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Homenagem à altura

Concerto de abertura do 5º Festival de Música Erudita do Espírito Santo faz justa reverência à grandeza de Heitor Villa-Lobos.

 

Ocorre neste mês de novembro de 2017 a 5ª edição do Festival de Música Erudita do Espírito Santo Viagra Sublingual purchase . Em tempos de penúria no campo das Artes, uma iniciativa duradoura como tem sido esse Festival merece elogios. Afinal, ao menor sinal da palavra “crise”, invariavelmente a Cultura é uma das primeiras áreas afetadas. O Espírito Santo, possuidor de uma Orquestra Sinfônica e de uma Orquestra de Câmara com temporadas regulares, tem sido (com o perdão pelo trocadilho) uma abençoada exceção. O programa do Concerto de Abertura, ocorrido no dia 4 de novembro, no Teatro Carlos Gomes, em Vitória, trouxe três peças de Heitor Villa-Lobos, compositor homenageado por conta dos 130 anos de seu nascimento. As interpretações estiveram a cargo da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo (Oses), regida por Helder Trefzger, que contou com a coparticipação de solistas e de um coro, como veremos adiante.

A primeira peça foi o fluoxetine cheap Concerto para Violão e Orquestra, cuja primeira audição ocorreu em 1956, tendo como solista o espanhol Andrés Segovia e regência do próprio compositor. Tal concerto não é uma obra fácil, pois exige grande virtuosismo do solista, sobretudo no primeiro movimento e na cadência (um acréscimo tardio à partitura). Ademais, segundo Villa-Lobos, foi elaborado “para violão e uma orquestra equilibrada com recursos de timbres que não se sobrepõem à sonoridade do solista”.

Considerando tais aspectos, a execução de sábado foi mais bem-sucedida no segundo e terceiro movimentos, em que solista e orquestra estiveram melhor entrosados, sobretudo em alguns dos diálogos entre o violão e as cordas, que soaram muitíssimo bem. Aqui, cabe um registro: o solista Turíbio Santos é, sem qualquer exagero de linguagem, uma referência: basta dizer que chegou a conhecer pessoalmente Villa-Lobos (um ano antes da morte do compositor) e estudou com ninguém menos que o próprio Segovia. Reflexos disso foram suas gravações, nas décadas de 1960 e 70, pelo selo francês Erato, que possuía entre seus contratados virtuoses do calibre de Jean-Pierre Rampal (flauta) e Maurice André (trompete). Além disso, Turíbio é justamente reconhecido como um dos maiores divulgadores da obra de Villa-Lobos mundo afora. Tê-lo no palco do Carlos Gomes, novamente, foi um privilégio.

A segunda foi a Sinfonietta n. 1. O crítico Paul Shoemaker, do excelente site britânico Pills MusicWeb, descreveu-a como algo que soa como “uma obra do ainda estudante Rimsky-Korsakov, tentando imitar o Sibelius das fases iniciais, com um pouco de Elgar tardio”. Registrando aqui toda a admiração que tenho pelo citado site, sinceramente não identifiquei nada disso ao ouvir a execução da peça. A partitura é de 1916, ou seja, está entre as primeiras composições de relevo do mestre. Sabe-se que Villa-Lobos – cuja formação foi mais prática e intuitiva do que acadêmica – já nessa época recorria com frequência ao conteúdo do Pills Cours de composition musicale, tratado escrito entre 1903 e 1905 pelo compositor francês Vincent d’Indy. Alguns dos trechos da Sinfonietta cheap Amoxicillin trazem à memória a Sinfonia em dó, de Bizet, que Villa-Lobos certamente não ouviu, pois ainda que tenha sido concluída em 1855, só foi executada em público em 1935. Contudo, Bizet foi aluno do Conservatório de Paris, instituição na qual d’Indy foi por certo tempo professor (ainda que não tenha dado aulas para Bizet e discordasse dos métodos de ensino empregados pelo Conservatório).

Também é conhecida a informação que Villa-Lobos empregou um tema de inspiração mozartiana (consta do programa de estreia da obra, datado de 1922, que a partitura era dedicada “à memória de Mozart” viagra buy , havendo certa semelhança entre o primeiro tema da Sinfonietta e um tema da Abertura anafranil premature ejaculation de order doxycycline A Flauta Mágica). Conclui-se, dessa forma, que a Sinfonietta online é uma criação da fase inicial de Villa-Lobos, em que se notam as sempre presentes influências do folclore brasileiro, aliadas a alguma influência da música francesa da segunda metade do século 19 e início do século 20, mescladas com a inspiração explícita em Mozart. A obra é muito bonita, bem acessível (Villa nem sempre é fácil para o ouvinte) e deveria ser apresentada com maior frequência. Neste concerto, representou o ponto de melhor rendimento da orquestra, que tocou com virtuosismo e compreensão evidente da linguagem característica empregada por Villa-Lobos. Mais uma vez, as cordas se destacaram pelo refinamento na execução.

A última obra foi o belíssimo Magnificat-Aleluia, que contou com a participação do Coro Lírico da Coes Buy e da mezzosoprano Carolina Faria. Cabe aqui reproduzir um trecho das notas de Simon Wright, na gravação desta obra feita pelos Corydon Singers: http://aziendaagricolarusso.it/2018/02/02/marc-mentat-price/ “no final de sua vida, duas encomendas resultaram em obras sacras, por meio das quais Villa-Lobos literalmente deu adeus ao mundo. Uma encomenda feita pelo Papa Pio XII (…) resultou no Magnificat-Alleluia. Prosseguem as notas afirmando que a estreia da obra se deu em 8 de novembro de 1958, com uma segunda execução ocorrendo em setembro do ano seguinte. Villa-Lobos, que padecia de sérios problemas renais, compareceu a este concerto. Visivelmente comovido com sua própria obra, foi ovacionado pela plateia, retribuindo com um tímido aceno. Aproximadamente dois meses depois, Villa-Lobos morreu: aquela fora sua última aparição em um concerto.

A obra alterna o texto do Magnificat, cantado pela mezzosoprano solista, com uma série de Aleluias proferidos pelo coro. Ao final, todas as vozes se unem em um imponente Amém. O Coro Lírico cantou com boa técnica, obtendo uma sonoridade homogênea e adequado equilíbrio com os instrumentos da orquestra e a voz solista. Esta, por sua vez, foi um dos destaques da noite: voz redonda, de timbre escuro, com excelente projeção. A solista articulou muito bem o texto, cantando com clareza e sensibilidade, em uma leitura comovente do cântico mariano. De se ressaltar o domínio completo nas passagens mais graves e a emissão de um brilhante agudo final, indicativos de uma técnica vocal consolidada. Pode-se assim dizer que a bela mensagem trazida por esta partitura foi perfeitamente transmitida pelos intérpretes, o que resultou em uma digna homenagem à memória desse grande brasileiro que foi Villa-Lobos.

Solistas, coro e orquestra no palco do Carlos Gomes

 

Fotos: Marcelo Siqueira / Secult-ES

 

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Érico de Almeida Mangaravite
Delegado de polícia, formado em Odontologia e em Direito, com pós-graduação em Ciências Penais. Participou de corais, Frequentador de óperas e concertos. Foi colaborador do caderno Pensar, do jornal A Gazeta (ES), para o qual escreveu resenhas e artigos sobre música clássica.