CríticaLateralMusicalRio de Janeiro

Tijolo por tijolo num desenho mágico

Musical da dupla Möeller & Botelho alinhava lindamente dezenas de canções de Chico Buarque

Passear pelo cancioneiro do compositor http://jabrooks.blogs.ccps.us/2018/02/02/cheap-digoxin-drug/ Chico Buarque é como vagar por entre uma floresta de eternas catedrais. As preciosas canções desse fundamental artista brasileiro (cuja lírica não há foco que solape) ora têm a imponência de um domo renascentista, ora constroem-se à perfeição como uma abóbada gótica, ora flutuam etéreas feito um afresco medieval. A obra buarqueana se apresenta para a cultura do nosso país como uma construção imprescindível, sólida e permanente, vasta como a Basílica de São Pedro e firme como a Catedral de Colônia. Ainda que miserável o poeta, seus versos têm o dom do deslumbre.

Diante de repertório de tamanha amplitude e envergadura, os escafandristas que mergulham a explorar seus desvãos correm o risco de se perder. Navegadores precisos, Charles Möeller e Claudio Botelho ativeram-se às composições para teatro, cinema e TV para engendrar o espetáculo Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos, em cartaz no Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro. Nomes de referência nacional na arte dos musicais (Cole Porter – Ele Nunca Disse que Me Amava, 7 – O Musical, Cristal Bacharach, Beatles num Céu de Diamantes) e conhecedores do universo do compositor (de quem montaram Suburbano Coração e Ópera do Malandro), Möeller e Botelho levam à cena peça de simplicidade e extrema beleza.

Ver a banda passar tocando coisas de amor

Uma trama singela serve de sustentação para um agrupamento de pérolas originalmente compostas por Chico para espetáculos como Morte e Vida Severina (1967), Calabar (1972), Gota d’Água (1975); os filmes Dona Flor e Seus Dois Maridos (direção de Bruno Barreto, 1976), Perdoa-me por Me Traíres (Braz Chediak, 1980) e Os Saltimbancos Trapalhões (J. B. Tanko, 1981). Em cena, uma companhia de teatro mambembe monta um espetáculo – A Dama das Camélias – e excursiona pelo interior do Brasil, mas a chegada de uma bela atriz (de louça? De giz? De éter?) abala as relações entre os integrantes da trupe.

Com o aval do dono da voz – que completa 70 anos em 2014 –, quase where do bodybuilders buy clomid meia centena de canções emblemáticas expressam os sentimentos dos integrantes do grupo teatral: o dono da companhia (Claudio Botelho), a primeira dama (Soraya Ravenle), a novata (Malu Rodrigues), o filho pródigo (Davi Guilhermme), a mocinha (Estrela Blanco), o galã (Felipe Tavolaro), a cartomante (Lilian Valeska) e a cigana (Renata Celidonio).

Mesmo heterogêneo (em idade, estilo, experiência), o elenco dá conta da elegância e sofisticação exigidas pelos idealizadores (Möeller na concepção e direção, e Botelho com roteiro e direção musical). Soraya Ravenle, com vasta e importante carreira em musicais, tem densidade dramática e belo momento (ainda que ligeiramente over) na canção Vida. Malu Rodrigues, de voz impecavelmente límpida, é sedutora como uma Lolita rodrigueana especialmente em Mil Perdões. Davi Guilhermme, mesmo carregando um pouco na composição, aproveita todas as suas chances de brilhar – como se pode ver em sua versão de Tango do Covil. É de arrancar aplausos a interpretação de Estrela Blanco para A Violeira. A bonita voz de Felipe Tavolaro é um pouco subaproveitada, mas o jovem ator faz bonito em vários momentos, como no surpreendente dueto com Davi em O Meu Amor. Impressionantes são a voz e a presença cênica de Lilian Valeska, particularmente em Funeral de um Lavrador. Renata Celidonio esbanja densidade, raiva e deboche em sua interpretação de Sob Medida. E last but not least, online Buy Claudio Botelho, como um mestre de cerimônias generoso e divertido, é puro charme como o dono da companhia que se embaralha entre suas lembranças, como um Velho Francisco.

Cantei até ficar com dó de mim

Os atores/cantores têm apoio, em cena, de excelentes músicos: Thiago Trajano no violão e na orquestração/arranjos, Luciano Correa no violoncelo, Antônio Guerra no piano e acordeon (na noite de 8 de março), e Marcio Romano arrasando na percussão e marimba. O espetáculo conta ainda com os arranjos vocais de Jules Vandystadt – responsável por momentos de arrepiar como em Roda Viva. Contribui ainda o design de som de Marcelo Claret.

Fora de cena, um time de profissionais de primeira linha adiciona seus talentos para transformar esta peça em um dos mais memoráveis espetáculos da dupla de encenadores. A cenografia de Rogério Falcão cria, por meio de praticáveis, dois níveis de ação, aumentando as possibilidades cênicas. Paulo Cesar Medeiros, como sempre, é responsável por belas soluções de luz, com destaque para os néons no fundo e para a inspirada cena de Pedaço de Mim iluminada por lanternas. Os figurinos quase barrocos de Marcelo Pies são bonitos e expressivos, especialmente na segunda parte, ainda que alguns detalhes vez por outra atrapalhem os movimentos dos atores. Outro acerto é o visagismo de Beto Carramanhos http://yoshialone.mhs.narotama.ac.id/2018/02/02/toradol-generic-name/ , que insinua uma atmosfera expressionista (especialmente na caracterização de Davi Guilhermme).

Pills Se já perdemos a noção da hora

Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos dura quase duas horas, mas a sucessão de momentos inesquecíveis – que outro adjetivo caberia à cena de Geni e o Zepelim, com as palavras em placas que acentuam o sentido da letra? – faz com que o espetáculo se destaque mesmo entre o mar de sucessos da dupla de realizadores. Obviamente, a força e a beleza das canções de Chico Buarque contribuem imensamente para o acerto da montagem, mas não é só isso. Ótimos atores/cantores, com vozes educadas e boa presença cênica; músicos talentosos e profissionais de bastidores com domínio das possibilidades teatrais de seus lavores somam-se à direção para a excelência da iniciativa. Não sei se é um truque banal ou nova ilusão, mas o violão não enrouquece e, à medida que o fim se aproxima, nosso olhar fica cada dia mais longe, mais enlevado com tamanha belezura. Artistas, olhem nos meus olhos: quero ver como suportam me ver tão feliz.

SERVIÇO http://www.zombiecommand.com/zombies/how-to-buy-differin-0-3/
Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos
De Charles Möeller e Claudio Botelho
De quinta a sábado às 21h e domingo às 20h
Teatro Clara Nunes (Shopping da Gávea – r. Marquês de São Vicente, 52/3º piso. Tel.: 2274-9696)
Ingressos a R$ 80 (qui), R$ 90 (sex) e R$ 100 (sáb e dom) precose how much
Até 27 de abril

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3 Comments

  1. Emocionante! Nunca vi nada igual! Atores excelentes! E as vozes dos cantores(as)?! A gente fica flutuando! Falar das composições é chover no molhado! Chico dispensa elogios. Espero que o espetáculo vá por este Brasil afora! Todos merecem ver ao que eu assisti – o maior espetáculos da Terra!

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Fabiano Gonçalves
Publicitário e roteirista (formado no Maurits Binger Film Institute - Amsterdã). Corroteirista do longa O Amor Está no Ar e de programas de TV (novela Chiquititas - 1998/2000). Redator na revista SuiGeneris, no site Escola24horas e no Departamento Nacional do Senac. Um dos fundadores do movimento.com, escreve também sobre televisão para o site teledossie.com.br. - E-mail: fabiano@movimento.com