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Noite de mA?sica de cA?mara em VitA?ria

Nem a chuva e nem o frio afastaram o pA?blico.

Na noite de terA�a-feira, 27 de junho, ocorreu mais um concerto da Temporada 2017 da Orquestra Camerata Sesi-ES nizagara online . Segundo a imprensa local, foi a tarde mais fria do ano em VitA?ria: inofensivos 21.8A? C, temperatura suficiente para as cerimA?nias de exumaA�A?o de botas, casacos, gorros e afins, pois assim age o capixaba mA�dio ao menor sinal do chamado a�?Vento Sul” (versA?o local do temido FA�hn vienense). A chuva, que tambA�m marcou presenA�a desde a manhA?, felizmente cessou ao final da tarde, permitindo que o pA?blico afluA�sse com tranquilidade ao Teatro do Sesi em Jardim da Penha, a fim de assistir ao programa intitulado Os Mestres do Piano, da sA�rie MA?sica de CA?mara http://hotelswiss-ks.com/nombre-generico-de-serevent/ .

O espetA?culo se iniciou com uma sA�rie de composiA�A�es de Chopin para piano solo. O primeiro artista convidado foi o experiente pianista mineiro FlA?vio Augusto, vencedor da ediA�A?o de 1988 do Concurso Internacional de Piano Villa-Lobos. O intA�rprete foi muito feliz ao optar por executar em sequA?ncia ininterrupta os trA?s Noturnos, Op. 9 Cheap . Tal escolha resultou no estabelecimento de uma adequada atmosfera no teatro, eis que o repertA?rio escolhido para a ocasiA?o, alA�m de Chopin, incluiria tambA�m na segunda parte uma obra de Schumann (os tais Mestres do Piano, associaA�A?o certamente feita pelo leitor mais atento).

O pianista adotou interpretaA�A�es conservadoras, contidas e lA�ricas, deixando que apenas a mA?sica falasse por si, o que A� mais do que suficiente no caso do compositor polonA?s. Pirotecnias e esquisitices podem atA� atrair o espectador desavisado, mas fulminam a profunda arte que estA? contida na obra de Chopin. A excelente acA?stica do teatro, bem como as qualidades do instrumento, um admirA?vel Yamaha C3, tambA�m contribuA�ram para que o pA?blico se mantivesse concentrado desde o inA�cio do programa (sobre esse ponto, cabe aqui uma observaA�A?o: ao contrA?rio do que se poderia esperar na noite que se seguiu a uma tarde de terA�a-feira chuvosa, o nA?mero de pessoas na plateia foi bastante significativo, havendo poucos assentos desocupados).

Em seguida aos Noturnos, FlA?vio Augusto optou por trA?s peA�as virtuosA�sticas: a Grande Valsa Brilhante em lA? bemol maior, Op. 34 n. 1, a melancA?lica Valsa n. 7 em dA? sustenido menor, Op. 64 n. 2 Pills e o a�?byronianoa�? – nas palavras de Schumann – Scherzo n. 2 em si bemol menor, Op. 31, uma das mais geniais composiA�A�es de Chopin. De se elogiar as escolhas rA�tmicas do pianista nas duas valsas, bem como as diversas variaA�A�es de dinA?micas no Buy scherzo. ApA?s um simpA?tico e lA�rico bis ( Cheap PalhaA�o fucidin price ph , de Egberto Gismonti), se encerrou a primeira metade do programa, com copiosos aplausos do pA?blico.

Na segunda parte, juntou-se ao pianista um quarteto de cordas formado por Gabriela Queiroz (primeiro violino), Cheap Thamyris Nascimento (segundo violino), Renato Bandel (viola) e FabrA�cio Moura (violoncelo), visando A� execuA�A?o do Quinteto para piano em mi bemol maior, Op. 44, de Schumann. Bandel foi o outro convidado da noite: violista com passagem pela academia da Berliner Philharmoniker, atuou sob a batuta de diversos regentes do calibre de Abbado, Wand, Ozawa, Haitink e Harnoncourt. Os demais instrumentistas sA?o integrantes da Orquestra Camerata Sesi-ES.

A obra, composta em 1842, beneficiou-se do progressivo desenvolvimento do repertA?rio para quarteto de cordas, que floresceu a partir da segunda metade do sA�culo anterior por meio das composiA�A�es de Haydn, Mozart e Beethoven. Ademais, o papel do pianista virtuose se tornava cada vez mais relevante: o prA?prio Schumann cogitou tornar-se um pianista de concerto, projeto que nA?o chegou a se consolidar por conta de uma lesA?o na mA?o direita. A�Tal frustraA�A?o foi em parte suprida pelo papel desempenhado pela esposa e musa de Schumann, Clara, uma das primeiras pianistas a executar as obras escolhidas para seus recitais de memA?ria, sem recorrer A�s partituras, estabelecendo um padrA?o que tem sido empregado desde entA?o. E foi pensando na esposa que Robert Schumann escreveu o Quinteto Op. 44.

Diversos conjuntos jA? gravaram a composiA�A?o, com maior ou menor grau de sucesso. As melhores gravaA�A�es sA?o aquelas essencialmente camerA�sticas, em que todos os intA�rpretes atuam de forma balanceada, sem predominA?ncia do piano.A� Felizmente, foi esta a linha adotada na apresentaA�A?o que aqui comentamos: nos quatro movimentos foi possA�vel presenciar diversos diA?logos, ora entre dois instrumentos, ora entre todos os mA?sicos em sequA?ncia. Parecia que estA?vamos diante de um conjunto que jA? se apresenta com essa formaA�A?o hA? alguns anos, tamanha a integraA�A?o no palco. Os mA?sicos demonstravam conhecer a obra em sua totalidade, interagindo uns com os outros de modo a destacar, quando necessA?rio, determinadas passagens ou A?nfases previstas pelo compositor.

HA? que se ressaltar aqui a humildade e o extremo profissionalismo do pianista, que acertadamente nA?o optou por ser o protagonista, e sim uma espA�cie de “primus inter pares” ao longo da execuA�A?o do Quinteto. Outro destaque foi o papel desempenhado pelo experiente violista, que brilhou nos momentos em que o compositor deu maior destaque a esse instrumento de timbre tA?o belo que A� a viola. NA?o era A� toa que ninguA�m menos que Mozart, quando por diversA?o interpretava quartetos de corda no ambiente domA�stico em companhia de amigos, a escolhia para si. As contribuiA�A�es dos mA?sicos a�?da casaa�? tambA�m foram de excelente nA�vel, conferindo homogeneidade A� interpretaA�A?o. No final das contas, saA�mos do concerto com vontade de chegar em casa e escutar mais vezes essa obra que A� tA?o emblemA?tica no A?mbito da mA?sica do romantismo.

A temporada de apresentaA�A�es da Camerata Sesi terA? prosseguimento na prA?xima quinta-feira, 06 de julho, com a presenA�a do celebrado pianista Jean-Louis Steuerman, interpretando peA�as de Mozart, Finzi, Bach e Mendelssohn. FaA�a chuva ou faA�a sol, o pA?blico capixaba certamente estarA? de volta.

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Érico de Almeida Mangaravite
Delegado de polícia, formado em Odontologia e em Direito, com pós-graduação em Ciências Penais. Participou de corais, Frequentador de óperas e concertos. Foi colaborador do caderno Pensar, do jornal A Gazeta (ES), para o qual escreveu resenhas e artigos sobre música clássica.