMA DEODATO foram todos de rara propriedade e expressividade. A figura de Fedra, vestida como no final da ópera, contribuiu para um quadro de rara beleza visual e teatral.

O Corpo de Baile e seus notáveis bailarinos, alternando passos modernos a um extremo classicismo de passos do início do ballet do tempo de Taglioni, Coralli, Perrot, integrou-se ao drama viagra kauf de modo mais que eficaz. O Coro, em trabalhadas trocas de posições no palco e gestos antagônicos, esteve estupendo.

Lá do alto, a mítica figura de FERNANDO BICUDO tudo via, tudo ordenava e coordenava, tudo sentia e fazia sentir. Um Rei Midas redivivo, transformando em ouro tudo que tocava.

Em Minas Gerais descobriu-se o ouro das pepitas. Em Minas Gerais agora descobre-se o ouro da encenação teatral operística. É fácil, amigos, vão lá aprender com quem sabe e não precisa de homens se beijando na boca ou marmanjos vestidos de baiana rica para se fazer notar.

DEL BARRIO LA MANDIOLA GARUFA APLAUDIU COM ARDOR…(homenagem a Malena Dayen, que é argentina)

MARCUS GÓES – PALÁCIO DAS ARTES-BH/MG- JUNHO 2013

 

Nota do Redator a respeito de Leila Guimarães:

Elenco elogiável, sobressaindo-se a encantadora Leila Guimarães, de portentosa voz e perfeito desempenho dramático, nas difíceis vestes de Fedra” – Carlos Buzelin – jornal Hoje em Dia – 19.06.2013

 

 

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Marcus Góes
Musicólogo, crítico de música e dança e pesquisador. Tem livros publicados também no exterior. Considerado a maior autoridade mundial sobre Carlos Gomes.