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“Pippin” no Brasil

Charles Möeller & Claudio Botelho montam clássico da Broadway com Totia Meireles, Nicette Bruno, Jonas Bloch e grande elenco.

 

Pippin fez uma revolução na Broadway na época de sua estreia, em 1972. Com uma estrutura ousada e a aposta na metalinguagem, o musical arrebatou cinco Tony Awards ao contar a fábula do príncipe Pippin, o herdeiro do trono do rei Carlos Magno que segue uma atribulada jornada existencial em busca do sentido da vida. Contada por uma trupe teatral, a saga é conduzida por uma Mestra de Cerimônias e pela música de Stephen Schwartz, autor de Godspell (1971), Wicked (2003) e vencedor de prêmios como o Oscar, o Grammy e o Globo de Ouro.

Após 44 anos da única montagem que teve no Brasil, o musical está de volta aos palcos brasileiros pelas mãos de Charles Möeller e Claudio Botelho, que assinam juntos o seu 43º espetáculo. Com estreia marcada para 3 de agosto no Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro, o espetáculo tem em cena um elenco de 19 atores liderado por Felipe de Carolis, Totia Meireles, Nicette Bruno e Jonas Bloch, e oito músicos.

“Este é um musical com muito mais substância e camadas do que se imagina. Pippin é uma comédia cínica, que traz um protagonista absolutamente moderno, cheio de dúvidas e questionamentos, com um vazio existencial que jamais será preenchido. É um dos motivos pelo qual é chamado de Hamlet dos musicais. Ele rejeita antigos clichês e quebra com algumas tradições do gênero. Como se não bastasse, ele retoma essa ideia do ‘teatro dentro do teatro’ e traz um grupo teatral e a figura da Mestra de Cerimônias para contar a história”, conta Charles Möeller, que adquiriu os direitos do espetáculo com Claudio Botelho após o revival da peça na Broadway, em 2013.

Foram necessários quase cinco anos para levantar toda a produção, que envolve um número grande de atores e músicos em cena. Com total liberdade de criação, Möeller e Botelho vão manter em cena o clima de magia que envolve a obra original, a começar pelo número inicial, o clássico Magic To Do. “O musical fala muito sobre a decisão entre enfrentar um mundo real ou permanecer em um mundo de aparências ou de magia, como o que é mostrado em cima de um palco. É um tema muito atual, em um mundo de redes sociais e realidades falseadas”, analisa Möeller.

 

Equipe

Além de toda a sua arrojada dramaturgia, Pippin tem ainda uma das mais complexas partituras coreográficas do teatro musical contemporâneo. Dirigido e coreografado originalmente pelo ícone Bob Fosse (1927-1987), o espetáculo conta agora com o coreógrafo Alonso Barros, especialista no estilo de Fosse, responsável por criar toda uma cartilha própria que virou referência em uma série de musicais que foram produzidos nas últimas décadas.

Möeller e Botelho convocaram para a ficha técnica novos e antigos colaboradores, como o cenógrafo Rogério Falcão (com mais de vinte projetos idealizados para a dupla), o iluminador Rogério Wiltgen (Rocky Horror Show), a figurinista Luciana Buarque (Os Saltimbancos Trapalhões) e o diretor musical Jules Vandystadt (Beatles Num Céu de Diamantes). Parceira da dupla desde 2003, Tina Salles assina, mais uma vez, a coordenação artística.

 

Elenco

Até a estreia desta nova versão, a saga de Pippin tinha chegado aos palcos brasileiros apenas uma única vez, em 1974, em uma montagem que marcou época, com direção de Flávio Rangel e protagonizada por Marília Pêra (Mestra de Cerimônias) e Marco Nanini (Pippin). Coincidentemente, foi o primeiro musical visto por Totia Meireles, na época em 14 anos, quando começou a sua história de amor com os palcos.

“Já fiz musicais em que só cantava, outros em que era bailarina e muitas peças sem música. É o meu primeiro trabalho em que preciso atuar, cantar e dançar muito”, celebra a atriz, famosa pela parceria com Möeller & Botelho em espetáculos como Gypsy (2010), Cristal Bacharach (2004) e Nine – Um Musical Felliniano (2015).

Após um processo de testes, em disputadas audições, todo o elenco foi sendo escolhido. O desafio de encarar o complexo personagem-título recaiu sobre Felipe de Carolis, que estreou com a dupla em O Despertar da Primavera (2009). Após produzir e estrelar os dramas Incêndios e Céus, o ator retomou os laços com o teatro musical em Rocky Horror Show (2016) e agora terá em mãos o primeiro protagonista de sua carreira.

Já Nicette Bruno está de volta aos palcos para dar vida a Berthe, a libertária e hedonista avó de Pippin, que aconselha o personagem a viver intensamente e desfrutar dos prazeres carnais. A atriz foi dirigida por Möeller e Botelho em O Que Teria Acontecido a Baby Jane? (2016). Enquanto Adriana Garambone (Gypsy, Como Vencer na Vida Sem Fazer Força), Cristiana Pompeo (O Mágico de Oz), Guilherme Logullo (Kiss Me, Kate) e Luiz Felipe Mello (Nine – Um Musical Felliniano) também repetem a parceria com os diretores, Jonas Bloch trabalha pela primeira vez com a dupla.

Analu Pimenta, Bel Lima, Bruninha Rocha, Daniel Lack, Flavio Rocha, Jéssica Amendola, João Felipe Saldanha, Paulo Victor, Rodrigo Cirne, Sérgio Dalcin e Victoria Aguillera – também escolhidos na bateria de audições – completam a trupe teatral e se revezam entre dezenas de personagens, dentro e fora da história contada no palco.

 

Extraordinária trajetória

Pippin estreou em outubro de 1972 no Imperial Theatre, em Nova York. Stephen Schwartz vinha de um sucesso no off-Broadway (Godspell) e a partir daí se tornou um requisitado compositor, com trabalhos no cinema que lhe renderam três Oscars por conta de Pocahontas (1995) e O Príncipe do Egito (1998). Em 2003, ele retornou ao teatro e assina letra e música de Wicked, musical responsável por quebrar recordes de bilheteria ao redor do mundo em diversas montagens.

A encenação original de Pippin teve onze indicações ao Tony e levou cinco prêmios: melhor ator, cenografia, iluminação, e Bob Fosse ganhou os de melhor direção e melhor coreografia. Em 2013, uma remontagem da American Repertory Theatre dirigida por Diane Paulus chegou à Broadway com imenso sucesso, ficou em cartaz por quase dois anos e arrebatou quatro prêmios Tony.

Consagrado por Ben Vereen em 1972, o papel do Mestre de Cerimônias foi vivido por uma mulher (Marília Pêra e Suely Franco, que a substituiu posteriormente) pela primeira vez na montagem brasileira. Tal fato só se repetiu com a versão de 2013, protagonizada por Patina Miller. Foi a única vez na história do Tony Awards em que o mesmo personagem rendeu o prêmio principal a dois atores diferentes.

 

Sinopse resumida

Liderada pela Mestra de Cerimônias (Totia Meireles), uma trupe teatral conta a história do príncipe Pippin (Felipe de Carolis), filho e herdeiro do trono do rei Carlos Magno (Jonas Bloch). Em busca do sentido da sua vida, e para atingir uma existência extraordinária, ele segue os conselhos da avó (Nicette Bruno) e da madrasta Fastrada (Adriana Garambone), passa por batalhas, experimenta o poder, a simplicidade e o amor.

 

FICHA TÉCNICA:

Um espetáculo de Charles Möeller & Claudio Botelho
Texto: Roger O. Hirson
Música e letras: Stephen Schwartz
Versão brasileira: Claudio Botelho
Direção: Charles Möeller
Elenco: Felipe de Carolis, Totia Meireles, Nicette Bruno, Jonas Bloch, Adriana Garambone, Cristiana Pompeo, Guilherme Logullo, Luiz Felipe Mello, Analu Pimenta, Bel Lima, Bruninha Rocha, Daniel Lack, Flavio Rocha, Jéssica Amendola, João Felipe Saldanha, Paulo Victor, Rodrigo Cirne, Sérgio Dalcin e Victoria Aguillera.
Direção musical: Jules Vandystadt
Coreografia: Alonso Barros
Cenário: Rogério Falcão
Figurinos: Luciana Buarque
Design de som: Marcelo Claret
Iluminação: Rogério Wiltgen
Visagismo: Beto Carramanhos
Coordenação artística: Tina Salles
Produção executiva: Carla Reis
Realização: M&B e E_Merge

 

SERVIÇO:

 

Musical “Pippin”

Montagem de Möeller & Botelho

Com Felipe de Carolis, Totia Meireles, Nicette Bruno e grande elenco

 

De 3 de agosto a 21 de outubro

Quintas, às 17h; sextas e sábados, às 21h; e domingos, às 19h30

Teatro Clara Nunes – Shopping da Gávea (R. Marquês de São Vicente, 52, Gávea – Rio de Janeiro. Tel.: 21 2274-9696)

 

Ingressos: quintas e sextas-feiras: R$ 80 (plateia) e R$ 50 (balcão); sábados e domingos: R$ 120 (plateia) e R$ 70 (balcão), com meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 60 anos

 

Sugestão etária: recomendado para maiores de 12 anos

 

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