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Filarmônica de Dresden no Brasil

Emblemática orquestra toca em São Paulo e no Rio de Janeiro, com regência de Michael Sanderling e Herbert Schuch ao piano.

 

Com 150 anos de tradição, a Orquestra Filarmônica de Dresden mantém o status de um dos grandes conjuntos sinfônicos da Alemanha. O conjunto distingue-se por sua particular sonoridade tanto no repertório romântico, barroco e clássico, como na interpretação de obras modernas e contemporâneas.

A orquestra é uma das que mais empreendeu turnês pelo mundo, levando em sua bagagem grandes concertos e oratórios. Desde 2011 dirigida por Michael Sanderling, desenvolveu ao longo dos anos uma grande flexibilidade estilística, que lhe permite ir do tradicional e acentuadamente romântico “som de Dresden” às grandes obras da modernidade musical, já tendo apresentado uma série de estreias mundiais da criação contemporânea, de compositores como Penderecki e Holliger.

A Filarmônica, sob regência de Sanderling e com Herbert Schuch ao piano, faz três recitais no Brasil. Nos dias 3 e 4 de setembro, às 20h, toca na Sala São Paulo, na capital paulista. No dia 5, às 20h, apresenta-se no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, como quinta atração da edição 2018 da série O Globo/Dell’Arte Concertos Internacionais, que começou em março e se estende até novembro.

 

Filarmônica de Dresden

A Orquestra Filarmônica de Dresden possui uma tradição de 150 anos como a orquestra da capital da Saxônia, Dresden. Desde 1870, quando a cidade recebeu sua primeira grande sala de concertos, seus programas sinfônicos foram um elemento integral da vida cultural da cidade.

A orquestra se manteve até hoje como um conjunto sinfônico, com turnês regulares para apresentações de concertos e oratórios. Sua sede é a sala de concertos de última geração inaugurada em abril de 2017, no Kulturpalast, no coração do distrito histórico.

Desde 2011, o regente principal da Filarmônica de Dresden é Michael Sanderling. Além de Kurt Masur, regente principal nos anos 1967-1972, seus antecessores incluíram, entre outros, Paul van Kempen, Carl Schuricht, Heinz Bongartz, Herbert Kegel, Marek Janowski e Rafael Frühbeck de Burgos.

A gama musical e estilística da Filarmônica de Dresden é das mais amplas. Por um lado, a orquestra conseguiu preservar seu próprio “som de Dresden” no repertório romântico. Por outro, desenvolveu uma flexibilidade tonal e estilística para a música da Escola Barroca e da Primeira Escola Vienense, assim como para as obras modernas. Importantes compositores também foram levados ao seu pódio desde a sua história mais remota, de Brahms, Tchaikovsky e Dvořák, via Strauss, até Penderecki e Holliger.

Ainda hoje, as estreias mundiais continuam a desempenhar um papel importante na sua programação. Apresentações de convidados por todo o mundo atestam a alta estima desfrutada pela Filarmônica de Dresden no universo da música clássica.

A discografia da Filarmônica, acumulada desde 1937, é verdadeiramente impressionante. Um novo ciclo de CD dirigido por Sanderling e lançado pelo selo Sony Classical cria um diálogo entre as sinfonias de Shostakovich e Beethoven.

 

Michael Sanderling

Um dos mais ilustres maestros da atualidade, Michael Sanderling é regente principal da Filarmônica de Dresden desde 2011.

O momento mais marcante da temporada de 2017 se deu quando a Filarmônica se transferiu para seu novo endereço, na recém reformada sala de concerto, no Kulturpalast. O programa inaugural que marcou a reabertura do local foi regido por Sanderling e apresentou canções de Schubert — tendo como solista Matthias Goerne —, a violinista Julia Fischer como solista do Concerto para violino, de Brahms, e um final icônico, com a Ode à Alegria, da Nona Sinfonia, de Beethoven.

Além desta função, é regente convidado de renomadas orquestras como a Gewandhaus de Leipzig, Tonhalle de Zurique, Filarmônica de Munique, Konzerthaus de Berlim, Sinfônica de Toronto, Sinfônica Metropolitana de Tóquio, Filarmônica de Helsinki, Sinfônica Tchaikovsky de Moscou, Filarmônica Tcheca, Sinfônica de Vancouver e das Sinfônicas da Rádio Alemã, WDR e SWR.

Natural de Berlim, Sanderling é um dos poucos que logrou, depois de tocar em uma orquestra, empreender uma carreira de sucesso como regente. Em 1987, quando contava 20 anos, tornou-se violoncelista solo do Gewandhaus de Leipzig, então sob a direção de Kurt Masur; entre 1994 e 2006, ocupou a mesma posição na Sinfônica da Rádio de Berlim.

Como solista, atuou como convidado da Sinfônica de Boston, Filarmônica de Los Angeles e Orquestra de Paris, entre outras. No entanto, parou de apresentar-se como violoncelista há muito tempo.

Michael Sanderling subiu ao pódio pela primeira vez em um concerto da Orquestra de Câmara de Berlim, em 2000 — e incendiou a interpretação. Como filho do lendário Kurt Sanderling, familiarizou-se muito cedo com a arte da regência, passando a reger com crescente frequência. Em 2006, foi nomeado maestro principal e diretor artístico da Kammerakademie Potsdam.

Como regente de ópera, obteve sucesso em Postdam, com A Queda da Casa de Usher, de Philip Glass, e com uma nova produção de Guerra e Paz, de Prokofiev, na Ópera de Colônia. Como violoncelista e maestro, registrou em CD importantes obras de Dvořák, Schumann, Shostakovich, Prokofiev, Tchaikovsky e vários outros.

Uma das paixões de Sanderling é trabalhar com músicos. Ele leciona na Universidade de Música e Artes Cênicas em Frankfurt/Main e trabalha regularmente com a Bundesjugendorchester (Orquestra Jovem Nacional da Alemanha), a Filarmônica Jovem de Jerusalém Weimar, a Orquestra Jovem Philharmonie Alemã e a Orquestra do Festival de Schleswig-Holstein. Entre 2003 e 2013, foi regente principal da Deutsche Streicherphilharmonie.

A partir de 2017, a Academia Kurt Masur — Orquestra Acadêmica da Filarmônica de Dresden —, fundada graças ao empenho de Sanderling e à estreita relação de Kurt Masur com a Filarmônica de Dresden e seu maestro principal, passou a receber jovens músicos de diferentes nacionalidades, contribuindo assim na transmissão, para jovens talentos emergentes, da cultura tonal característica de uma orquestra de história tão rica. A nova instituição ajudará a garantir a viabilidade futura da orquestra, graças ao ímpeto de seus músicos acadêmicos.

Michael Sanderling

 

Herbert Schuch

O pianista Herbert Schuch, de 38 anos, conquistou a reputação de um dos músicos mais interessantes de sua geração por meio de seus programas concebidos de maneira impressionante, e com a gravação de CD.

Em 2013, recebeu o prêmio Echo Klassik por sua gravação do Concerto para piano, de Viktor Ullmann, e do Concerto para piano n. 3, de Beethoven, com a Sinfônica da WDR, dirigida por Olari Elts. Em 2014, lançou o fascinante CD solo Invocation, com obras de Bach, Liszt, Messiaen, Murail e Ravel.

Esse mesmo programa foi executado em recitais de piano no Festival de Salzburgo e no Musikfest de Stuttgart, na Frauenkirche em Dresden e na Philharmonie de Berlim, entre outros. No início de 2017 foi lançado um CD de dueto de piano com Gülru Ensari, contendo obras de Brahms, Hindemith, Stravinsky e Özkan Manav.

Schuch trabalhou com várias orquestras renomadas, aí incluídas a Filarmônica de Londres, Orquestra Sinfônica NHK, Camerata de Salzburg, Residentie Orkest Den Haag, Sinfônica de Bamberg, Filarmônica de Dresden e as orquestras de rádio MDR, WDR, NDR de Hannover e Rádio Dinamarquesa.

Apresenta-se regularmente como convidado em festivais como o Heidelberger Frühling, Kissinger Sommer, Festival de Música de Rheingau, Festival de Piano do Ruhr e Festival de Salzburgo. Atuou, com grande sucesso, sob a direção de maestros como Pierre Boulez, Andrey Boreyko, Douglas Boyd, Lawrence Foster, Eivind Gullberg Jensen, Jakub Hrusa, Jun Märkl, Yannick Nézet-Séguin, Jonathan Nott, Markus Poschner, Michael Sanderling e Alexander Vedernikov.

Recentemente, tocou com a Orquestra do Teatro Mariinsky e Valery Gergiev no Gasteig, em Munique, com a Deutsche Symphonie-Orchester Berlin, na Philharmonie de Berlim, com a Camerata Salzburgo, com a Orchestra della Svizzera Italiana e com a Orquestra Jovem Nacional da Alemanha em uma turnê europeia.

Fez sua estreia também com a Sinfônica da Cidade de Birmingham, no Kennedy Center, em Washington, D.C., no Festival de Páscoa de Salzburgo e no Festival da Rádio France Occitanie Montpellier. Além disso, apresentou concertos com a Filarmônica de Munique, Filarmônica de Dresden, Festival Strings de Lucerna e a Sinfônica Nacional RAI.

Herbert Schuch nasceu em Timișoara, Romênia, em 1979. Recebeu as primeiras aulas de piano em sua cidade natal, antes de sua família mudar-se para a Alemanha, em 1988, onde vive desde então. Prosseguiu seus estudos musicais com Kurt Hantsch e depois com Karl-Heinz Kämmerling, no Mozarteum de Salzburg.

Em sua infância, tocou violino por dez anos, sendo desde então um entusiasta de música de câmara. No verão de 2017, realizou uma turnê com trio, ao lado da violinista Julia Fischer e do violoncelista Daniel Müller-Schott.

Recentemente, Schuch vem sendo especialmente influenciado por seus encontros e trabalho com Alfred Brendel. Ele criou um alvoroço internacional ao conquistar três grandes concursos em apenas um ano: o Concurso Casagrande, o Concurso Internacional de Piano de Londres e o Concurso Internacional Beethoven de Viena.

Além de suas apresentações, Schuch também está envolvido na organização Rhapsody in School, fundada por Lars Vogt, que promove a educação de música clássica nas escolas.

Herbert Schuch (foto de Felix Broede)

 

PROGRAMAS

3 de setembro

Ludwig van Beethoven (1770 1827)
Abertura Coriolano, Op. 62
Concerto para piano n. 5, Op. 73 – Imperador

Dmitri Shostakóvich (1906-1975)
Sinfonia n. 12, Op. 112

4 de setembro

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Abertura de As Bodas de Fígaro, K.492
Concerto para piano n. 20, K. 466

Anton Bruckner (1824-1896)
Sinfonia n. 3 WAB 103

5 de setembro

Ludwig van Beethoven (1770 1827)
Concerto para piano e orquestra n. 5 em mi bemol maior, Op. 73

Anton Bruckner (1824-1896)
Sinfonia n. 3 em ré menor, A 94 – Sinfonia Wagner

 

Foto do post:  Tobias Ritz

 

SERVIÇO:

 

Orquestra Filarmônica de Dresden

Herbert Schuch, piano

Michael Sanderling, regência

 

3 e 4 de setembro, segunda e terça-feira, às 21h

Sala São Paulo (Praça Júlio Prestes, 16, Campos Elíseos – São Paulo. Tel.: 11 3367-9500)

 

Ingressos: de R$ 75 a R$ 400

 

5 de setembro, quarta-feira, às 20h

Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Praça Floriano, s/n, Centro – Rio de Janeiro. Tel.: 21 2332-9191 e 2332-9134)

 

Ingressos: de R$ 62,50 a R$ 600

 

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