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“Dido e Eneas” na ópera de Câmara em Concerto

Obra de Purcell é executada por solistas da Academia de ópera Bidu Sayão e músicos da Orquestra Sinfônica do TMRJ, com regAência de Jésus Figueiredo.

Espaço de formação para jovens artistas líricos no repertório operístico, a Academia de Ópera Bidu Sayão se consolida como nova atração musical no cenário lírico do Rio. A instituição apresenta a ópera Dido e Eneas, do compositor inglês Henry Purcell (1659-1695), na série Ópera de Câmara em Concerto, no dia 7 de outubro, às 20h, e 9 de outubro, às 17h.

Todos os 15 alunos da primeira turma estarão em cena, mas s solistas são as mezzosopranos Lara Cavalcanti (Dido), Beatriz Simões (Feiticeira), Vivian Delfini (Primeira Bruxa) e Cintia Graton (Segunda Bruxa), as sopranos Michele Menezes (Belinda) e Luisa Suarez (Segunda Mulher), os tenores Bruno dos Anjos (Eneas) e Guilherme Moreira (Primeiro Marinheiro), e o barítono Flávio Mello (Espírito). As apresentações contam com a participação de 13 músicos da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sob regência de Jésus Figueiredo, maestro titular do Coro do TMRJ.

 

A Academia de Ópera Bidu Sayão é coordenada pelo tenor Eduardo Alvares, contando ainda com a pianista Priscila Bomfim como maestrina preparadora, o bailarino João Wlamir como responsável pela preparação e expressão corporal e Bruno Furlanetto, chefe da Divisão de Ópera, pelos estudos de história da ópera. Além da ópera Serse, de Händel, apresentada em maio, e de Savitri, de Gustav Holst, realizada em agosto, está prevista para 2016 na temporada da série ópera de Câmara em Concerto outro título: a inédita O Boi e o Burro a Caminho de Belém, ópera para o público infantil criada com base no texto de Maria Clara Machado, encomendada pelo Theatro Municipal ao compositor Tim Rescala.

Especialmente voltada para a qualificação profissional de cantores, a Academia de Ópera Bidu Sayão funciona em sistema de residência artística de até dois anos de estudos vocais, cênicos e musicais. As atividades desenvolvidas incluem aulas, masterclasses, estudo de repertório, ensaios e concertos, com trabalho focado na expressão musical e dramática. Os alunos participam das produções da temporada do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, assim como de espetáculos especialmente produzidos com finalidades artísticas e pedagógicas, realizados com piano ou orquestra.

 

Dido e Eneas

Segundo o Chefe da Divisão de Ópera do TMRJ, Bruno Furlanetto, as origens e estreia de Dido e Eneas são obscuras e cheias de controvérsias. A única representação conhecida, durante a vida de Purcell, aconteceu num internato feminino dirigido pelo bailarino e coreógrafo Jones Priest e é normalmente datada de 1689. Composta sobre a influência da ópera de corte Venus and Adonis, de seu professor John Blow, não dá para acreditar que, composta pelo maior compositor inglês vivo e pelo Poet Laurate Nahum Tate, se destinasse a uma representação escolar. De acordo com Furlanetto, Dido e Eneas não causou comentários entre os contemporâneos e parece não ter sido repetida durante a vida de Purcell.

Dido e Eneas é considerada a primeira ópera nacional inglesa, o sendo a única escrita por Purcell, um dos maiores compositores britânicos de todos os tempos e mestre do barroco. Ainda que tenha vivido pouco, o compositor nos deixou um número expressivo de odes para coro e orquestra, cantatas, canções, hinos, serviços, sonatas de câmara e obras para teclado, além de mais de quarenta peças para música de cena.

A trama da ópera segue a história de amor entre a lendária rainha de Cartago, Dido, e o refugiado troiano Eneas, narrada no livro 4 da Eneida, de Virgílio. Quando o mítico herói e sua tropa naufragam em Cartago, ele e a rainha se enamoram. Mas, por inveja, as bruxas conspiram contra os amantes e convencem Eneas a partir, pois seu destino, traçado pelos deuses, é o de fundar uma nova Troia, Roma. Eneas, mesmo blasfemando contra a inclemência dos deuses, aceita seguir viagem e comunica a Dido que partirá naquela manhã. A rainha, esmagada pela dor, imola-se, apesar de Eneas, comovido e mudando o desígnio, afirmar preferir enfrentar a cAóera dos deuses a abandoná-la.

 

SINOPSE:

A ação desenrola em Cartago, em época mitológica.

Ato I
Tudo decorre no palácio da rainha Dido, que conversa com Belinda, sua irmã, sobre o amor que sente por Eneas. Ela o ama e, apesar de acreditar que o casamento com ele traria paz ao reino, suspeita que possa enfraquecê-la como soberana. Belinda retruca que, com as núpcias, Cartago estará segura e Troia revivera, pois Eneas também a ama. O coro comenta a cena. Eneas entra. No primeiro momento e recebido com frieza, mas Dido acaba cedendo ao amor e o aceita.

Ato II
Cena 1. A ação desenvolve-se numa gruta. Uma feiticeira trama a destruição de Cartago e de sua rainha e, para isso, convoca o conluio das bruxas. Ela planeja se disfarçar como Mercúrio, mensageiro dos deuses, e lembrar Eneas a ordem de Júpiter de regressar à Itália. O coro se junta às bruxas com comentários e gritos terríveis que evocam uma tempestade. Na dança das Fúrias que encerra a cena as bruxas desaparecem em um trovão.

Cena 2. Depois da tormenta, Eneas e seus homens descansam em uma clareira. As bruxas se lançam sobre eles, que se dispersam, deixando-o sozinho. O Espírito da Feiticeira, sob a máscara de Mercúrio, ordena que obedeça aos desígnios de Júpiter e, imediatamente, retome a viagem. Eneas resiste, pergunta como Dido poderá suportar destino tão atroz: amada em um dia, abandonada em outro. Finalmente, se rende.

Ato III
Cena 1. A ação produz-se no porto de Cartago onde estão sendo feitos os preparativos para levantar âncoras. Ouve-se um coro de marinheiros. A feiticeira trama ainda mais desgraças: Dido deverá morrer, Cartago arder em chamas e os intrépidos troianos naufragarem. A dança das bruxas encerra a cena.

Cena 2. No Palácio, a rainha lamenta o destino. Eneas surge para explicar-lhe os motivos da sua partida, mas Dido recusa-os. Eneas comovido muda de opinião e decide permanecer em Cartago, mesmo contra a vontade dos deuses. A rainha o rejeita ainda uma vez mais, por ter pensado em deixá-la e o expulsa. Após a sua saída canta o famoso lamento de Dido. Por fim, se mata. Cupidos surgem entre as nuvens e vigiam seu túmulo, enquanto o coro encerra a ópera.

 

Henry Purcell

Henry Purcell foi durante muito tempo considerado o maior compositor inglês de ópera, apesar de ter composto apenas uma, Dido e Eneas. Treinado como corista na Capela Real, foi nomeado, em 1677, composer-in-ordinary do rei (isto é, com um salário) e organista da Abadia de Westminster em 1679, e da Capela Real em 1682, cargo que conservou até a morte. Suas obrigações eram de provê-la de hinos religiosos, canções de boas-vindas, odes para aniversários e música para as coroações, pois Purcell serviu a quatro reis. A maior parte de suas composições está, obviamente, ligadas à Corte, mas ele contribuiu para todos os gêneros, sejam vocais, sejam instrumentais.

Sua decisão, em 1690, em ser um compositor em tempo integral, para o teatro, resultou da ascensão ao trono de William e Mary o ano precedente, os quais impuseram cortes severos à Royal Music, forçando Purcell e seus colegas a procurarem novas fontes de sustento, entre elas o teatro comercial. Seu primeiro contato com o palco foi em 1680 quando compôs a música vocal para a tragédia de N. Lee Theodosius, que não causou nenhuma impressão, e Purcell, então, abandonou o teatro por cerca de dez anos. Mas em 1684, Charles II quis uma ópera para celebrar a restauração de seu reinado, que foi Albion and Albanius. Encomendada ao catalão Luis Grabu, ela era uma tragédie lyrique à francesa, pois Grabu havia estudado em Paris. Um enorme fracasso (para deleite dos preteridos compositores ingleses), mas que impressionou e influenciou Purcell por ter sido a primeira ópera toda cantada a ser encenada na Inglaterra.

 

Jésus Figueiredo, regência

Bacharel em Regência Orquestral, em órgão de Tubos e Mestre em Acústica Musical pela Escola de Música da UFRJ, em que também foi professor substituto de Regência Orquestral. É maestro titular do Coro do Theatro Municipal RJ, no qual trabalha desde 1999 atuando também com a Orquestra Sinfônica na preparação e regência de concertos, óperas e balés. Em 2010, ganhou o primeiro lugar em Regência de Ópera na 4a. Edição do Concurso Nacional da Ópera de San Juan, na Argentina. Já regeu diversas orquestras como a de Câmara do Amazonas, a Sinfônica de Minas Gerais, a Filarmônica do Ceará, a Sinfônica de Barra Mansa, a Acadêmica do Teatro Colón de Buenos Aires, a da Universidade Nacional de Cuyo (Argentina), a da Ópera de San Juan (Argentina), a Sinfônica da UFRJ, a Sinfônica Nacional da UFF, a Sinfônica Brasileira e a Sinfônica do Theatro Municipal RJ. Em 2013 assumiu a direção musical do Coro da Associação de Canto Coral.

 

FICHA TÉCNICA:

Cantores solistas

Dido – Lara Cavalcanti, mezzosoprano
Eneas – Bruno dos Anjos, tenor
Belinda – Michele Menezes, soprano
Segunda Mulher – Luísa Suarez, soprano
Feiticeira – Beatriz Simões, mezzosoprano
Primeira Bruxa – Vivian Delfini, mezzosoprano
Segunda Bruxa – Cintia Graton, mezzosoprano
Primeiro Marinheiro – Guilherme Moreira, tenor
Espírito – Flávio Mello, barítono

Cantores no Coro

Luiza Lima, Luísa Suarez e Tatiana Nogueira, sopranos
Lily Driaze (participação especial), Vivian Delfini e Cíntia Graton, mezzosopranos e contraltos
Leonardo Feitosa, Elizeu Batista (participação especial) e Guilherme Moreira, tenores
Cicero Pires, Patrick Oliveira e Leonardo Thieze, baixos

Direção cênica – João Wlamir

Direção musical e regência – Jésus Figueiredo

Coordenação e orientação vocal – Eduardo Alvares

Cenografia – Renã Salazar

 

 

SERVIÇO:

 

“Dido e Eneas”, de H. Purcell

 

Solistas da Academia de Ópera Bidu Sayão

Músicos da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Jésus Figueiredo, regência

 

7 de outubro, sexta-feira, às 20h, e 9 de outubro, domingo, às 17h

Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Praça Floriano s/n, Centro – Rio de Janeiro. Tel.: 21 2332-9191)

 

Ingressos: R$ 240 (frisas e camarotes), R$ 40 (plateia e balcão nobre) e R$ 20 (balcão superior e galeria), com meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 60 anos

à venda na bilheteria e no site Ingresso.com

 

 

 

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