Escrito por em 29 nov 2013 nas áreas Artigo, Lateral

Na foto, a maior cantora de ópera atual do Brasil, segundo o autor: Marina Consídera

A presidente da FTMRJ  Carla Camurati não é um gênio das artes cênicas, musicais, nem de ballets ou obras da dança. Tem em seu currículo, excluindo alguns “pechés de jeunesse”, coisas boas, como a direção do filme “CARLOTA JOAQUINA”, com aproveitamento máximo de uma Marieta Severo mandando as pessoas  “a la puta que los parió” em cena inesquecível.

Mas no TMRJ, apesar de suas limitações, Camurati tem levado a cabo magníficas programações, com exceções, logicamente, principalmente por se ter unido a vários artistas, chamados a trabalhar com ela, os quais são todos de notável capacidade nos seus respectivos ramos. Como exemplo, citemos este ano de 2013, em que o diretor artístico do teatro é o Maestro Isaac Karabtchevsky, o regente titular da OSTMRJ é o Maestro Sílvio Viegas, que foi diretor artístico, o “chorus master”  é o Maestro Maurílio Costa, tendo o Maestro Jésus Figueiredo como auxiliar, e o diretor do corpo de baile é o bailarino e “maître de ballet” Sérgio Lobato, antecedido pelo também bailarino e idem Hélio Bejani. É difícil não acertar com esse grupo, certamente a “crème de la crème” do Brasil das artes em que atuam. Camurati e esse notável grupo foram responsáveis por uma programação de excelente variedade e qualidade, com lógicas e poucas exceções, definindo “programação” como TUDO AQUILO QUE SOBE AO PALCO DO TEATRO, VENHA DE ONDE VIER. “PROGRAMAÇÃO” é tudo oferecido ao público no palco do TMRJ.

Assim,vejamos em resumidas referências (NÃO É NOSSA INTENÇÃO COPIAR INTEGRALMENTE A PROGRAMAÇÃO)  o que foi ao palco do TMRJ em 2013:


1 –    ÓPERAS

I – SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO, de Britten, em forma de concerto;
II – AIDA, de Verdi;
III – O RAPTO DO SERRALHO, de Mozart, em forma de concerto;
IV – LA VOIX HUMAINE, de Poulenc, em forma de concerto;
V – JUPYRA, de Francisco Braga, em forma de concerto;               
VI – MOEMA, de Delgado de Carvalho, em forma de concerto;
VII – IL TURCO IN ITALIA, de Rossini, em forma de concerto;
VIII – A VALQUÍRIA, de Wagner;
IX – BILLY BUDD, de Britten;
X – A CARREIRA DO LIBERTINO, de Stravinsky, em forma de concerto ;
XI – O SEGREDO DE SUSANNA, de Wolf-Ferrari, em forma de concerto;
XII – MEDEA, de Cherubini, em forma de concerto.

As óperas acima foram regidas por grandes maestros e cantadas por cantores de renome nacional e internacional, e valiosíssimamente por uma quantidade imensa de cantores da novíssima geração brasileira. Tivemos, misturando regentes e cantores, Luísa Francesconi, Roberto Tibiriçá, Gabriella Pace, Eric Herrero, Carolina Faria, Isaac Karabtchevsky, Fiorenza Cedolins, Anna Smirnova, Lício Bruno, Sávio Sperândio, Elisete Gomes, Rubens Pellizaro, Alejo Perez, Ana James, Lina Mendes, Gregory Reihardt, Ivan Maier, Flávia Fernandes, Sílvio Viegas, Eliane Coelho, Denise de Freitas, fibadel 5 Eiko Senda, Maira Lautert, Veruschka Mainhard, Zvetan Michailov, Magda Belotti, Marina Considera, Luiz Fernando Malheiro, Leonardo Páscoa, Jaques Rocha, Mirna Rubin, Abel Rocha, Leonardo Neiva, Homero Velho, Daniel Soren, Ricardo Tuttmann, Ivan Jorgensen, Hector Guedes, Roger Honeywell, Emílio Pons, Martin Mühle, Roberto Minczuk  e muitos outros.

A presente relação tem efeito informativo restrito e não é excludente. Quem escreve não esteve presente a todos os espetáculos citados e é possível que em alguns tenha havido cortes, aceitáveis pela forma de apresentação, o que não abrevia o aspecto artístico dos mesmos. Poucos espetáculos ainda não foram apresentados, tendo sido escrita esta matéria em 25/26 de novembro. O mesmo vale para o seguimento do presente artigo.

Na parte da programação referente a ópera, é obrigatório que se levem em conta as muitíssimas apresentações de trechos de óperas, seja só para orquestra como para orquestra, coro e solistas vocais, a saber:

1-    Abertura de OS MESTRES CANTORES DE NUREMBERGUE, vários trechos de óperas e de obras vocais de Wagner, Saint-Saëns, Mascagni, Verdi, Fauré, Lehar, Donizetti, pela OSTMRJ regida por Dominic Grier e solistas estrangeiros, no espetáculo denominado Gala Royal Opera House.

2-    “Programa Giuseppe Verdi”, com a Orquestra Petrobrás Sinfônica regida por Isaac Karabtchevsky e Coro do Rio de Janeiro, executando Quatro Peças Sacras, abertura da ópera “La Forza Del Destino”, “Va Pensiero”, coro da ópera “Nabucco”, coro dos ferreiros, da ópera “Il Trovatore”, e abertura e marcha triunfal da ópera “Aida”, tudo de autoria de Verdi;

3-    Abertura e Venusberg, da ópera “Tannhäuser”, de Wagner, pela Orquestra Sinfônica de Montréal, regida por Kent Nagano;

4-    Quatro interlúdios marítimos da ópera “Peter Grimes”, de Britten, com a OSB regida por Roberto Minczuk;

5-    Ária da ópera “TANNHÄUSER”, de Wagner, com a OSB regida por Roberto Minczuk, e barítono Paulo Szot;

6-    Programa Richard Wagner, com a Orquestra Petrobrás Sinfônica, regida por Isaac Karabtchevsky, com trechos de várias óperas  e participação do soprano Gun-Brit Barkmin;

7-    Abertura de “O BARBEIRO DE SEVILHA”, de Rossini, com a OSB regida por Roberto Duarte;

8-    Trechos corais de óperas de Verdi, Wagner, Carlos Gomes, comemorando 80 anos do coro do TMRJ, com esse coro e solistas, apresentando cena do cacique da ópera “Il GUARANY”, de Carlos Gomes, e “Auto da fé”, da ópera “DON CARLO”, de Verdi, marcha triunfal e final do segundo ato da ópera “AIDA”, de Verdi, prólogo da ópera “MEFISTOFELE”, de Boito, e marcha festiva da ópera “TANNHÄUSER”, de Wagner. Solistas, dentre outros, PEDRO OLIVERO, IVAN JORGESEN, JORGE MATHIAS, DANIELLE GREGORIO, HELEN HEIZLE, PEDRO GATTUSO, CIRO D´ARAUJO, ELISABETH PELLICCIONE. Regente JÉSUS FIGUEIREDO. A ser apresentado. Julguem os leitores se essa é ou não uma belíssima e variadíssima temporada de ópera.

Ópera é música em primeiríssimo lugar. Os valores teatrais vem em um longínquo, mas muito longínquo, segundo lugar. As edições em forma de concerto trazem ao público TODA A MÚSICA de cada ópera. É muito melhor e mais importante a música que ouvimos quando Tristão passa uma metafísica cantada em Isolda do que a cena teatral em si. Assim como há muito mais substância artística na música de Tosca passando em Scarpia um dos maiores  contos do vigário da história da ópera, que no que vemos em cena: um velho safado apunhalado por uma atriz/cantora vivaldina. Música de ópera o TMRJ deu em soberba quantidade a seu público.

2 – BALLET E DANÇA

Se passarmos agora ao ballet e à dança, a qualidade e quantidade também serão admiráveis. Vejamos:

1-    No início de janeiro, o restante final de “O QUEBRA NOZES” de 2012, popular ballet com a mítica CECÍLIA KERCHE à frente de elencos que incluíram as fantásticas  MARCIA JAQUELINE e CLÁUDIA MOTA e muitos outros excelentes bailarinos. O Corpo de Baile do TMRJ é uma estupenda companhia, parelha às de muitos grandes teatros do mundo;

2-    GALA ROYAL OPERA HOUSE, com artistas da companhia do grande teatro inglês, à frente a bailarina brasileira ROBERTA MARQUEZ, e OSTMRJ regida por Dominic Grier;

3-    SOCIEDADE MASCULINA e STUDIO 3 , companhias brasileiras conhecidas no exterior, apresentando “MARTHA GRAHAM MEMÓRIAS” ;

4-    FESTIVAL “O BOTICÁRIO NA DANÇA”, com várias companhias dos USA, do Reino Unido, da Bélgica e da Eslovênia ao lado de grupos nacionais, apresentando variado repertório de dança contemporânea neoclássica, de rua, de salão, jazz e dança teatral;

5-    “O LAGO DOS CISNES”, em insuperáveis onze récitas, com o notável Corpo de Baile do TMRJ e as bailarinas  LORENA FEIJOO, MÁRCIA JAQUELINE e CLÁUDIA MOTA, ao lado de talentosos bailarinos como VÍTOR LUIZ, FILIPE MOREIRA e DÊNIS VIEIRA. Regente SÍLVIO VIEGAS, um especialista na regência de ballet. Entusiasmante. É sempre emocionante ver o teatro cheio em onze récitas, coisa que nenhum outro tipo de arte cênica ou musical faz no TMRJ. Só apresentando Maria Callas com Enrico Caruso… Mesmo assim…será difícil superar o público do ballet  COPPÉLIA, que na década de 80 recebeu dezessete récitas seguidas. Isto vai mencionado porque dão ao TMRJ o injusto e incômodo apelido de “teatro de ópera”.  

6-    CORPO DE BAILE e primeiros solistas, com FRANCISCO TIMBÓ, em concerto para piano n. 1, segundo movimento, de Chopin, Adagio para Cordas, de Barber, e em CARMINA BURANA, de Orff, em edição com dança, solistas vocais LINA MENDES, SEBASTIÃO CÂMARA e HOMERO VELHO. Pianista PRISCILA BOMFIM, em esplêndida atuação. Regente Abel Rocha. Em récitas  posteriores, os solistas cantores se alternaram, a saber : tivemos PRISCILA DUARTE, JAQUES ROCHA, LEONARDO PÁSCOA;

7-    PILOBOLUS DANCE THEATRE, tradicional companhia norte-americana de dança moderna;

8-    GRUPO CORPO, maior companhia particular de dança do Brasil, com seus tradicionais coreógrafo RODRIGO PEDERNEIRAS e dirigente, iluminador, cenógrafo e montador  PAULO PEDERNEIRAS, em quatro apresentações que levaram o público ao delírio;

9-    MOMIX, tradicional companhia norte-americana de dança acrobática e ilusionista, a qual também conquistou muitos aplausos em sete apresentações;

10-    LE SPECTRE DE LA ROSE, L´APRÈS MIDI D´UN FAUNE e LE SACRE DU PRINTEMPS, com o Corpo de Baile e OSTMRJ, e solista convidado,  bailarinos principais Ana Botafogo, Cecília Kerche, Márcia Jaqueline, Karen Mesquita, Priscila Mota, Cícero Gomes, Filipe Moreira, Moacir Emanoel, Bruno Cezário (convidado), Edifranc Alves, Deborah Ribeiro, Priscila Albuquerque, Renata Tubarão, Viviane Barreto, Carolina Neves, regente Javier Logioia Orbe. Oito récitas de absoluto sucesso;

11-    ESTRELAS DO BALLET RUSSO, todos solistas do Kirov e do Bolshoi, como Artem Ovcharenko, Mikhail Lobukhin, Anna Tikhomirova, Anastasia Stachkevich e outros (a serem apresentados);

12-    O QUEBRA-NOZES, com o Corpo de Baile, principais solistas, coro e OSTMRJ, em onze récitas a vir, regência de Sílvio Viegas.

A programação de ballet e dança terá sido dificilmente superada  em qualidade, quantidade e altura artística.  Se há dúvidas quanto a isso, que consulte o incrédulo leitor a Internet, que traz a programação de todos os teatros do mundo que têm a dança e o ballet em suas programações.

Em  seguida, continuando a verificar resumidamente, com algumas referências críticas, vejamos o que apresenta em 2013 o TMRJ em matéria de música sinfônica, orquestras e solistas e  conjuntos instrumentais e vocais.


3 –    ORQUESTRAS E REGENTES

I – ORQUESTRA SINFÔNICA DO TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO, quase sempre regida por seu titular MAESTRO SÍLVIO VIEGAS e regente assistente Jésus Figueiredo, e por Dominic Grier, Isaac Karabtchevsky, Luiz Fernando Malheiro, Abel Rocha, Tobias Volkmann, Javier Logioia Orbe. Essa orquestra, formada por instrumentistas de alto nível, teve magníficas atuações nos ballets, cantata CARMINA BURANA, óperas encenadas, e em TODAS as obras que executou, com insignificantes exceções;

II – ORQUESTRA SINFÔNICA BRASILEIRA, quase sempre regida por seu titular MAESTRO ROBERTO MINCZUK e regentes convidados ou assistentes,em esplêndidas edições de variado repertório;

III – ORQUESTRA PETROBRÁS SINFÔNICA, de excelente nível (como são todas as principais orquestras no Brasil), quase sempre regida por seu titular  MAESTRO ISAAC KARABTCHEVSKYI, pelo MAESTRO CARLOS PRAZERES e por vários regentes convidados;

IV – ORQUESTRA SINFÔNICA DE MONTRÉAL, regida pelo excepcional MAESTRO KENT NAGANO;

V – ORQUESTRA DO CONCERTGEBOW  DE  AMSTERDAM, uma das mais importantes orquestras do mundo, regida pelo MAESTRO MARISS JANSONS;

VI – ORQUESTRA SINFÔNICA FINLANDESA LAHTI, nova grande orquestra do panorama europeu, regida pelo MAESTRO OKKO KAMU.

VII – OSB ÓPERA E REPERTÓRIO, regida pelo MAESTRO ROBERTO MINCZUK e vários outros, dedicada à preparação de repertório sinfônico e a óperas em forma de concerto, de início dirigida por seu idealizador FERNANDO BICUDO, nome tradicional e de prestígio nos meios musicais e teatrais brasileiros;

VIII – ORQUESTRA SINFÔNICA DE BARRA MANSA, nóvel e excelente orquestra brasileira, regida pelo MAESTRO  GUILHERME  BERNSTEIN e outros, sempre com notável sucesso.

 Como instrumentistas e conjuntos instrumentais e vocais, o TMRJ apresentou em 2013 nada menos que o violoncelista YO-YO  MA, tido como um dos maiores violoncelistas do mundo (senão o maior), o violoncelista ANTÔNIO  MENEZES, do qual se pode dizer o mesmo que seu colega acima, o violinista JOSHUA BELL, grande nome internacional de seu instrumento, o pianista NÉLSON FREIRE, celebridade internacional, o flautista EMMANUEL PAHUD, primeira flauta da Berliner, o QUARTETO BORODIN, THE  KING´S SINGERS, um dos mais conceituados coros da Europa, IL VOLO, conjunto de três tenores italianos que combina música pop, clássica e de tradição napolitana e internacional, a harpista CRISTINA BRAGA, virtuose de seu instrumento, o pianista JOÃO CARLOS MARTINS, de renome internacional, protagonista de célebres gravações. Não podem deixar de ser citadas, onde couberem, as presenças, na programação, do regente MAESTRO JAMIL MALUF e do violonista YAMANDU COSTA.

A PRESENTE RELAÇÃO  NÃO  INCLUI  TODOS OS INSTRUMENTISTAS E CONJUNTOS INSTRUMENTAIS OU VOCAIS APRESENTADOS OU A APRESENTAR, SENDO, COMO AS OUTRAS RELAÇÕES DESTE ARTIGO, MERAMENTE EXEMPLIFICATIVA . NÃO HÁ CABIMENTO EM APRESENTAR AQUI A PROGRAMAÇÃO INTEGRAL DO TMRJ EM 2013, QUE PODE SER CONSULTADA NA INTERNET.  A  PRESENTE MATÉRIA SE DESTINA A DAR UMA IDEIA GERAL DA PROGRAMAÇÃO DO TMRJ, INDEVIDAMENTE E ESTRANHAMENTE CHAMADO  POR ALGUNS DE “TEATRO DE OPERA”, EM ENGANOSA  REFERÊNCIA.

DEIXAM DE SER MENCIONADOS PORTANTO MUITOS NOMES  IMPORTANTES  CONSTANTES DA PROGRAMAÇÃO, POR NÃO  PRETENDER A PRESENTE MATÉRIA SER EXCLUDENTE. O AUTOR  ACEITA  CONTRIBUIÇÕES, EMENDAS, OPINIÕES,CORREÇÕES  E  DISCORDÂNCIAS.

QUID QUID LATET APAREBIT…
MARCUS  GÓES- NOV 2013    

 

 

MARCUS GÓES A MAIOR CANTORA DE ÓPERA ATUAL DO BRASIL

 

 

 

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